Um nerd no mundo: infraestrutura da viagem

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Antes de começar a ler esse post (terrivelmente longo!), saiba que muito do que vou falar pode parecer outra língua ou bizarrices que nunca ouviu falar. Sabe como é. Afinal, se você clicou pra ler o post é porque se interessa minimamente pela parte técnica de uma viagem RTW: como diabos farão com eletrônicos, dados, mídias etc em todo canto do mundo?

Senta aí e leia o retorno do investimento da Dani em casar com um nerd.

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Setup RTW

Abaixo segue anotações do que eu fazia questão de fazer pra viagem, e o que acabei utilizando, como, onde e tal. Claro, algumas coisas eram dispensáveis, outras poderiam ser mais simples, mas…

Notebook: vamos usar o netbook HP Mini da Dani, ele é velhinho (2 anos) mas quebrará um galho porque não é grande como um notebook, tem 10 polegadas e pesa só 1.5 kilos. Não é muito poderoso, mas desde que a bateria ou recarregador não peça água durante a viagem estaremos bem.

Linux: matei o Windows que tinha na máquina e botei um Debian versão Wheezy (explicitamente configurada, porque acho que sairá oficialmente durante a viagem e posso querer alguma atualização de segurança quando tiver banda disponível). Testei o Gnome, Cinnamon e o Mate como desktops. XFCE eu já dava ok prévio então ficou como fallback deles. Gnome infelizmente fica inviável, a Dani não ia se acostumar e tem firulas demais (i.e. fica lento). O mesmo serve pro Cinnamon, que é mais enxuto mas ainda tem firulas e efeitos que não precisamos. Sobrou o Mate, que é um Gnome mais antigo mas mantido direito. Tem cara de Windows pra Dani e é estável. Plin plin! Salvei o get-selections do dpkg pro caso de algum desastre.

Backups: minha maior preocupação desde o primeiro dia de planejamento. Sou paranóico desde que perdi arquivos anos atrás com um disco que morreu. Parte da minha paranóia eu resolvi me desapegando mesmo, a outra parte resolvi com múltiplas cópias de coisas importantes. Entre todas as idéias que tive acabei ficando com usar o Unison, um programa bem legal, com linha de comando e interface, pra sincronizar arquivos entre pontas (remotas ou não). Basicamente usa rsync por baixo, e é bem espertinho, a criação de profiles é bastante simples e a documentação decente. Por baixo usarei EXT4 com sync e outros ajustes de tune2fs e montagem. Uma regra de udev detecta se algum disco foi plugado e abre o Unison pro sync manual (pra evitar merdas), além de um cronjob me lembrando pra rodar ele de tempos em tempos. Um outro comando, manual, dá um start com nohup em um upload pro Glacier da Amazon, sempre que eu sentir necessário.

Hosting: nenhuma novidade aqui, continuo com o Dreamhost desde 2004, acho, ou 2005. Disco e banda ilimitados, sem muitas perguntas e com histórico de suporte bom. É onde o site e tudo o que eu tenho está hospedado e onde botarei uma das cópias dos backups.

Storage: fazendo uma conta de padaria rápida, cheguei ao número de mil fotos por mês na viagem. Parece muito ou pouco? Acho muito até. Minha teoria é que em viagens curtas você abusa mais, bate mais fotos, leva mais roupas. Aproveita de forma mais intensa. Na RTW é o contrário, não queremos tirar foto de qualquer merda, vamos aproveitar, sem ficar carregando tralhas em qualquer caminhada. Mesmo assim, pensei em usar um storage em nuvem, Amazon Glacier, pra ser mais uma cópia do que estiver no Dreamhost: backup do backup. Por enquanto estou investigando os preços e fazendo testes. O que é certo é que usarei o Unison pra sincronizar o netbook com um WD My Passport de 1 tera (mais proteção rugged, o WD Nomad) e esporadicamente com o Dreamhost um pendrive de 64GB bem pequeno que comprei já na viagem e sempre tá dentro do meu passaporte.

