“Queria saber o que estão pensando agora”

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Resposta simples: dá uma olhada e ouça as músicas que botamos numa espécie de rádio da nossa viagem, talvez ajude a entender o que estávamos, estamos, e o que estaremos sentindo muito em breve. Cada música tem um motivo pra estar ali, na lateral do site, são todas nossas favoritas por algum motivo bem especial.

Thunder Road, Bruce Springsteen
Dog Days Are Over, Florence and The Machine
Roll Away Your Stone, Mumford & Sons
Absolute Beginners, David Bowie
Dancing in the Street, Bowie David
Sea Of Love, Cat Power
Tree Hugger, Antsy Pants
Upside Down from Here, Atom and His Package
Falling in Love, NOFX
Champs Elysees, NOFX
Don’t Worry Be Happy, Bobby McFerrin
Sunday Morning Coming Down, Me First and the Gimme Gimmes
You’re Wrong, NOFX
No Ceiling, Eddie Vedder
Rise, Eddie Vedder
Society, Eddie Vedder
Guaranteed, Eddie Vedder
O Vento, Los Hermanos
La Mer, Charles Trenet
Freedom, Yothu Yindi
Adagio, Albinoni
Autobahn, Kraftwerk
Around The World, Daft Punk
Rebels of the Sacred Heart, Flogging Molly
The Son Never Shines, Flogging Molly
If I Ever Leave This World Alive, Flogging Molly
Expressway to Your Heart, Blues Brothers
No Particular Place to Go, Chuck Berry
Walk Like An Egyptian, Bangles
Leaving on a Jet Plane, Frank Sinatra
I’m Gonna Be (500 Miles), The Proclaimers
Living La Vida Loca, The Toy Dolls
Hakuna Matata, Lion King
Make Your Own Kind of Music, The Mamas & the Papas
Shine, Laura Izibor
Vienna, Billy Joel
Homeward Bound, Simon & Garfunkel
Forever Young, Bob Dylan
Crazy, Me First and the Gimme Gimmes
Much Too Young (to Feel This Damn Old), Me First and the Gimme Gimmes
The Cave, Mumford & Sons
Highway 101, Social Distortion
Stars, Les Miserables
Live Before You Die, Social Distortion
One More Hill, Greg Graffin
Hay un amigo en mi, Gipsy Kings
Everybody’s Changing, Keane
Sin ella, Gipsy Kings
Luzeiro, Almir Sater
Flowers Are Pretty, The Vandals
Alright, Super Grass
The Final Countdown, The Toy Dolls
So Long, Farewell, The Vandals
A Walk, Bad Religion
Better Things, Marky Ramone
Blind, Face to Face
Because You’re Young, Cock Sparrer
We’re Coming Back, Cock Sparrer
I’m On My Way, The Proclaimers
Cool Kids, Screeching Weasel
O pastor, Madredeus
Bicho De 7 Cabeças, André Abujamra
Ouro De Tolo, Raul Seixas
Wake Up, Arcade Fire
As ilhas dos Açores, Madredeus
Always Look On The Bright Side Of Life, Monty Python
Viva la Vida, Coldplay
O Trenzinho Caipira, Kraunus Sang & Maestro Pletzkaya
Velha e Louca, Mallu Magalhaes
Shake It Out, Florence and the Machine
O Conforto dos teus Braços, Rita Ribeiro
Eat the Meek, NOFX
On the Road Again, Willie Nelson
Perhaps Love, John Denver
The Galaxy Song, Monty Python
Trans Europe Express, Kraftwerk
Rubber Biscuit, Blues Brothers
Festival, Sigur Rós
Bring Him Home, Les Misérables
After You’re Gone, The Proclaimers

Um nerd no mundo: infraestrutura da viagem

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Antes de começar a ler esse post (terrivelmente longo!), saiba que muito do que vou falar pode parecer outra língua ou bizarrices que nunca ouviu falar. Sabe como é. Afinal, se você clicou pra ler o post é porque se interessa minimamente pela parte técnica de uma viagem RTW: como diabos farão com eletrônicos, dados, mídias etc em todo canto do mundo?

Senta aí e leia o retorno do investimento da Dani em casar com um nerd.

office-space-photo

Setup RTW

Abaixo segue anotações do que eu fazia questão de fazer pra viagem, e o que acabei utilizando, como, onde e tal. Claro, algumas coisas eram dispensáveis, outras poderiam ser mais simples, mas…

Notebook: vamos usar o netbook HP Mini da Dani, ele é velhinho (2 anos) mas quebrará um galho porque não é grande como um notebook, tem 10 polegadas e pesa só 1.5 kilos. Não é muito poderoso, mas desde que a bateria ou recarregador não peça água durante a viagem estaremos bem.

