Nossa base na Suíça, começando em Zurique

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Quando dizemos que montamos base na Suíça não significa que ficamos tanto tempo assim lá, foi mais uma escolha por logística :-) como queríamos ir pro Nepal, e nem todas as empresas européias voavam direto ou semi-diretamente pra lá, a Suíça foi a saída já que havia um vôo com somente uma escala rápida pra lá. Chegamos em Zurique, passamos pelo interior e faremos o caminho todo de volta no nosso fim na Europa!

Zurique do alto, vista da universidade

Zurique do alto, vista da universidade

Enfim… já começamos bem em Zurique, chegando atrasados quase 2h no centro da cidade. Eu, esperto, li 3km no Google Maps mas que tava em inglês e eram 3 milhas até a casa dos nosso couchsurfers na cidade. Resultado: andamos 5km por Zurique debaixo de um sol pior que o egípcio ou brasileiro, com as mochilas nas costas. Andamos do centro até o fim da linha Farbhof de bonde, longe pra caralho.

Mas! Como o céu tá cheio de couchsurfer gente boa, na recepção tínhamos uma panela de macarronada nos esperando, e dali já fomos pra uma ilhota no rio Werdinsel que corta Zurique. Uma espécie de praia pra eles e com água incrivelmente deliciosa, e gelada, muito gelada. Gelada de arder como se fosse quentura quando sai da água. Ou vai ver que ardeu porque pulei duma corda que tinha lá com as costas espatifando na água :-)

Nossos couchsurfers em Zurique foram uma dupla de rapazes (um local e um suíço-escocês), bem jovens meio estudantes ainda mas prontos pra dar risada e conversar. Na próxima vez que falarem que suíços são meio frios poderemos discordar veementente. Um deles ainda nos deu uma puta surpresa quando descobrimos que ele já foi pro Nepal, e não só isso, mas fez as mesmas trilhas que pretendemos fazer lá. Tinha livro, mapas, nomes dos postos de controle, tirou altas dúvidas nossas!

No lado antigo da cidade

No lado antigo da cidade

Zurique em si é muito melhor que esperávamos. Não é tão casa de boneca quanto se imagina, mas sim tudo funciona perfeitamente bem. O sistema de transporte da cidade deve ser mentira de tão bom. Realmente é caro, mas se vacilar como nós e não comprar passes que valem muitos dias aí fica difícil mesmo. Como tem bonde, trem, ônibus e barcos integrados com o mesmo bilhete, a melhor saída pra aproveitar a cidade é comprar o passe e rodar bastante, vale a pena! Ou pegar uma bicicleta e andar, são bem amigáveis e tem até empréstimo grátis de bicicleta no centro. Isso, claro, sem falar dos trens do lugar. Pra quem gosta de trem, ou engenharia de transporte, Zurique (e por extensão o país todo) é pura pornografia.

[do action=”dani”]as bicicletas foram o que mais me chamou atenção, tem muito espaço para elas na rua, além de pessoas andando de skate, patins e até patinete[/do]

A cidade tem mais que lojas de marcas caras, ainda bem pra gente. Fomos no Jardim Chinês que tem na margem direita do lago e tava cheio de gente tomando um sol, dali se tem uma vista legal da cidade e dos barcos no lago. Se o dia estiver claro dá pra ver até os alpes no horizonte, mais altos que tudo. No meio do centro passam canais também, e ali as pessoas costumam tirar os calçados e botar os pés nas águas absolutamente transparentes enquanto almoçam. Dá até pra ver os patos brincando e uns peixes nadando de tão cristalino que é por ali. Aliás, foi ali que almoçamos um dia e tiramos uma soneca encostados num banco na beira do rio :-)

Um lugar diferente que havia encontrado por acaso, online, era o skatepark de Zurique. Diz-se que é um dos maiores da Europa, então tínhamos que ir lá ver, skateparks apavoram! Era grandinho mesmo, e bem construído, pra quem tava aprendendo e pra quem já manjava. Não vi só uma pista vertical lá, mas tinha até ponte conectando lados do parque. Pra ir lá desça na estação Saalsporthalle e ande paralelo a Allmendstrasse, não tem como não ver de longe.

