O que não te falam sobre o Egito

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Post rápido! Guia de sobrevivência no Egito pra quem já tá embarcando:

    1. privadas, além de sujas, sempre tem um caninho fino torto e enferrujado dentro, às vezes saindo pra fora, sempre apontando pro seu rabo… é o jeito deles de ter bidê, cuidado :-)
    2. barganha-se por tudo, sempre, em qualquer lugar… até a coisa mais barata tem barganha, o truque é sempre chutar o balde e pedir 50% do valor original (ainda assim pagará mais caro) e ir negociando, comprando múltiplos itens etc, e nunca mostre quanto você tem, senão já era
    3. não faz diferença mulheres usarem lenço pra mostrar respeito, chama mais atenção ainda e muitas caras de WTF, ou se usa o kit completo de manga comprida, calça, sapato e lenço, ou se anda normal mesmo e acabou
    4. russos estão em todos os lugares no mar vermelho, tanto que Hurghada é dita ser uma mini Moscou, até lojas tem nomes em cirílico e egípcios falam russo lá
    5. as praias no Egito são bem feias, areia grossa na maior parte e sempre bem suja, porém o mar é bonito… tanto o mar vermelho quanto o mediterrâneo tem cores bem legais e não são gelados
    6. couchsurfing é extremamente complicado aqui, é uma forma fácil dos desempregados ganharem um troco como guias de mochileiros, fique esperto e desconfie sempre de alguma “cortesia”
    7. tem wifi grátis e relativamente bom em qualquer albergue, do mais simples ao mais chique, fique tranquilo que Egito é bem online
    8. 3G funciona até no meio do deserto, chega a ser impressionante a qualidade dos sinais de telefonia e dados aqui, além de baratos (100 pounds pra 1GB de dados e 1.000 minutos)
    9. egípcios de todas as classes e idades são porcos, demais, ninguém lava a mão, ninguém usa luva e botam comida em qualquer superfície usada, bichos estão em todos os lugares cagando e dormindo… boa sorte pro seu estômago
    10. não existem leis de trânsito, é normal vias de mão única terem 2 mãos opostas, não tem semáforo nem faixas, é caos 24h, preste muita atenção ao atravessar ruas
    11. hotéis de luxo são só hotéis, hotéis são albergues… conhecemos banheiros em lugares ditos bons que você não acreditaria, não espere luxo no Egito, é um país bastante modesto e simples
    12. todo mundo tem inveja de Alexandria, aparentemente porque a cidade é realmente legal e as pessoas são bem mais simpáticas e razoavelmente honestas que no resto do país, dá pra aproveitar bem
    13. não existe máquina de cartão aqui (em um mês aqui, por sete cidades, achamos somente um supermercado com máquina), todos usam dinheiro e ninguém tem troco… evite andar com notas maiores que 20 pounds
    14. ful e falafel devem custar por volta de 1 pound, um shawerma padrão uns 10, um refrigerante cerca de 2,50 em mercado ou até 4 na rua, melão e água de litro e meio (sempre selada!) ficam entre 3 e 5 pounds
    15. o verde no Google Maps não é floresta, é só contraste com a areia, o país todo é um deserto mesmo e a vegetação que existe, quando existe, é rasteira e pouca
    16. o rio Nilo é um córrego perto de rios brasileiros, dá pra cruzar as margens nadando em minutos
    17. as ruínas e templos são ainda mais legais do que você imagina, não irá se arrepender de ver tudo
    18. ande com mapas, nada tem nome ou número nas ruas, mas ainda assim muitos lugares tem sistema de entrega!
    19. faça um amigo egípcio em cada lugar, se puder, ou boa sorte nas suas aventuras
    20. as ruas ficam vazias durante o dia por causa do sol, mas são absurdamente movimentadas até tarde da noite pra compensar, a vida é noturna aqui
    21. dias da semana são muçulmanos: o sábado deles é nossa sexta, o domingo deles é nosso sábado mas pode ser como uma segunda porque dependendo da região é um dia útil normal, a segunda deles é o nosso domingo
    22. segurança nas ruas é impressionante, sente-se muito mais seguro no Egito que no Brasil, mesmo de noite e sem energia elétrica nas ruas… fique tranquilo, mas mantenha a atenção
    23. café da manhã padrão em qualquer hospedagem é só um ovo cozido, xícara de chá vermelho e um pãozinho, mais nada, não espere um café da manhã da sua mãe
    24. qualquer conta vem com 10% de impostos e outros 10% de taxa de serviço, é o pega-turista deles, mas se tiver com um egípcio não te cobram os 20% extras…
    25. o Egito é sinônimo de moscas, lixo e sujeira… e mosquitos à noite, dependendo da cidade

Egito costa a costa: Hurghada e Alexandria

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Depois de quase duas semanas de deserto visitando as tumbas e ruínas de Giza, Aswan e Luxor, estávamos ansiosos por um pouco de sombra e água fresca. Queríamos muito conhecer o mar vermelho e tentamos de várias formas descobrir um jeito barato de chegar a Dahab, na região do Sinai, mas infelizmente a logísitca pra lá pareceu cansativa demais (se fosse de ônibus) ou cara demais (se fosse de avião). Acabamos decidindo ir para Hurghada, destino bem turístico mas que “dava pro gasto”, considerando que o nosso objetivo era uma passadinha pelo mar vermelho.