Eu ficaria puto se perdesse imagens da viagem. Mas eventualmente isso vai acontecer.

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Plugins: tentei ao máximo não carregar o WordPress do site com muitos plugins, mas ficou difícil usar menos que esses. AddThis Social Bookmarking Widget: poderia usar os códigos e botar manualmente, mas acho que não faria muita diferença, é pros botões de compartilhamento dos posts basicamente. Advanced Browser Check: pra dar um aviso pros que tão com IE não reclamarem de estar tudo feio no site. Disable WordPress [Core|Plugin|Theme] Updates: que habilito somente quando sai atualizações de segurança, pra evitar algo quebrar no site enquanto estamos sem internet e longe. Disqus Comment System: pra não me preocupar com spammers ou moderação nem login das pessoas, podem comentar a vontade por redes sociais que tá beleza. Header Slideshow: que pretendo integrar com código meu depois direto no tema do site, pra ter os slides de imagens no topo das páginas, atrás do título do site. Leaflet Maps Marker: pra gerenciar os mapas da viagem e criar camadas de sobreposição deles aqui. Online Backup for WordPress: o mais simples e funcional que achei, tem limitações (envio de backups por e-mail é tudo ou nada, blé) mas parece ok, espero não precisar usar. Q and A: pra manutenção do FAQ do site, o mais simples que achei. Shortcodes Pro: só pra poder ter aquelas caixinhas com nossos ícones no meio do texto um do outro, como comentários. Twitter Widget Pro: pra listar nossos posts no Twitter ali na lateral. WP Quadratum: pra ter um mapinha com os últimos checkins da Dani no Foursquare. Youtube Feeder: pra embutir os vídeos que acabarmos fazendo na viagem ali na lateral. Widgetize Pages Light: pra poder usar os widgets do Twitter, YoutTube e Foursquare dentro de páginas e posts, não só na lateral do site.

Temas: queríamos um tema que parecesse algo de bloco de anotações, guia de viagem, diário sei lá, algo assim. O melhorzinho foi o Notepad do Nick La, que até que é pequeno, sem muita coisa afrescalhada e fácil de editar. Em algumas páginas eu botei manualmente códigos pra redes sociais ou pra carregar a rádio do Grooveshark.

Controle de versão: todos nossos arquivos importantes ficarão em múltiplos backups, mas a estrutura do site, documentos nossos, nossas planilhas de controle de custos e planejamentos, bem como scripts que acabei fazendo pra X coisas, fica em um repositório Subversion também no Dreamhost, tudo versionado. Inclusive acabei até versionando os documentos do Pages com nossas propostas de patrocínio que fizemos. Sem isso acho que seria meio tenso e bagunçado organizar tudo, principalmente o site com tanta modificação que fiz manual em estilos e imagens. Isso junto com o get-selections do dpkg permitiria recuperar tudo caso precisássemos de um netbook novo no meio da viagem porque o nosso morreu.

Apps de celular: o fantástico Theodolite, um app qualquer de lanterna e outro de conversão de unidades, um app pra Twitter, Facebook e Google Plus, Skype e o app do WordPress pra emergências. Tô levando o 1SE que parece bem legal pra aproveitar na viagem, app do CouchSurfing e Hostel World, além do My World Weather (que falaremos melhor em outro post sobre previsão do tempo na viagem). Embora não pretendemos ficar online muito tempo, vou usar o Wi-Fi Finder da JiWire que tem banco de dados offline e o Free Zone pra, cof cof, bem emergências. Star Alliance Navigator e Star Alliance FareFinder por ser o consórcio que usaremos pra procurar passagens e ter milhagem. Também o AutoStitch, e claro, os básicos do Google pra sobreviver por aí, menos o Google Maps que além de ser online hoje em dia é super lento. No lugar tenho usado e gostado muito do Galileo que usa o OpenStreetMap por baixo.

