Parada rápida em Valência

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Pra ser bem sincero não estávamos esperando muita coisa da nossa visita em Valência. A cidade é reconhecidamente pequena, e era uma parada rápida (nos nossos termos) de quatro dias até Madrid vindo de Barcelona. Era pra ser mais um pit-stop mesmo. Mas ficamos extremamente surpresos porque a cidade é pequena mesmo, mas bem bonita. Foram quatro dias bem aproveitados, apesar do calor do último andar do inferno com humidade no máximo :-)

Praia de Malvarrosa de noitinha

Praia de Malvarrosa de noitinha

Sentimos esse calor assim que chegamos, porque nosso couchsurfer estava fora da cidade e chegaria à noite. Como era domingo, achamos que dava pra ficar morgando no parque da cidade (spoiler alert! spoiler alert! esse parque é foda, mais sobre ele em breve!). Deu tempo até de assistir um filme no computador, quando não estávamos espantando as moscas que tem ali. E ali. E ali também. Em todos os lugares tem moscas acumulando em você. Nisso Valência nos lembrou o Egito, algo não muito lisonjeiro.

Tudo melhorou quando nosso couchsurfer chegou e descobrimos que (além de ser um pouco tímido por não falar inglês, mas bastante simpático) ele morava apenas 2 quarteirões da beira da praia, na região de Malvarrosa! Rá! Ele nos levou pra conhecer toda a marina de noite, que é realmente bonita, porém em número de turistas só dá pra comparar com Barcelona. Os preços das coisas eram visivelmente para britânicos pagarem em libras e não pra locais. No caminho vimos muitos artistas de rua e uns 3 construindo esculturas enormes de areia. Na real a praia toda é tão boa que passávamos parte do dia ali, não só porque tinha wifi grátis, e depois íamos pro centro etc. Olhando de longe o mar é idêntico ao de qualquer praia brasileira, mas com poucas ondas. O que muda mesmo é quão quentinha a água é, parece uma piscina levemente aquecida, é perfeito demais! Não parece nada de surpreendente num primeiro momento, mas com o calor que faz lá, não dava vontade de sair do mar, super raso por pelo menos uns 50 metros pra dentro d’água, incrível.

Outra surpresa valenciana foi a comida. Já tínhamos provado churros espanhóis (ou as porras calientes, como chamam) em Viladecans e Castelldefels, mas por insistência do couchsurfer provamos o que tinha perto da casa dele, na lanchonete de uma francesa. El Mundo de Katy, algo assim. Rapaz… aquele conseguiu ser o melhor mesmo. O churros na Espanha (ou porras, que é maior que o churros mas é a mesma coisa no fim) sempre é servido com chocolate quente cremoso, e diabéticos podem morrer só de olhar pra ele, mas é uma delícia de manhã cedo. Dani ficou louca e apaixonada por horchata, uma bebida feita de amêndoas, leite e canela, uma cópia descarada do sahlab árabe que tomamos no Egito mas bem mais leve e servida bem gelada. O sahlab é bebida de inverno, horchata é pro verão, digamos.

[do action=”dani”]a horchata em Valência é servida com fartóns, umas mini baguetezinhas doces bem leves que você molha na horchata pra comer e… ops, desculpa, babei![/do]

Não dava pra ir pra cidade onde a paella foi inventada e não provar a paella valenciana também né: a variação deles é feita com frango, coelho, um tipo de caracol, vagens, feijão branco e alcachofra. Escolhemos um lugar bacana perto da praia (meio caro, mas bem recomendado por fazer a paella na hora), e gostamos muito da qualidade, mas a variação de frutos do mar ainda vence! Pro azar da Dani não deu pra provar a tal Água de Valência, o drink deles feito com suco de laranja e outras coisas.

Atrás da catedral

Atrás da catedral

Reservamos um dia inteirinho para visitar a cidade velha porque ela é toda grudada nuns quarteirões distantes de onde estávamos, mas essa foi a parte decepcionante da cidade. Olhando no mapa parece tudo grande e cheio de atrações, mas na verdade é um ovo e dá pra conhecer tudo em 2 horas.