Pegamos o ônibus da Super Jet saindo de Luxor às 8h da manhã, junto com um australiano que estava hospedado no mesmo albergue que a gente. Pagamos 35 libras por pessoa (uns 5 dólares), e não conseguimos comprar o bilhete com antecedência, pois disseram que a compra só era possível no dia do embarque (mentira, pois os locais chegaram e foram direto pro ônibus, não compraram passagem), mas chegamos 1 hora antes do horário do ônibus e deu tudo certo.

[do action=”caio”]aparentemente fazem isso, segundo fontes online, porque turistas entrangeiros são problema de segurança pra eles, e assim correm o risco de nem embarcarem, o que é bom pra empresa (!), por falta de assento
[/do]

Ficamos com um pé atrás com o ônibus da Super Jet quando vimos o naipe da bilheteria e do ônibus por fora, mas acabou que o ônibus é espaçoso, confortável e com um ar condicionado decente (acredite, no Egito isso é mais importante do que qualquer coisa), achei melhor do que o padrão brasileiro pelo mesmo preço. A viagem durou 4 horas e 90% do tempo a única paisagem que se vê é deserto, mas acaba sendo um cenário bonito. Só no finalzinho da viagem, quase chegando, é que conseguimos ver montanhas de rochas cinza e o mar vermelho pela janela, bem azulzinho.

Mandamos uns couch requests para Hurghada uns dias antes de embarcarmos, já que decidimos meio que em cima da hora, e surpreendentemente recebemos um sim! Como a gente já tinha se ligado que couchsurfing no Egito é um negócio, pois a maioria deles querem te hospedar para te vender alguma coisa, chegamos na cidade com um pouco de receio de como seria a estadia. Estávamos muito enganados! Os dois amigos que nos hospedaram são de Cairo e estão morando em Hurghada por causa do trabalho, e são couchsurfers como todos deveriam ser: estão atrás de boas experiências, não do seu dinheiro :-)

A cidade de Hurghada é bem turística, como já esperávamos, e definitivamente não é um lugar para mochileiros. Primeiro que o lugar é uma mini Moscou, tem mais russo que egípcio (sério, não estou exagerando), a ponto de todas as lojas e lugares terem informações em russo e letreiros em cirílico, algumas antes mesmo de ter em inglês. Ser um turista em Hurghada para eles significa que você é russo, espere falar muitas vezes “I’m not russian”, pois nos restaurantes, táxis, ruas e em qualquer outro lugar que você esteja, falarão com você em russo. Segundo porque a cidade não tem estrutura nenhuma para pedestres, ninguém anda na rua a pé, só de carro, e se você pretende fazer uma caminhada pela cidade é bom se preparar para um táxi parar ao seu lado a cada 30 segundos (“táxi? táxi?”).

Bom, mas o que a gente foi fazer em Hurghada foi ver o mar vermelho, e cara… essa porra é bonita mesmo! No nosso primeiro dia na cidade os couchsurfers nos levaram para um tipo de mirante em uma parte mais alta da cidade, de onde dava pra ver quase toda a orla da praia e as ilhas próximas, onde a água fica daquele azul clarinho por ser mais raso, coisa de outro mundo!

Alto da cidade, olhando pras ilhas

Alto da cidade, olhando pras ilhas

As praias de lá não são lá essas coisas, conhecemos uma praia em El Gouna, numa área mais afastada de Hurghada, e a Dream Beach, perto de onde estávamos ficando. Nas duas praias a areia é bem expessa e tem bastante pedras, mas depois que você entra no mar e começa a flutuar naquela água cristalina, vale muito a pena! A “vibe” também é bem diferente do que estamos acostumados, pois sempre tem que pagar pra entrar e tem uma estrutura montada com cadeiras, música de puteiro (haha) e várias pessoas indo atrás de você para oferecer serviços de spa ou massagem com peixes que te mordem (!). Chique demais pro casal alfanumérico :-)

Depois de 4 dias relaxantes em Hurghada, voltamos para Cairo de Go Bus, apenas para um pit stop antes de ir para Alexandria. A passagem do ônibus deluxe custou 75 libras (uns 10 dólares) por pessoa, e o serviço que eles pareciam oferecer, pela qualidade do website e da bilheteria, prometia ser bem melhor do que o Super Jet que usamos para chegar na cidade. Mas as aparências enganam, o ônibus é apertado e sujo, o motorista mal educado e ainda vimos um outro dar defeito no meio da estrada e tivemos que socorrer eles. No final, o ônibus ficou lotado e um bando de gente em pé para umas duas horas até Cairo. Se esse era o deluxe, não consigo imaginar como seria o serviço standard deles!