No skatepark de Zurique

No skatepark de Zurique

Depois de visitar a região fomos meio andando pelo centro histórico de Zurique, com os prédios antigos, torres com relógio e afins. Vimos conectadas em uma ponte algumas daquelas cordas de slacklining com gente tentando passar por elas. Quem caía se juntava ao bolo de gente abaixo no rio gelado, aproveitando o verão :-) Aliás, ali tem o parque Platzspitz que vale uma visita, e pode emendar o passeio no parque de diversões pra mochileiros. Quase ali do lado tem o Europaallee, uma espécie de shopping na rua com mesmo nome, e lá dentro tem a Transa. Caralho, sério, o nome é estranho mas é como uma megastore de coisas pra mochileiros, acampamentos, escaladas, trilhas etc. Simplesmente alucinante, foi foda sair dali gastando pouco só pra matar a vontade. Na volta pra Zurique pararemos ali antes do Nepal, com certeza.

[do action=”dani”]nada como uma loja pra mochileiros para se descobrir um monte de coisas que você nem sabia que existia mas “precisa” desesperadamente[/do]

Slacklining no rio gelado, mas é verão então tudo bem

Slacklining no rio gelado, mas é verão então tudo bem

Fazia tempo que não cozinhávamos pros nossos couchsurfers então tentei fazer uma coisa diferente. Pela primeira vez na viagem tentei fazer galinhada, com arroz misturado e tudo. Ficou um pouco gordurosa mas rapaz… até eu fiquei orgulhoso do feito. Todo mundo lambeu os dedos quando raspamos a panela na mesa da varanda. Galinhada na Suíça é o que há! Bom jeito de agradar com algo brasileiro e matar a saudade da comida de casa.

Pra compensar, nos deram as dicas de como chegar na loja da Lindt que fica na fábrica de chocolates. As visitas à fábrica foram suspensas, mas a loja tem cheiro de chocolate fresco, é hipnotizante… e barato! Por 1 franco e meio você compra uma barra de chocolate, por exemplo. E bom, é Lindt, não é Garoto. Saldo da brincadeira foram prováveis kilos extras de banha já que saímos de lá com 8 barras e saco de bombons que pesavam 1kg :-X mas pô, se tá na Suíça, que se entupa de chocolate, certo? Compramos até pouco, isso sim!

Sloth! Chocolate!

Sloth! Chocolate!

Nossa última noite na cidade foi especial. Fomos encontrar o Yves, que conhecia online há tempos mas nunca havia encontrado em pessoa ainda. Ele nos levou por um passeio rápido pra conhecer o escritório do Oráculo em Zurique, um parque de diversão do ponto de vista do pessoal de RH pelo jeito, mas de fato um puta lugar só de passar rápido olhando pelas mesas enquanto uns perdidos ainda trabalhavam à noitinha, foi bem legal e confesso que tive que me conter pra não parecer um nerd fanboy ali. Pra fechar a noite o Yves fez uma proposta bizarra: ir num bar que ninguém havia ido ainda mas que ficaram sabendo que haveria uma dupla japonesa “estranha” tocando umas músicas sei lá da onde. Pegamos uma chuva no caminho e chegando lá o lugar (Helsinki Klub) era tipo uma garagem transformada em bar descolado e o casal de japoneses tocava um som muito… não sei. Ele no baixão e ela cantando ou brincando com alguma escaleta. O som era muito diferente, mas legal! Fofinho até, pensando bem nós até compraríamos o álbum deles. Acho que se chamam Fuchigami e Fumato, eles tem um canal no Youtube e até uma música chamada Ramona.

No fim da noite estava chovendo bastante forte e após nos despedirmos do grande Yves voltamos pra casa quase “voando por instrumentos” de tão cansados. Deixamos um recado no livro de visitas dos nossos couchsurfers com um mapa mundi que desenhei com nossa rota da viagem e fomos dormir. Acordamos bem cedo pra nos despedir deles antes de saírem e perdermos a chance, ia ser humilhante voltar tarde e não encontrar os couchsurfers pra um tchau! Tudo ótimo e resolvido, fomos pegar nosso trem pro interior na região dos alpes.

Centrinho de Zurique com turistas

Centrinho de Zurique com turistas

Deu pra notar que adoramos nossos dias (bom, quase uma semana) em Zurique? O lugar e as pessoas que encontramos foram incríveis. Pena não ter visto meu primo que mora na cidade mas havia viajado à trabalho dias antes, quem sabe na próxima vez. Próxima vez inclusive que não demora muito, Zurique é mais foda que as pessoas imaginam e a veremos novamente antes de sair da Europa.