Centro de Valência

Centro de Valência

O Mercat Central é a parte que mais vale a pena, em alguns aspectos consegue sem esforço ser melhor do que o La Boqueria de Barcelona, principalmente por ter muito menos turistas. Não ouvimos inglês nenhuma vez lá, se serve de baliza. A parte de frutos do mar do mercado é impressionante, se gosta :-)

Mercat Central

Mercat Central

A melhor coisa de Valência, que é o que mais compensa a visita, é o parque do rio Turia e a Cidade de Artes e Ciências.

Essa foto não faz jus ao parque do rio Turia

Essa foto não faz jus ao parque do rio Turia

Várias quadras poliesportivas, skatepark com gente de BMX, parque de diversões, lagos, trocentos jardinzinhos e as pontes originais do rio, uns 29 km de ciclovia e ainda corta a cidade toda, ou seja, qualidade de vida acessível pra todos os pontos da cidade! Sério, foi tacada de gênio desviar um rio que alagava a cidade e no leito antigo fazer um parque super verde pela cidade toda. Eu diria que é da mesma categoria do Central Park.

Roda gigante saindo do meio do parque do rio Turia

Roda gigante saindo do meio do parque do rio Turia

No final do parque, ou seja, quase quando o rio original chega no mar, existe a CAC, que é a Cidade de Artes e Ciências, e motivo de piada pra qualquer um porque custou uma fortuna e ainda não se pagou depois de tantos anos. Fomos só pra entrar no planetário, só pra variar um pouco, mas chegando lá a surpresa foi tamanha que queríamos gastar todo o dinheiro indo nos museus e exposições e aquário e, e… e…

Acesso ao CAC em frente ao museu e espelho d'água

Acesso ao CAC em frente ao museu e espelho d’água

Puta que pariu, que lugar lindo. Absolutamente futurista, tudo. Arquitetura do CAC todo lembra cenários de Star Trek.

Jardim superior do CAC, topo do planetário na direita

Jardim superior do CAC, topo do planetário na direita

Pra compensar que não pudemos ir no Oceanógrafo, fomos pra um show do planetário que era sobre recifes, e não nos arrependemos. Bom, eu Caio preferiria ver um show sobre constelações, mas o The Last Reef sobre fundo do mar foi emocionante, tenho que admitir. O trecho inicial é de dar uma soluçadinha, comparando com cenas grandes cidades humanas e imagens de recifes ultra populosos.

Ágora e o Oceanógrafo no fundo, detalhe na escala da construção

Ágora e o Oceanógrafo no fundo, detalhe na escala da construção

Como não podia deixar de ser, em Valência ainda fomos pra mais uma experiência gastronômica! Nosso couchsurfer tinha um amigo uruguaio e outro brasileiro e fomos todos pra um bar de pintxos, que é meio difícil explicar o que é. Pense em bares que vendem “comidinha” e competem pra ver quem faz a “comidinha” melhor, mas essa “comidinha” é sempre do tamanho de um bocado, e pode ser qualquer coisa feita com ingredientes espanhóis. É extremamente delicioso porque se prova de tudo, e não é tão caro, algo como 1,50 cada. Não é como tapas que geralmente vem junto com a bebida, são um nível acima digamos. Parecem canapés, mas maiores e mais bem feitos. Parecem sanduíches, mas menores. Parecem torradas com algo em cima, mas muito melhor. Parecem chiques, mas nem são, são populares. Foi bem divertido e, claro, delicioso… pra lembrar bem de Valência!