Linux: matei o Windows que tinha na máquina e botei um Debian versão Wheezy (explicitamente configurada, porque acho que sairá oficialmente durante a viagem e posso querer alguma atualização de segurança quando tiver banda disponível). Testei o Gnome, Cinnamon e o Mate como desktops. XFCE eu já dava ok prévio então ficou como fallback deles. Gnome infelizmente fica inviável, a Dani não ia se acostumar e tem firulas demais (i.e. fica lento). O mesmo serve pro Cinnamon, que é mais enxuto mas ainda tem firulas e efeitos que não precisamos. Sobrou o Mate, que é um Gnome mais antigo mas mantido direito. Tem cara de Windows pra Dani e é estável. Plin plin! Salvei o get-selections do dpkg pro caso de algum desastre.

Backups: minha maior preocupação desde o primeiro dia de planejamento. Sou paranóico desde que perdi arquivos anos atrás com um disco que morreu. Parte da minha paranóia eu resolvi me desapegando mesmo, a outra parte resolvi com múltiplas cópias de coisas importantes. Entre todas as idéias que tive acabei ficando com usar o Unison, um programa bem legal, com linha de comando e interface, pra sincronizar arquivos entre pontas (remotas ou não). Basicamente usa rsync por baixo, e é bem espertinho, a criação de profiles é bastante simples e a documentação decente. Por baixo usarei EXT4 com sync e outros ajustes de tune2fs e montagem. Uma regra de udev detecta se algum disco foi plugado e abre o Unison pro sync manual (pra evitar merdas), além de um cronjob me lembrando pra rodar ele de tempos em tempos. Um outro comando, manual, dá um start com nohup em um upload pro Glacier da Amazon, sempre que eu sentir necessário.

Hosting: nenhuma novidade aqui, continuo com o Dreamhost desde 2004, acho, ou 2005. Disco e banda ilimitados, sem muitas perguntas e com histórico de suporte bom. É onde o site e tudo o que eu tenho está hospedado e onde botarei uma das cópias dos backups.

Storage: fazendo uma conta de padaria rápida, cheguei ao número de mil fotos por mês na viagem. Parece muito ou pouco? Acho muito até. Minha teoria é que em viagens curtas você abusa mais, bate mais fotos, leva mais roupas. Aproveita de forma mais intensa. Na RTW é o contrário, não queremos tirar foto de qualquer merda, vamos aproveitar, sem ficar carregando tralhas em qualquer caminhada. Mesmo assim, pensei em usar um storage em nuvem, Amazon Glacier, pra ser mais uma cópia do que estiver no Dreamhost: backup do backup. Por enquanto estou investigando os preços e fazendo testes. O que é certo é que usarei o Unison pra sincronizar o netbook com um WD My Passport de 1 tera (mais proteção rugged, o WD Nomad) e esporadicamente com o Dreamhost um pendrive de 64GB bem pequeno que comprei já na viagem e sempre tá dentro do meu passaporte.

Eu ficaria puto se perdesse imagens da viagem. Mas eventualmente isso vai acontecer.

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Plugins: tentei ao máximo não carregar o WordPress do site com muitos plugins, mas ficou difícil usar menos que esses. AddThis Social Bookmarking Widget: poderia usar os códigos e botar manualmente, mas acho que não faria muita diferença, é pros botões de compartilhamento dos posts basicamente. Advanced Browser Check: pra dar um aviso pros que tão com IE não reclamarem de estar tudo feio no site. Disable WordPress [Core|Plugin|Theme] Updates: que habilito somente quando sai atualizações de segurança, pra evitar algo quebrar no site enquanto estamos sem internet e longe. Disqus Comment System: pra não me preocupar com spammers ou moderação nem login das pessoas, podem comentar a vontade por redes sociais que tá beleza. Header Slideshow: que pretendo integrar com código meu depois direto no tema do site, pra ter os slides de imagens no topo das páginas, atrás do título do site. Leaflet Maps Marker: pra gerenciar os mapas da viagem e criar camadas de sobreposição deles aqui. Online Backup for WordPress: o mais simples e funcional que achei, tem limitações (envio de backups por e-mail é tudo ou nada, blé) mas parece ok, espero não precisar usar. Q and A: pra manutenção do FAQ do site, o mais simples que achei. Shortcodes Pro: só pra poder ter aquelas caixinhas com nossos ícones no meio do texto um do outro, como comentários. Twitter Widget Pro: pra listar nossos posts no Twitter ali na lateral. WP Quadratum: pra ter um mapinha com os últimos checkins da Dani no Foursquare. Youtube Feeder: pra embutir os vídeos que acabarmos fazendo na viagem ali na lateral. Widgetize Pages Light: pra poder usar os widgets do Twitter, YoutTube e Foursquare dentro de páginas e posts, não só na lateral do site.