Roma, cazzo!

Sem comentários

Nosso tempo em Roma foi um pouco diferente. Não ficamos na cidade de forma contínua. Primeiro usamos ela por metade de um dia e noite como base só pra ir pro sul da Itália, e depois quando voltamos pra lá pra visitar de verdade.

Foi nesse primeiro espaço de 6 horas na chegada em Roma que fez a gente aproveitar tanto a cidade. Finalmente estávamos em Roma, cazzo! Como esperamos pra visitar a cidade que a cada esquina e parede tem milênios de história…

Pra essa noite tínhamos couchsurfer pra conhecer. Coincidentemente ele morava em Curitiba também, meio que lá e meio que em Roma ainda. Falava português praticamente fluente e só não falamos o nome dele aqui por privacidade, mas foi uma das pessoas mais gentis e “elétricas” na viagem, extremamente gente boa. Como o tempo era curto, após o trabalho ele nos levou pra conhecer Roma. E quando dizemos conhecer dizemos conhecer mesmo. Andamos ininterruptamente das 6 da tarde até meia-noite! Fomos dormir, acho, por 01:30.

Pôr-do-sol do alto da cidade

Pôr-do-sol do alto da cidade

Qual o pulo do gato? O passeio era com um italiano de verdade, couchsurfer, fomos direto pra onde era legal. Visitamos o Coliseu, ou Colosseo com o sotaque engraçado da anunciante nos metrôs, o Arco de Constantino que é do lado, as ruínas do fórum romano vimos de fora pelo horário ser tarde, demos uma espiada na Coluna de Trajano e no palácio Vittoriano, passamos pela Fontana di Trevi, Praça da Espanha, subimos a escadaria ali até a entrada pra Villa Borghese com um panorama e pôr-do-sol incrível do alto da cidade. Voltamos já quase morrendo pelo centro, repassando alguns lugares agora de noite, com iluminação de monumento mesmo.

Pantheon é lindo demais, a foto não faz jus

Pantheon é lindo demais, a foto não faz jus

Fica tudo mais incrível, o fórum romano de noite (com direito a entrar pelos fundos, sem ninguém, pulando uma cerca pros turistas) é alucinante. Jantamos perto da Praça Navona por 10 euros (2 pratos e vinho), combo comum em Roma e preço camarada. Dali ainda passamos no Pantheon, algo emocionante pelo gigantismo do lugar e significância! Ufa! A noite foi foda, e seremos eternamente gratos ao nosso couchsurfer por isso :-)

Jantamos por aqui, fino!

Jantamos por aqui, fino!

Entendem agora a diferença de ter couchsurfing? Conversas excelentes com pessoas locais, aprendemos mas muita, muita coisa sobre a Itália nessa noite. E sobre o Brasil também já que nosso couchsurfer tá praticamente indo morar lá em breve. É uma forma absolutamente diferente e oposta ao jeito brasileiro de fazer turismo, e isso ainda vai render post específico hein!

Enfim, acabamos voltando para Roma novamente só uma semana depois, mais ou menos. Após passar por Napoli e Sorrento na região da Campania, ficamos uns dias mais calmos na capital… ou não tão calmos assim.

Chegamos de trem às 21h, cansados, andamos meia hora com mochilas carregadas até o endereço do hostel. Não tinha placa na entrada, nada, nem um pedaço de papel no interfone. Conseguimos entrar com ajuda de um morador do prédio (o lugar é tipo um conjunto habitacional) e começamos a olhar porta por porta, andar por andar (12 no total)… dos dois prédios do condomínio. Nada de achar o albergue. Aí uma hóspede do lugar chega e fala “ah é ali, mas eu nem sei o nome também” e lá dentro, além de vazio e sem recepção, tinha uma placa “em caso de ajuda ligue pra tal número”… ligamos, e um sujeito do leste europeu apareceu falando que nosso albergue era outro, 5min andando dali, ficou bravo e ligou pro chefe dele quando reclamamos da bizarrice toda, falando que só podíamos ficar uma noite e não todas as reservadas, quis cobrar a mais da gente… puta zona absurda. Resumindo: pegamos nossas coisas e saímos pela região da ferroviária de Roma, lixeira total, às 23h procurando onde dormir!