Barcelona, e arredores na Cataluña

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Mal chegamos em Barcelona e já tivemos que sair da cidade! Estávamos loucos pra chegar na Cataluña, todos que já visitaram Barcelona nos recomendavam ela, mas nosso primeiro couchsurfer na região morava em uma cidade perto, Castelldefels. Lá ficamos durante o fim de semana, e a cidade até que é fofinha, pequena mas com uma praia enorme e calçadão cheio de turistas aparentemente endinheirados. Diz a lenda que é uma cidade onde vários jogadores do Barcelona e artistas tem casa…

Nosso couchsurfer foi bem simpático, fã de UFC e lutas com uma boa dose de TOC de limpeza e organização, nos levou pra um tour de meio dia por Barcelona pra estarmos acostumados com a cidade quando ficássemos sozinhos. Inclusive nos levou pra uma barraca de sandubas espanhóis em Castelldefels que rapaz… santas salsichas espanholas! Experimentamos morcilla, é claro, uma linguiça alemã genérica e o tal pincho moruno que é sensacional!

Barcelona!

Barcelona!

Em Barcelona mesmo fomos pra um albergue perto da Zona Universitária, por 4 dias. Foi ótimo pra descansar um pouco, mesmo sendo dormitórios com 8 pessoas e o prédio estando lotado de gente louca pra encher a cara e farrear. É fácil saber quem está na cidade pra gastar dinheiro: levanta às 5PM, sai às 10PM, volta às 7AM. Como conhecem a cidade com esses horários eu nunca vou entender, mas talvez conhecer os bares seja conhecer a cidade e eu não sabia :-)

Sagrada Família somente do lado de fora

Sagrada Família somente do lado de fora

Se bem que temos que admitir que conhecer Barcelona foi mais difícil que pensávamos. Tudo é muito caro, a cidade é abarrotada de turistas em todas as regiões em volta de “atrações” por assim dizer. Em bairros mais distantes, que andamos à pé, parecia uma cidade fantasma, mas um formigueiro no centro turístico. Some isso com os preços ridiculamente abusivos para entrar nos lugares e entende-se como é uma cidade tão rica.

Mar de gente na La Rambla

Mar de gente na La Rambla

Por exemplo, para andar naqueles ônibus turísticos? São 3 linhas, cada uma é 26 euros. Sagrada Família? Outros 14 euros. Estádio do Barça? Mais 23 euros. Pra entrar na Casa Batlló do Gaudí? Pra adultos, 20 euros cada. Teleférico de Montjuïc? Mais 10 euros. E isso são os lugares mais óbvios e clássicos pra visitar. Se quiser conhecer mais ainda a cidade, vai somando e não pare! É ridiculamente caro se comparada a qualquer outra cidade européia turística! É o lugar mais caro pra turistas na nossa viagem, até agora, fácil. O pior é que é tão cheio de gente que não faz sentido cobrarem tanto, a não ser pelo fato que sempre tem algum gringo disposto a pagar o que for, afinal está em Barcelona… uma pena, tivemos que conhecer a cidade do lado de fora dos lugares. Ah, mas dá pra conhecer sem entrar em nada? Claro que dá! E foi bastante divertido :-)

Parc Güell

Parc Güell

Pegamos um dia pra andar pela cidade toda, do leste ao oeste até a frente da Sagrada Família, e ir vendo prédios do Gaudí. Vimos a Casa Vicens que ele construiu, sem turista algum porque é isolada no meio dos bairros e porque a visitação é proibida (é propriedade privada). Fomos andando também até o topo do Parc Güell, da onde se pode ver a cidade inteira lá embaixo, até o mar. Vista muito bonita, que acho que só perde pra vista do alto do bunker, ali perto, mas que acabamos não visitando.

Mercadão La Boqueria

Mercadão La Boqueria

Andar pela La Rambla é fantástico, é muito bonita e ponto de acesso pra outras dezenas de lugares interessantes, como o Bairro Gótico, a catedral e La Boqueria, o mercadão municipal deles. O único problema da La Rambla é o mesmo da cidade como um todo: a quantidade absurda de turistas. Sério, não é implicância, juro. É um mar de gente que não tem fim, acaba perdendo o charme um pouco, mas vale a pena.

Centrão perto das galerias de artes do Bairro Gótico

Centrão perto das galerias de artes do Bairro Gótico

O mesmo vale pro Bairro Gótico, que é bonitoso pelos prédios históricos e bem antigos, mas é mais bairro que gótico se é que me entende. Ah, em dias de semana parece ter um mercado de pulgas em frente a catedral que merece uma visita, fomos no sábado e numa segunda lá, então não sabemos exatamente se tem em outros dias.