Truques gerais: aliases de shell pra fazer sync com iPhone e Android de forma simples, aliases de shell pra atualizações do site, sistema e afins, chaves SSH, aplicativo pra editar vídeo, áudio e imagens, alertas pra backups de tempos em tempos etc. Parafernalia mesmo.

Firulas

Aqui vão algumas coisas que pesquisei e queria ter preparado a tempo, mas que não deu ou ainda estou investigando se vale a pena e como fazer direito num contexto com redes ruins em lugares com pouca infraestrutura ou simplesmente falta de saco :-)

Animoto: a idéia do Animoto ainda tô vendo se vale a pena, ele é um serviço de criação de vídeos online a partir de fotografias ou clipes curtos de vídeo que você já tenha em algum serviço a parte ou no computador. Pareceu uma forma bastante prática de criar vídeos no YouTube a partir de um punhado de fotos. Famílias e amigos iriam gostar e teríamos trabalho quase zero. Mas custa né… e acabamos desistindo e nem usando.

GPS (tracking): tentei comprar fora do país o Spot Satellite GPS Messenger, um tipo de tracker. A idéia inicial era eu ter feito um mini-app web que checaria um lock no servidor semanalmente, se eu não pingasse esse mini-app no tempo ele removeria o lock e dispararia um envio de e-mail, SMS e mensagens pra pessoas determinadas com nossa última localização etc etc etc. Comecei a fazer e fiquei com preguiça quando vi o Spot, que é um GPS pequeno, com alta duração de bateria (o que dura mais que eu vi na pesquisa toda), super simples, com integração com Google Maps num portal dele e com o mesmo suporte a “modo de emergência” que eu havia pensado. Pô, legal né? Seria muito, se tivesse conseguido comprar… no fim das contas fiquei sem as duas soluções, e que se dane se tivermos um acidente né… podem chorar a vontade porque fui pouco paranóico :-)

Segurança: dei uma pesquisada pra ver se não valeria a pena ter uma VPN sempre disponível no netbook, pra dar um senso maior de “liberdade” e poder sempre sair pra Internet como de um país só, não tendo problemas de coisas não abrindo ou funcionando. Inicialmente iríamos pra China, por isso a idéia, mas no fim não ia ser tão necessário e abortei, deixando somente um Tor com Privoxy no netbook pra quando fosse fazer algo além de simples navegação pra matar o tempo (já que via Tor tudo fica mais lento e nem sempre terei banda disponível).

Ufa! É isso. Meio exagero mas é isso. Acredito cegamente que metade disso é paranóia nerd, mas não pude evitar. Não pretendo transformar minha viagem na viagem dos outros, não tirarei tantas fotos ou ficarei no celular assim, mas quis pelo menos poder fazer isso, caso desejasse.

O que é e como comprar um bilhete RTW

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Quando a notícia de que iríamos dar a volta ao mundo começou a se espalhar, algumas pessoas se espantavam quando eu dizia que estava tudo pronto e que os bilhetes estavam emitidos. “Nossa, mas vocês já emitiram os bilhetes para todos os trechos?”. Sim, e isso só foi possível graças ao bilhete RTW.

Basicamente, existem duas formas de panejar sua viagem de volta ao mundo: comprando os trechos separadamente ou optando por um bilhete RTW, que é um tipo de bilhete emitido por alianças de companhias aéreas que possibilita a compra de todos os trechos da viagem em um só ticket, respeitando algumas regras com relação ao número de países, milhas, direção da viagem etc. As três principais alianças que emitem este tipo de bilhetes são a One World, a SkyTeam e a Star Alliance.