Caímos no primeiro decente que achamos perto da praça Vittorio Emanuele, caro mas pelo menos seria nosso resgate. E que resgate! Descobrimos que quase do lado ficava a sorveteria Palazzo del Freddo, supostamente a mais antiga de Roma e uma das mais antigas da Itália! E que sorveteria é aquela rapaz… isso deveria ganhar prêmio! A noite foi amarga na cabeça e no bolso, mas pelo menos aliviamos com o sorvete maravilhoso dali, 2 euros que valeriam 2 milhões :-)

[do action=”dani”]incrível como uma viagem dessa muda a gente. Às 23h estávamos sem onde dormir, meia hora depois estávamos na boa tomando um sorvete maravilhoso. Simples assim :-)[/do]

Na manhã seguinte caçamos online um albergue pra ficar e achamos com disponibilidade parcial o Casa Rosa, lugar dos sonhos total. Se soubéssemos que eles existiam antes, teríamos ido direto pra lá. Mesmo com disponibilidade parcial mexeram na reserva duns americanos e conseguimos os três dias restantes no mesmo cômodo. O gerente do lugar é um amor de pessoa, ligado nos 220v e quando percebemos estávamos tomando um café por conta dele numa cafeteria na esquina e falando sobre onde iríamos e sobre nossa viagem. Ele ria e falava que nos odiava por ela. Praticamente tratamos ele como nosso couchsurfer, pra terem idéia. O lugar era excelente, bem cuidado, super limpo e o melhor: pequeno, ou seja, só três quartos então era quase cuidado diário pra gente. A região é super local, cheia de comércio pequeno e ruas de movimento típico de bairro, demos uma baita sorte de não cair num canto turístico.

Clichê, mas tínhamos que entrar no Coliseu :-)

Clichê, mas tínhamos que entrar no Coliseu :-)

Fizemos por conta, assim, parte do trajeto em Roma lá da nossa primeira visita. Dessa vez, porém, de dia, pra ver e sentir a diferença. As luzes nos lugares muda bastante, vale a pena fazer os passeios de dia e de noite. Particularmente prefiro de noite, as iluminações deixam tudo mais imponente. Como dessa vez tínhamos mais tempo por conta própria, fizemos tudo andando desde o albergue até o centro histórico, fórum romano e ruínas tudo por dentro delas. Um dos nosso lanches foi na subida do Monte Palatino, por exemplo, chique. Matamos o dia voltando na sorveteria Della Palma, que disseram ser bastante conhecida, e fomos pro céu com o sorvete muito bom deles por 3 euros a casquinha normal. Queríamos pegar de novo e de novo, mas a grana não deixou… gelato na Itália é fonte de despesa feroz.

Fim do dia na Praça Navona

Fim do dia na Praça Navona

Já tínhamos notado isso antes, mas pegando metrôs nesses dias reparamos na quantidade de gente que não paga transporte em Roma. À noite, pelo que vimos e nosso primeiro couchsurfer confirmou, ninguém liga e entra sem pagar mesmo e o motorista nem esquenta. Depois que a passagem subiu 50% (50 centavos) a galera parou de pagar e foda-se, algo assim. Nos metrôs vários pegavam carona no bilhete da frente pra passar na catraca larga. Quem diria… solução interessante.

No sábado eu, Caio, fiquei no albergue fazendo coisas digamos… hmm, mais mundanas, enquanto a Dani ia visitar o Vaticano. Cortar cabelo, ir no mercado, ver TV, essas coisas. Ela foi e voltou sozinha, sem se perder; e olha que o endereço do albergue era meio difícil, numa área bem legal mas com ruas não muito simétricas num mapa! Desafio de orientação e tanto pra ela, mandou bem.

[do action=”dani”]nossa, obrigada pela parte que me toca![/do]

Eu, Dani, recomendo fortemente a visita ao Vaticano, mesmo não para quem não é religioso. Uma vez que você chega lá, encontrar os pontos importantes não é tarefa difícil, pois desde a saída do metrô uma onda de turistas te carrega para a Basílica de São Pedro e para o museu do Vaticano (16 euros pra igreja vezes milhões de turistas por mês). A única dica, portanto, é ir preparado para ser bastante esmagado e para filas e mais filas.