Passeio pelo bairro gótico no fim do dia

Passeio pelo bairro gótico no fim do dia

Andar pela orla de Barcelona também é um baita passeio. A cidade é abarrotada de parques, grandes e pequenos. Alguns deles ficam na orla ao leste do porto e marina, onde ficam as praias. Foi longo o passeio ali pelo calor infernal e humidade no limite, mas a praia parecia muito boa. Infelizmente não fomos pra praia lá :-(

Fonte do parque central, Ciudadela

Fonte do parque central, Ciudadela

Falando em parque, o Parc de la Ciutadella é incrível! Acho que fomos lá umas três vezes, pra fazer picnic, passear, e até tirar uma soneca e filar um wifi grátis. O centro do parque tem uma fonte muito bonita que o Gaudí ajudou a fazer aparentemente. O melhor do parque também é que saindo por um lado se tem a praia, por outro o Bairro Gótico, e se bobear sai de frente pra uma passarela longa e muito bonita com o Arco do Triunfo da cidade, lindíssimo. Acho até que é mais bonito que o de Paris…

Arco do Triunfo de Barcelona

Arco do Triunfo de Barcelona

Como estávamos há mais de 1 semana em Barcelona, resolvemos dar uma abusada e nos inscrevemos em um aula “show” de culinária pra aprender a fazer tapas, sangria e paella. Foi 19 euros por pessoa e acho que valeu a brincadeira, embora não ache que foi uma aula propriamente. Foi excelente pela quantidade de bebida e comida de ótima qualidade que tava incluída, e ver o cara fazer uma paella de frutos do mar enorme na minha frente do começo ao fim foi animal! Repetirei em casa, no Brasil, cof cof. As tapas ficaram muito boas, especialmente pelo presunto pata negra que comi até cansar, e a sangria da Dani que tava sempre sendo reposta :-)

Mas pra não parecer reclamões, o transporte em Barcelona e nas cidades em volta é impecável e quase perfeito. Integrado com bonde e ônibus e com trocentas linhas e trocentas estações com trens passando em média a cada 3 minutos. Sério, se não fosse o metrô seria impossível aqueles turistas mais apressados conhecerem a cidade em um fim de semana só. Nos 9 dias ali pegamos alguns passes T10, que são 10 viagens com preço reduzido (10 euros no total), e elas incluem também os trens metropolitanos, bem chiques e com 2 andares que servem cidades dentro da zona metropolitana principal. Vale muito a pena.

Ruazinha de Sitges

Ruazinha de Sitges

Foi nesse esquema inclusive que fomos até Sitges em um passeio de um dia fazer picnic na beira da praia e ver as ruazinhas da cidade. Não resistimos nada e gastamos uma grana comendo torrones espanhóis numa chocolateria lá. A cidade é vista como uma mini Ibiza e parece ser bem solta, leia-se gay friendly. Mas um dia só com muito calor e pouco dinheiro não foi suficiente pra conhecê-la direito eu acho. Enfim, com o mesmo trem fomos pra Viladecans, onde ficamos outros 3 dias com um casal muito simpático e cheio de amigos do couchsurfing.

Viladecans é uma cidade bem pequena, quase vila, mais próxima de Barcelona que as outras que vimos e ficamos, mas é bem pacata. Nossos couchsurfers viviam relativamente no centro e perto de um parque de cachorros muito legal. Todo dia lá pelas 8 íamos pra lá levar os 2 cachorros deles pra passear e encontrar os amigos de focinho deles, um grupo de umas 6 ou 8 pessoas muito gente boa. Foi bem divertido ficar com eles, fomos até num show de mágica numa espécie de cabaré com todos no sexta à noite, fechado com muitas tapas baratas de madrugada, no centro, é claro :-)

Acordar na casa deles era sempre engraçado. Cada dia um cachorro diferente veio fazer graça, quando não era a Aria, a furão fêmea que eles tem e por quem me apaixonei perdidamente! Acho que nos dias que ficamos lá eu tinha praticamente só o cheiro dela nas mãos, de tanto que brincávamos. Eles tinham também uma cobra píton que não gostava muito do cheiro da furão. Inclusive vimos ela ser alimentada com ratinhos, hmm. Além desses bichos eles ainda tinham 2 lagartos dragão amarelos, cucas frescas que não ligavam pra nada.