Temas: queríamos um tema que parecesse algo de bloco de anotações, guia de viagem, diário sei lá, algo assim. O melhorzinho foi o Notepad do Nick La, que até que é pequeno, sem muita coisa afrescalhada e fácil de editar. Em algumas páginas eu botei manualmente códigos pra redes sociais ou pra carregar a rádio do Grooveshark.

Controle de versão: todos nossos arquivos importantes ficarão em múltiplos backups, mas a estrutura do site, documentos nossos, nossas planilhas de controle de custos e planejamentos, bem como scripts que acabei fazendo pra X coisas, fica em um repositório Subversion também no Dreamhost, tudo versionado. Inclusive acabei até versionando os documentos do Pages com nossas propostas de patrocínio que fizemos. Sem isso acho que seria meio tenso e bagunçado organizar tudo, principalmente o site com tanta modificação que fiz manual em estilos e imagens. Isso junto com o get-selections do dpkg permitiria recuperar tudo caso precisássemos de um netbook novo no meio da viagem porque o nosso morreu.

Apps de celular: o fantástico Theodolite, um app qualquer de lanterna e outro de conversão de unidades, um app pra Twitter, Facebook e Google Plus, Skype e o app do WordPress pra emergências. Tô levando o 1SE que parece bem legal pra aproveitar na viagem, app do CouchSurfing e Hostel World, além do My World Weather (que falaremos melhor em outro post sobre previsão do tempo na viagem). Embora não pretendemos ficar online muito tempo, vou usar o Wi-Fi Finder da JiWire que tem banco de dados offline e o Free Zone pra, cof cof, bem emergências. Star Alliance Navigator e Star Alliance FareFinder por ser o consórcio que usaremos pra procurar passagens e ter milhagem. Também o AutoStitch, e claro, os básicos do Google pra sobreviver por aí, menos o Google Maps que além de ser online hoje em dia é super lento. No lugar tenho usado e gostado muito do Galileo que usa o OpenStreetMap por baixo.

Truques gerais: aliases de shell pra fazer sync com iPhone e Android de forma simples, aliases de shell pra atualizações do site, sistema e afins, chaves SSH, aplicativo pra editar vídeo, áudio e imagens, alertas pra backups de tempos em tempos etc. Parafernalia mesmo.

Firulas

Aqui vão algumas coisas que pesquisei e queria ter preparado a tempo, mas que não deu ou ainda estou investigando se vale a pena e como fazer direito num contexto com redes ruins em lugares com pouca infraestrutura ou simplesmente falta de saco :-)

Animoto: a idéia do Animoto ainda tô vendo se vale a pena, ele é um serviço de criação de vídeos online a partir de fotografias ou clipes curtos de vídeo que você já tenha em algum serviço a parte ou no computador. Pareceu uma forma bastante prática de criar vídeos no YouTube a partir de um punhado de fotos. Famílias e amigos iriam gostar e teríamos trabalho quase zero. Mas custa né… e acabamos desistindo e nem usando.

GPS (tracking): tentei comprar fora do país o Spot Satellite GPS Messenger, um tipo de tracker. A idéia inicial era eu ter feito um mini-app web que checaria um lock no servidor semanalmente, se eu não pingasse esse mini-app no tempo ele removeria o lock e dispararia um envio de e-mail, SMS e mensagens pra pessoas determinadas com nossa última localização etc etc etc. Comecei a fazer e fiquei com preguiça quando vi o Spot, que é um GPS pequeno, com alta duração de bateria (o que dura mais que eu vi na pesquisa toda), super simples, com integração com Google Maps num portal dele e com o mesmo suporte a “modo de emergência” que eu havia pensado. Pô, legal né? Seria muito, se tivesse conseguido comprar… no fim das contas fiquei sem as duas soluções, e que se dane se tivermos um acidente né… podem chorar a vontade porque fui pouco paranóico :-)

Segurança: dei uma pesquisada pra ver se não valeria a pena ter uma VPN sempre disponível no netbook, pra dar um senso maior de “liberdade” e poder sempre sair pra Internet como de um país só, não tendo problemas de coisas não abrindo ou funcionando. Inicialmente iríamos pra China, por isso a idéia, mas no fim não ia ser tão necessário e abortei, deixando somente um Tor com Privoxy no netbook pra quando fosse fazer algo além de simples navegação pra matar o tempo (já que via Tor tudo fica mais lento e nem sempre terei banda disponível).