O museu do Vaticano é enorme e composto por vários museus e pela Capela Sistina, que é a última atração do lugar. Eu demorei uma hora e meia visitando os museus antes de chegar até a Capela Sistina e preciso falar que fiquei impressionada com a perfeição de cada um deles. As coleções são bem grandes (…de repente você tromba com O Pensador!) e a arquitetura é incrível, eu saí de lá com torcicolo de tanto ficar admirando e fotografando tetos! :-P

A Capela Sistina é um espetáculo a parte, é realmente bonita como eu esperava, mas preciso dizer que é um pé no saco entrar e sair dela. Primeiro porque todo mundo diminui o ritmo quando chega perto de lá e demora-se uns 20 minutos pra conseguir entrar. Depois porque, uma vez lá, a cada 10 segundos você escuta o guarda gritando “no photos, no videos” ou “silence, please” no meio de uma muvuca de gente tentando tirar fotos escondido. Difícil de se concentrar, relaxar e curtitr o lugar.

No nosso último dia, domingão, fomos no parque. Programa típico também para os italianos ao que parece! Fomos novamente na Vila Borghese, um dos maiores, senão o maior, parque de Roma. Gigantesco. Estava praticamente lotado, cheio de gente fazendo pic-nic, crianças brincando, várias famílias naquelas bicicletas pra grupos e calor e sol forte. Não tinha como ficar melhor pra descansar ali, deu até pra tirar uma soneca depois de comer frutas e um sanduíche com cenouras, passamos o dia todo lá :-)

Laguinho na Villa Borghese, onde almoçamos pão e cenouras...

Laguinho na Villa Borghese, onde almoçamos pão e cenouras…

Roma mesmo só decepcionou na noite pra sair. Haveria um jogo de futebol da Itália e quase marcamos de ir ver com nosso couchsurfer e amigos dele, mas abortamos pra ir no bairro de Pigneto que era relativamente perto de onte estávamos. Pigneto é uma região restaurada que parece estar super cool e trendy etc e tal. Cheia de jovens e botecos e restaurantes novos. Fomos lá pra ter um jantar de despedida, mas acabamos comendo um sanduíche de porco assado ridiculamente seco e duro, onde serviam um vinho “da casa” que cheirava álcool de cozinha. E isso porque era sugestão de Lonely Planet… enfim, Pigneto é superestimado total, é meio feio e sujo ainda, não se desenvolveu totalmente, e não é porque é cheio de jovens alternativos que os restaurantes podem cobrar preços absurdos por comida simples que se encontra por metade do valor no centro. Pena…

Se fosse pra dizer alguns pontos inesquecíveis na cidade, seja porque adoramos cultura greco-romana ou seja porque é muito bonito mesmo, diríamos pra visitar: Fontana di Trevi, uma pornografia de escultura sem precedentes; palácio Vittoriano, meio clichê mas é tão único na paisagem e gigante que não tem como não babar; Villa Borghese, paraíso esquecido por muitos turistas; Praça Navona e dali emendando o Pantheon, vá lá e depois me diga se não valeu a pena. Tudo isso é inútil ver em fotos, por isso nem botamos muitas aqui. A dimensão das coisas ao vivo é indescritível.

Fontana di Trevi de noite é melhor que de dia, e com quase ninguém perto!

Fontana di Trevi de noite é melhor que de dia, e com quase ninguém perto!

Mas foi assim que vimos Roma, finalmente! Overdose de história e experiências em pouco tempo, mas foi divertido :-)

Pelo sul da Itália: Nápoles e Sorrento

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Não foi fácil decidir para onde iríamos na Itália além de Roma, nosso ponto de chegada e partida. Gostaríamos muito de poder ir para cidades famosas no norte da Itália, como Florença e Veneza, ou conhecer a região da Toscana, mas nosso orçamento não permitiu. Nossa viagem teria que ficar focada em cidades mais próximas entre si e que coubessem no nosso bolso, e as eleitas foram Napoli e Sorrento.