Se não fosse por esse casal de Viladecans nossa experiência com couchsurfing na Cataluña teria sido meio sem sal. Pena mesmo foi ter ficado tão pouco tempo ali, mas os dias no albergue no centro de Barcelona não foram nada maus também, é que é outro mundo poder cozinhar pra amigos (lasanha de beringelas e abobrinhas parecem horríveis de olhar, mas ficam boas!) e conversar sobre planos em comum. Eles estão indo pro Kenya e adoraram ouvir nossos planos pro Nepal, quem sabe não se animam sobre os tickets RTW que mostramos pra eles ;-)

Visitando Avignon e Arles na Provença

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Chegamos em Avignon num dia de sol forte que prometia derreter a gente. Nosso ônibus parou do outro lado do rio Rhône, na cidade nova, e tivemos que cruzar suando muito duas pontes sobre o rio e o centro de Avignon até chegarmos no nosso couchsurfer. Até lá deu pra ver bem o desenho da cidade, é um antigo feudo com burgo mesmo, com canais ou rios em volta, um muro largo e alto que contorna a cidade toda, e uma colina com castelo no centro. Voltamos pra Idade Média :-)

Fortaleza de Avignon no centro

Fortaleza de Avignon no centro

Uma coisa boa de Avignon e outras cidades francesas turísticas é que existe wifi grátis quase em todo canto por uma parceria da SFR e da Fon, que faz o Fonera. Se tiver como, arrume um usuário e seja feliz conectado em todo canto, e em Avignon não foi diferente.

Logo que escureceu nosso couchsurfer quis dar um rolê pela cidade, que é minúscula, pra vermos como era. Andamos em zigue-zague pelo centro e fomos até o castelo, onde ele mostrou de longe a montanha que tem uma vila onde a mãe dele ainda mora. Fechamos indo no Utopia, um tipo de bar alternativo que tem um cinema independente ou meio hmm… utópico, e só passa coisas regionais parece. E tivemos nosso primeiro nojo: jantamos num boteco chinês tremendamentme imundo, com pratos sujos sendo servidos e tudo…

Região do nosso couchsurfer, a entrada era pelo beco detrás

Região do nosso couchsurfer, a entrada era pelo beco detrás

Nosso couchsurfer vive num quarto e cozinha, mas foi incrível por insistir que dormíssemos no quarto dele e ele ficaria no chão da cozinha. Em troca limpamos o apartamento dele uma tarde e ele ficou todo sorrisos até irmos embora :-)

Quem não tem janelas caça com quadros delas

Quem não tem janelas caça com quadros delas

Avignon é bonita, mas tem cara de destino caro pra gente chique. Andamos por dentro e fora dos muros, pelo centro todo, de dia e de noite, e talvez fôssemos os menos endinheirados. Se bem que faltou mesmo dinheiro pra roda gigante que devia ter uma vista linda, pena. Acabamos nem indo na tal ponte famosa da cidade, a inacabada, é ridícula demais pra tanto! Cobram 13 euros para andar numa ponte pela metade, curtíssima, só porque é medieval. Eu adoraria ter ido nela pra ver, mas acham que temos cara de idiotas.