As duas opções têm seus benefícios, mas financeiramente e dor-de-cabeça-mente falando o bilhete RTW da Star Alliance foi a melhor opção pra gente. Ao longo ano, vamos passar por no mínimo 25 cidades em 11 países, e o nosso transporte não vai ser exclusivamente aéreo (pela Europa vamos viajar principalmente de busão, como falaremos em um próximo post). Conciliar tudo isso é uma logística e tanto, por isso optamos por ter o esqueleto da viagem bem engessado e as regras do bilhete não nos incomodaram nem um pouco. A flexibilidade que você quer ter na viagem, o número de países que gostaria de conhecer e quais companhias aéreas voam para estes países são somente alguns dos inúmeros pontos que devem ser levados em consideração na escolha da sua opção. Esperamos que este post possa dar uma ajudinha :-)

Regras

Para se enquadrar na categoria RTW, a sua viagem precisa durar de 10 dias a 1 ano, cruzar o Atlântico e também o Pacífico ao menos uma vez, viajar sempre em um único sentido no globo, leste-oeste ou oeste-leste (a SkyTeam é a única das três alianças que não tem esta exigência) e começar e terminar na mesma cidade (no nosso caso, São Paulo). O limite máximo é de 15 destinos além da sua cidade de origem, mas existem regras específicas de cada aliança que devem ser observadas, como por exemplo o limite de 4 paradas por continente da One World e um número limite de conexões no caso da Star Alliance (à princípio metade do número de destinos).

As escalas contam como dois vôos, por isso vale muito a pena observar se as companhias aéreas que fazem parte da aliança escolhida possuem vôos diretos para os destinos escolhidos, pra não correr o risco de ver o seu limite de destinos cortado pela metade devido a vôos “pinga-pinga” que também contam na distância total da viagem.

Companhias Aéreas

A escolha da aliança pra emitir o bilhete RTW é importante porque, obviamente, nem todas as empresas tem operação em todos os continentes. Logo, se sua RTW vai focar em um continente em particular talvez uma aliança com muitas empresas daquela região sejam uma boa. Pra nós, vôos intercontinentais confortáveis eram prioridade, já que dentro dos continentes daríamos um jeito com vôos menores ou ônibus mesmo. Aparentemente a Star Alliance é a que tem mais companhias primeiro nível com vôos longos e boa reputação. Nela estão, por exemplo, a TAM (até ano que vem, provavelmente), Lufthansa, United e outras menores de países por onde passaremos (como África do Sul, Tailândia e Nova Zelândia).

Quanto custa?

A não ser que você seja um viajante muito experiente, com disposição para buscar sempre os melhores preços de passagem e suficientemente bem planejado e sortudo para conseguir comprar com o timing perfeito, o bilhete RTW será a melhor opção custo/benefício.

No geral, as três alianças têm preços muito parecidos e o que determina quanto vai custar a sua viagem é o número de milhas percorridas. O preço varia de acordo com faixas de milhas (até 26, até 29, até 34 e até 39 mil milhas), e vai de USD 4.000 a USD 6.000 na classe econômica. As alianças não cobram taxas para remarcações de dias e horários, mas alterações no itinerário tem um custo de USD 125. Isso é uma boa notícia caso esteja gostando ou odiando um lugar e querendo ficar mais ou menos tempo, decidindo na última hora, desde que não queira mudar de cidade.

Bom, muito melhor do que ficar imaginando quanto a sua viagem dos sonhos custaria é botar a mão na massa e utilizar os simuladores de cada aliança. Nós usamos e abusamos do simulador da Star Alliance, e na hora de emitir o preço ficou idêntico, então pode confiar. Mas atenção, esses simuladores são uma ameaça à sua produtividade, prepare-se para perder horas e horas neles… você foi avisado :-)

A nossa passagem fechou em 9 países, ficou dentro do limite de 34 mil milhas e custou USD 5.625 por pessoa + taxas de embarque. Nada mal pra uma volta ao mundo, né?

Caio diz... Aliás, a nossa ficou até cara porque estamos passando por todos os continentes, mas experimente simular uma menor por menos lugares, é mais barato que você imagina! Sério :-)

Como comprar?