Napoli

Compramos a passagem para Napoli na classe econômica da Italo (NTV) por 20 euros por pessoa, pareceu quase pechincha pelo que estávamos vendo em outros lugares. O trem é de alta velocidade (variando entre 150 e 300 kilômetros por hora) e a viagem de 230 km dura somente uns 60 minutos! A qualidade impressionou bastante, além de ser confortável e pontual, eles tem wifi grátis dentro do trem. Isso mesmo, wifi dentro de um trem à 300 km/hora. Nada mal, como brasileiros estávamos mal acostumados :-)

Conforme o trem ia se aproximando da estação central de Napoli a vista do Vesúvio ia ficando mais animal e a curiosidade da nova cidade ia aumentando! Chegar em uma cidade nova é sempre uma sensação boa, de curiosidade e expectativa, a gente nunca sabe o que vai encontrar. No caso de Napoli, o que encontramos foi uma realidade muito diferente de Roma: trânsito intenso, lixo pelas ruas, muvuca e uma mistura cultural imensa.

Uma rua qualquer (típica) em Napoli

Uma rua qualquer (típica) em Napoli

Essa percepção tivemos logo que saímos da estação, mas confirmamos em nosso passeio no primeiro dia lá, quando caminhamos até o porto e voltamos pela Umberto I, uma das avenidas principais. Parecia que estávamos em São Paulo: camelôs por toda parte, vários idiomas sendo falados. Era o fim da Itália romantizada, aquilo era a Itália de verdade além do “pro turista ver”. Pra fechar o primeiro dia, decidimos experimentar a famosa pizza napolitana em uma pizzaria local bem pequena, próxima ao albergue.

[do action=”caio”]a busca por couchsurfers na Itália merecia uma novela, de tão enrolada e difícil… recomendo coragem[/do]

A massa deles é fofinha e saborosa, o recheio é gostoso mas modesto, sem exageros (bem diferente do Brasil). Só que achamos ela um pouco aguada. Nós provamos a marguerita, uma das opções mais baratas do menu, pagamos uns 4 euros, preço normal de uma pizza individual na cidade.

Como um dos nossos objetivos pra irmos a Napoli era subir o Vesúvio (falamos sobre isso neste outro post, clique aqui pra ler o relato da trilha subindo o vulcão), acabou sobrando somente o domingo para terminarmos de conhecer Napoli. Saímos para caminhar e a cidade parecia outra: deserta, quase ninguém na rua, comércio todo fechado.  O único lugar que encontramos pessoas foi em um centrinho distante, onde paramos para tomar um sorvete muito foda de bom, cheio de locais em família no lugar :-)

Museu arqueológico de Napoli, aprovado!

Museu arqueológico de Napoli, aprovado!

Acabamos andando mais pelo centro e chegamos ao museu arqueológico de Napoli, que é sensacional e foi uma boa surpresa pra gente num dia tão parado. Se você pretende visitar Pompéia, ou já a visitou, tem que ir nesse museu pra fechar com chave de ouro. As estátuas e esculturas que eles tem lá são excelentes, em grande quantidade. A coleção de mosaicos de Pompéia é muito bonita, assim como os afrescos que foram resgatados. Alguns bem coloridos ainda!

Pegos no flagra há 2 mil anos: "para, minha mãe vai ver a gente"

Pegos no flagra há 2 mil anos: “para, minha mãe vai ver a gente”

Antes de sair de Napoli, fomos correndo com mochilas e tudo comer uma última pizza antes que nosso trem saísse pra Sorrento. Achamos a pizzaria Da Michele meio que no acaso vendo o Lonely Planet (acho!). Parece que eles aparecem naquele filme Comer, Rezar e Amar. Enfim, o lugar tá aberto há gerações e faz fila pra entrar. Demos sorte de chegar antes do 12:00 e a italianada pro almoço não tinha entupido o lugar ainda. A pizza deles é a melhor de Napoli, fácil. Massa perfeita, tamanho enorme. Preço padrão de pizza, não tem como errar. Mas tem que gostar de pizza massuda, como todas as napolitanas… o que não é bem nossa preferência, mas hey! A pizza foi inventada em Napoli, então tem que dançar conforme a música :-)

[do action=”caio”]pizza romana fininha e crocante FTW![/do]

Fim de Napoli e da imagem de novela italiana romantizada na nossa cabeça. Napoli não tem nada de especial. Não gostamos do lugar não, sinto muito. A falta de couchsurfers piorou tudo também, não sentimos a vida local como poderíamos, talvez.