Uma das passagens pra entrar na cidade pela muralha de pedra do castelo :-)

Uma das passagens pra entrar na cidade pela muralha de pedra do castelo :-)

Já na região central onde fica o castelo tudo é muito bonito. Lá no alto tem um parque bem aconchegante com visão quase completa da cidade, a iluminação dali é bem bonita e de noite sempre tem algum músico perto e lá embaixo na entrada da praça tem um carrosel simplesmente lindo, bem decorado, de contos de criança mesmo. Ali inclusive tivemos nosso jantar romântico na França! Mariscos, batatas e pato au poivre, enquanto um coral de velhinhos cantava na mesa do lado aparentemente comemorando alguma coisa :-)

Owwnnn

Owwnnn

Decidimos fazer um bate e volta em Arles, uma cidade mais ao sul do rio Rhône, coisa de 20 minutos de trem de Avignon (7 euros por pessoa para cada trecho). Se tiver a grana vale a pena, Arles é bem mais jeitosa que Avignon e parece um pouquinho mais turística “para as massas” porém ao mesmo tempo mais autêntica. A cidade tem trilhas de rua pra fazer, e quando soubemos que Van Gogh morou lá e vários dos quadros são locais de Arles… hooray! Batemos perna pela trilha dele vendo os lugares das pinturas o dia todo.

Café que o Van Gogh pintou

Café que o Van Gogh pintou

Não achamos a Casa Amarela, mas pela localização foi destruída e hoje é um comércio. O tal Café à Noite da praça é tão fácil de achar e famoso que hoje tem o nome do Van Gogh, e todos querem tirar uma foto ali é claro. Mas é muito legal! Fomos andando até mais pro subúrbio tentar achar o Antigo Moinho, mas sem sucesso. Jardim Público foi fácil achar mas eu não lembrava ou nem conhecia o quadro e fiquei perdido com o ângulo pra tirar uma foto parecida.

A travessa de pedestres, bem menos futurista que no quadro...

A travessa de pedestres, bem menos futurista que no quadro…

A travessa de pedestres, que no quadro parece futurista, é bem banal hoje em dia. Dá até tristeza ver os carros passando numa ponte tão feia. A orla do rio é bonita mesmo e dá pra ter uma idéia do Noite Estrelada Sobre o Rhône, mas estávamos de dia né, então ficamos com um picnic ali na beira com direito a queijo rústico francês e tudo. Cof cof, chique, cof cof.

Hospital onde o Van Gogh foi internado pelo orelhacídio

Hospital onde o Van Gogh foi internado pelo orelhacídio

Hospital de Arles onde ele ficou internado e pintou o pátio é massa! Bem movimentado com cafés e restaurantes e várias lojas de souvenires, dá pra ver bem como é o original. O que deu trabalho mesmo foi a Ponte Langlois onde Van Gogh pintou as lavadeiras e a própria ponte outras vezes. Tivemos que andar bem além da trilha demarcada já que ele marcava só até uma ponte nada a ver. Dali ainda eram outros 30 minutos andando pra fora da cidade na borda de uma rodovia. Foi bacana pela paisagem diferente, mas morremos de cansaço. A recompensa? Me diz se valeu a pena, eu fiquei emocionado na hora :-)

Ponte Langlois! Um dos melhores quadros do Van Gogh, finalmente!

Ponte Langlois! Um dos melhores quadros do Van Gogh, finalmente!

Arles tem vários monumentos romanos também, incluindo uma arena tipo o Coliseu de Roma mas em escala menor. Por ser no meio do nada (embora antigamente a região fosse importante militarmente), a arena é bem foda, bem localizada e a preservação dela é incrível, mas pra quem entrou no Coliseu fica difícil comparar e não vimos motivos pra pagar a entrada, só vimos em volta por fora. Idem pras outras ruínas romanas da cidade.

Ruazinha de Arles com a arena romana no fundo

Ruazinha de Arles com a arena romana no fundo

A única coisa ruim da região de Avignon e Arles foi termos encontrado, e dividido o sofá do nosso couchsurfer por 2 dias, com 2 freeloaders, ou seja, gente que usa o couchsurfing só pra economizar e não pra ser viajante e interagir. Casal de britânicos na casa dos 20 anos, bem porra louca meio hippies sujos estudantes de teatro, nem nosso couchsurfer foi muito com a cara deles. Mas não precisamos aturar muito já que Avignon e Arles agora eram passado, tempo esgotado e rumo a Espanha!

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