Definido o seu roteiro, a emissão do seu bilhete pode ser feita diretamente pelo site das alianças ou através de alguma agência de viagens. No nosso caso o coeficiente de cagaço falou mais alto e nós optamos por emitir a passagem através de uma agência, pois pra quem vai passar longos meses fora de casa ter um contato aqui no Brasil para o caso de algum problema, emergência ou alteração de última hora pareceu mais seguro.

Nós recebemos a indicação da agência através de um blog e iniciamos o contato bem cedo, quando ainda nem tínhamos fechado o roteiro, o que foi muito bom para tirarmos dúvidas e esclarecermos como funcionava o bilhete. Numa dessas idas à agência, por exemplo, descobrimos que existe uma classe de vôo que é só para bilhetes RTW, e todos os vôos das alianças tem um número de assentos destinados a este tipo de viagem (se não estou enganada, 2 assentos por vôo, parece que ou classe M ou H). Isso significa que é praticamente impossível não conseguir assento disponível no vôo que você quer! Nós emitimos a nossa passagem em dezembro, com data de embarque prevista para abril, mas graças a estes assentos o bilhete pode ser emitido alguns dias antes, sem nenhum problema, pelo menos segundo as agências. Só que eu duvido que você aguente esperar :-P

Aqui em Curitiba nós indicamos o Bruno, da RKBC Turismo, que manja pra caramba. Ele nos recebeu muito bem desde nosso primeiro contato, meses antes da emissão, tirou todas as nossas dúvidas e nos passou muita segurança. Cansamos de checar detalhes com ele, sempre atencioso. Contato de ouro:

Bruno Canalli

RKBC Turismo
Av. João Gualberto 1673 – Sala 23
Curitiba – PR – Brasil – Cep: 80.030-001
Tel: 55 41 3019 8696 – Tel/Fax: 3022 4184

Em resumo, indicamos fortemente a utilização do bilhete. Acho que deu pra ver que embora cheio de regras ele é uma opção segura e confiável, basta analisar bem certinho qual é a aliança que se encaixa melhor no seu roteiro. Por isso, mãos à obra: use e abuse dos simuladores e, se preferir, converse com alguma agência desde já.

Viu como dar uma volta ao mundo já começa mais fácil que pensava?

Pra onde vamos, e como montar o seu roteiro

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Escolher pra onde queríamos ir foi menos complicado do que pensávamos. Claro que todo mochileiro quer ir pra todos os lugares, aí a lista começa com 100 países e termina com 10, é normal, mas meio que sabíamos (por estudar o assunto) caminhos mais ou menos comuns em viagens de volta ao mundo (RTW) ou que seriam fáceis de fazer.

O difícil ao montar o roteiro da sua viagem RTW acho que é fazer tudo encaixar: datas com lugares, com estações do ano, com tempo de permanência, com dinheiro e com disponibilidade de hospedagem. Acho que mudamos pouco a lista abaixo; o segredo é sempre ir validando seu roteiro em ferramentas e simuladores de bilhetes RTW, que vamos falar em outro post como funciona.

Mas tá aí! Nossa criaçãozinha, o roteiro da nossa volta ao mundo.

Confirmados: África do Sul, Egito, Grécia, Itália, Suíça, França, Espanha, Nepal, Tailândia, Nova Zelândia, Estados Unidos. Talvez: Portugal, Inglaterra, Alemanha, Austrália

roteiro

África faremos os extremos, mas sem passar pelo miolo do continente por questão de segurança (uns 50%) e falta de grana (outros 50%, queríamos ir pra Tanzânia). Alguns dizem que a África de verdade é o miolo mas pffft… na Europa faremos uma espécie de circuito sul-oeste (de ônibus), porque estamos limitados no tempo sem visto no continente então a idéia é literalmente fazer a volta nela começando e terminando na Suíça, que tem boas conexões de vôos. Ásia infelizmente não conheceremos muito: Japão e China são chatos demais pra vistos, acredite, nem sei se vale a pena por isso. Nepal e Tailândia tá bom o suficiente, parece ser como conhecer o Acre e a Fernando de Noronha deles. Oceania e América do Norte não tem segredo, vamos nos clássicos, mas se der certo faremos um pit-stop em Fiji pro aniversário da Dani. Torçam pra dar certo ou eu dormirei no sofá nos próximos anos!