Ufa! É isso. Meio exagero mas é isso. Acredito cegamente que metade disso é paranóia nerd, mas não pude evitar. Não pretendo transformar minha viagem na viagem dos outros, não tirarei tantas fotos ou ficarei no celular assim, mas quis pelo menos poder fazer isso, caso desejasse.

Coisas que ficam para trás…

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arvore

Muita coisas ficam para trás em uma viagem RTW, afinal não tem como dar uma volta no planeta todo sem simplesmente esquecer da sua vida anterior. A lista de coisas pode ser material, emocional, grande, longa, enfim. Varia de pessoa pra pessoa, naturalmente.

Para mim, Caio, tentei deixar para trás o mínimo de segurança para quando voltássemos; sim, embora muitos duvidem, nós voltaremos, eventualmente. Procurações para tomarem conta de nosso apartamento, nos ajudarem com bancos e até com burocracia das faculdades já que saímos do Brasil pouco tempo antes de recebermos nossos diplomas. Até nossas plantas, que simplesmente adoramos, vão ficar bem cuidadas por alguém. Nossas contas de condomínio etc, idem. Nossos móveis que compramos pensando a longo prazo vão ficar. Nossos livros vão ser abandonados. Nossas roupas, doadas. Tudo fica para trás, menos o que cabe em uma mochila.

Sair do trabalho foi mais complicado que eu esperava, me senti mal em deixar pra trás um pessoal tão bom e um ambiente tão legal e estimulante (após algum tempo me fodendo por aí). Eu jurava que não sentiria falta do trabalho, mas me enganei, gostaria de um dia até voltar pra lá. Coleguinhas, vocês sabem quem vocês são :-)

As nossas coisas materiais mesmo não foram problema. Fizemos bazares, doamos muitos itens pros porteiros daqui do prédio etc, foi fácil. Nossos pais toparam dividir as caixas de coisas pra guardar inclusive, facilitou um monte as nossas novas vidas, e que bom que eles tinham espaço pra acumular tanta caixa de papelão. No início pensamos em alugar um contâiner para deixar tudo lá, mas não sentimos segurança nas empresas que fazem isso aqui. Infelizmente a cultura do “self storage” americana não colou ainda no Brasil. No fim das contas, pais são sempre mais confiáveis.

Pelo lado emocional, e até psicológico, ficam nós mesmos. Uma RTW não é algo ao qual sua personalidade sobrevive, sinto muito. Sabemos que o Caio e a Dani que irão voltar não são os mesmos que saíram. A enorme quantidade de despedidas que tivemos foi maior do que as de conhecidos que foram morar fora do país até, mas faz sentido, eles continuarão os mesmos, nós não. De certa forma aproveitamos pra nos despedirmos da gente mesmo, até cansar.

Na realidade, tudo pode dar tão errado que precisaremos voltar dentro de alguns poucos meses, sei lá, e aí sim voltamos nós mesmos, mas absolutamente frustrados. É uma possibilidade real… mas à princípio seremos completamente diferentes em questão de valores depois de quase um ano mochilando. Meu medo não é voltar diferente desse jeito, meu medo é voltar antes da hora, só isso.

Minha natureza mais ou menos estóica facilitou um bocado pra mim, acho. Não sei pra Dani. Ter na sua cabeça a certeza que tudo um dia perderá seu valor, tudo um dia vira pó e que é mais uma questão de como você aproveita as coisas e não como se recorda delas, às vezes triste em um quarto. Isso ajuda bastante dentro de você. Dito isso, se parar para pensar bem, praticamente nada fica para trás, afinal esse medo todo está só na sua cabeça. O mundo não se importa.

O que fica enfim são as nossas famílias, fantásticas, e amigos, que nos apoiaram em tudo, absolutamente. Todos esses nós vemos em breve :-)

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