Sorrento

Fomos de trem local até sorrento, contornando toda a baía de Napoli pelo Vesúvio e além, até a pontinha de terra onde começa a Costa Amalfitana. Foi bem tranquilo apesar de lotado, todo mundo da região pega o trem local de boa, desde gente de mini-saia, roupa de praia, chinelão e perna de fora até o tio verdureiro, sem problema. Só os turistas de roupas em tons beges e khaki :-)

No meio do caminho, a partir da estação em Pozzano na real, dá pra ver o naipe das vilas mudando completamente. Da sujeira e bagunça mafiosa de Napoli tudo vira turístico e casa de boneca, impecável. Assim que se chega em Sorrento vê-se que é outro padrão, cidade fofinha e bem relaxante. Cheia de turistas andando na rua, sendo a maioria casais não tão jovens. De tarde fecha tudo, e vão reabrindo a cidade quando escurece. Os jovens do lugar mesmo ficam nos campings fora do centro, e foi onde acabamos achando uma cabine no maior e mais animalesco dos campings de todos os tempos. Ao menos pra gente :-)

Sorrento sua linda

Sorrento sua linda

Nossa cabine (30 euros pro casal a noite, camping Santa Fortunata) era o meio termo entre uma barraca e uma cama de dormitório, mas decente e a vista abrindo a porta de manhã era o Vesúvio, então tá valendo! Assim, 30 euros por uma cabine num campinha é sacanagem, mas a infraestrutura do lugar é absurda. Além de ser gigantesco e ficar numa encosta pro mar, lá é o paraíso pra ficar no meio da natureza mas perto da cidade. Numa voltinha por lá contamos pouco mais de 40 trailers estacionados. Tem que ser bom pra dar conta de tanto europeu exigente, eles não acampam pra cagar no mato ou tomar banho gelado.

Na noite, um Vesúvio pra chamar de seu

Na noite, um Vesúvio pra chamar de seu

Assim que chegamos fomos até o que eles chamam de praia, que nem areia tem, o que ajuda a entender a paixão dos gringos em ir pra praias no Brasil. Mais tarde fomos dar um passeio no centrinho super fofo e procurar um lugar pra lavar nossas roupas. Como não recuperamos muito do cansaço do Vesúvio ainda, tiramos o segundo dia em Sorrento pra vadiar e descansar mesmo, fomos no mercado e fizemos os maiores sanduíches que nossos estômagos poderiam comer, com café gelado e direito a pôr-do-sol na mesinha em frente a cabine!

Pegamos um dia todo depois pra visitar Pompéia, finalmente. É tão fácil e óbvio chegar lá que não merece muita explicação, a não ser em dizer que Pompéia a partir de Sorrento é bem mais rápido e prático que de Napoli.

Dentro de Pompéia a coisa começa pequena, e você ameaça ficar frustrado, mas aí o negócio desanda… é muito animal! O único porém é que faltou um museuzinho ali dentro, podiam até fazer uma grana extra com os artefatos que ficam empilhados nos cantos de uns armazéns dentro da vila. Dá pra ver uma coleção imensa de artigos e ferramentas que encontram nas cinzas, e alguns corpos “petrificados”. Quando eu, Caio, fui pra NYC na última vez pude ir na exposição sobre Pompéia e os itens que mostraram lá eram incríveis também mas não tinham na vila. Por outro lado ver uma pessoa “petrificada” é mais legal que ver em cast :-)

Destaques legais de Pompéia que não perderíamos se fôssemos você: o teatro piccolo, que é bem legal, e o coliseu deles, que é meio fechado mas é no final do caminho em Pompéia então fica bacana. Matamos o dia indo comemorar o dia dos namorados aí no Brasil em um restaurante bar bem simples, Song’e Napole, mas a comida era deliciosa. E dizemos deliciosa não porque era barata, mas era porque era boa mesmo.

[do action=”caio”]melhor pizza de aliche e espagueti ao pesto da Itália inteira :-X[/do]

Rua principal (e quase única para não-locais) em Sorrento

Rua principal (e quase única para não-locais) em Sorrento

Não cansaríamos das paisagens de Sorrento tão cedo, mas como somos duros e a cidade era alto nível demais, uma hora a coisa tinha que terminar. Voltaríamos pra cidade eterna nos dias seguintes, Roma!

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