Com relação às datas e tempo de permanência em cada lugar, tivemos sempre uma preocupação na cabeça: manter a bagagem leve. Isso significa não precisar carregar roupas e calçados pesados em nenhum dos nossos destinos. Baixamos as temperaturas e volume médio de chuva de cada uma das cidades que pretendíamos visitar (o site www.worldweather.wmo.int é bem simples mas pode ajudar nesta tarefa) e fizemos um trabalho de recorte e colagem no roteiro, tirando uma semana em um lugar e colocando naquele, tudo para visitar o máximo possível de países durante o verão. Como nem tudo são flores, acabaremos visitando o Nepal e Tailândia no finalzinho da época de monções, o que pode trazer certos problemas.

Nosso roteiro é um dos mais RTW que muitos por aí, podemos garantir. Muita gente fala que fez uma viagem RTW e quando vê é um americano indo pro sul da Ásia, ou uma européia que vem pra América do Sul e vai pra Oceania rapidinho. Fizemos questão de passar por todos os continentes… bom, menos Antártida, mas isso é pra férias futuras. Inclusive nosso planejamento já engloba férias mesmo, visto que com a quantidade de milhas que ganharemos poderemos facilmente dar uma outra viajada legal, nem que seja pra gastá-las no decorrer da RTW.

E ah! Falando em férias, se cada um desses destinos fosse um período de férias, isso significa que nossa RTW é praticamente uns 10 anos de férias, nada mal hein!

Claro que um roteiro desse nunca é perfeito. A gente queria ficar mais tempo na Europa pra ver mais lugares, mas não podemos pelo limite de 90 dias pra brasileiros, ou garantir lugares na Ásia e Oceania, mas não deu, paciência :-)

Montando o seu roteiro

Pra montar seu roteiro, sugiro seguir esses mandamentos abaixo. Não são os únicos, mas caso de paute por eles garantimos que não vai dar com os burros n’água :-)

  • Pense como uma transportadora: você tem que ir direto e num fluxo contínuo pelo mapa, nada de voltas e mais voltas ou cruzar o mesmo caminho várias vezes (i.e. vai aumentar muito seu custo).
  • Viaje leve: tente seguir a rotação do planeta (sim!), viajando na velocidade das estações do ano dos lugares, assim evita ter que cobrir muitos cenários diferentes como inverno, verão e sei lá o quê aonde.
  • Faça com tesão: se percebe que cortou demais, ou tá enrolado demais e não é o roteiro dos seus sonhos, pare e comece de novo, uma viagem RTW é pra gastar muita energia e recursos, se o roteiro não estiver minimamente legal pra você…
  • Diversifique: não vá pra lugares onde já foi… se precisa ir por algum motivo, vá pro outro lado do país, passe por lugares bem diferentes entre si, conheça coisas, afinal é essa a graça da viagem.
  • Risque e rabisque: imprima um mapa se você não é familiarizado com geografia (sério!), use Google Maps, rabisque, olhe em um globo, experimente assim. Acredite, desenhar roteiros ajuda bastante a prever problemas na rota, além de usar o Google pra ver se é viável.

Dito isso, eu diria que um roteiro RTW bastante natural é, sem falsa modéstia, o nosso. Ele não é longo, passa por lugares variados, segue um fluxo contínuo no mapa e num sentido só do planeta, ou seja, vamos aproveitar praticamente um ano todo de verãozinho :-)

Num próximo post explicamos melhor como você pode viajar numa RTW, por avião, ônibus, à pé etc, e como fazer pra organizar e comprar um bilhete específicos para mochileiros dando a volta ao mundo, é mais fácil que você imagina.

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