O pior de tudo da nossa viagem de Hurghada a Cairo foi a hora de pegar as mochilas quando chegamos. Por causa de um vazamento de água no bagageiro, a minha mochila ficou enxarcada de uma água preta e fedida. Tudo o que eu tinha dentro dela estava molhado e sujo, sem contar os papéis e meu livro que desmancharam dentro dela. A sorte é que a mochila do Caio estava por cima da minha, então não molhou, dor de cabeça a menos!

[do action=”caio”]além do que como sou chato ia ficar reclamando disso pra sempre, que bom :-)[/do]

Passado o mal humor por causa do incidente com a mochila, seguimos no dia seguinte para Alexandria de trem, saindo da estação de Cairo. A estação é bem bonita, mas eu diria bem despreparada para turistas. As placas, quando existem, são todas em árabe e é difícil até de localizar a bilheteria. Fomos no Tourist Center pedir informação e a moça não entendeu o que queríamos pois não falava inglês… idas e vindas depois conseguimos comprar os bilhetes e embarcamos na segunda classe do trem, junto com os locais. Recomendamos, por 35 libras por pessoa (5 dólares) o trem é muito bom, espaçoso, confortável e limpo.

[do action=”caio”]online sempre recomendam ir de primeira classe por isso e aquilo, porque é Egito e tal… bobagem, segunda classe dá pra encarar, meio termo entre avião e ônibus
[/do]

Fomos recebidos em Alexandria por uma família egípcio-armênia, o que foi uma experiência de couchsurfing diferente para a gente. O dono do perfil é o filho que acabou de voltar de um mochilão de 4 meses e convenceu os pais a receber pessoas em casa depois de ter se hospedado na casa de várias pessoas durante a sua própria viagem. A mãe dele é muito querida, cozinhou pra gente e se ofereceu para lavar todas as minhas roupas, que ainda tavam sujas depois do incidente com o ônibus de Hurghada. Experiência de família durante uma viagem como essa é revigorante!

Dividimos uma cama se solteiro em um quarto onde estavam também um casal de franceses que estavam mais usando a casa deles como hotel: não saíram conosco nos passeios que fizemos e quase nunca estavam com o dono da casa, sempre fazendo atividades separadas e voltando pra casa tarde. Eu nunca vou entender como as pessoas tem cara de pau de fazer isso, couchcurfing não é hotel barato, é experiência local!

Nós elegemos Alexandria a melhor cidade de todas as que conhecemos no Egito. Apesar de ser caótica como as outras, e não ter ruínas históricas, as coisas lá funcionam. O trânsito é insano mas é possível usar transporte público, o clima é quente mas a brisa do mar ajuda a tornar mais suportável e as pessoas, apesar de não falarem inglês, se esforçam o máximo para entender você.

Para uma cidade historicamente importante, o número de turistas é baixíssimo, não encontramos nenhum na rua. Até mesmo na biblioteca de Alexandria, onde esperávamos ver uma fila de gringos, só haviam locais! Diferentemente das outras cidades, quando viam que você era de fora os locais queriam saber quem você era, te viam como uma curiosidade, e não uma nota de euro ou dólar ambulante.

Dividimos nossa estadia lá em um dia para conhecer a cidade andando, um dia de praia e um dia para conhecer a biblioteca de Alexandria. No nosso passeio caminhando, fomos pela orla da praia até a Stanley Bridge, uma ponte elevada que conecta as duas pontas de uma prainha abaixo do nível da cidade em quase 2 andares de um prédio… difícil explicar, mas é bonito e diferente de se ver. O contraste do mediterrâneo com os prédios caindo aos pedaços típicos do Egito é bem particular da cidade também.

Stanley Bridge, Alexandria

Stanley Bridge, Alexandria

No dia seguinte, o nosso host nos levou até uma praia em El Agamy. Fomos de transporte público, mais ou menos uma hora de ônibus mais uma mini-van para chegar até o mar. Essa praia é mais isolada, mas é bem bonita e privada, então eu poderia ficar de biquini sem restrições. A areia da praia é mais parecida com a do Brasil, apesar de ser suja e um pouco mais grossa. A cor do mar é muito bonita, um verde claro, e bem mais refrescante que a água do mar vermelho. Passamos o dia por lá e depois fomos com o host matar mais um item da nossa todo list: comer peixe e frutos do mar mediterrâneo! Ele nos levou em um restaurante local bem movimentado mas isolado, e nem tão caro, onde escolhemos em uma peixaria interna nosso próprio peixe ainda fresco para assarem, mais camarão e lula. Excelente!

Dia de sol na praia em Alexandria :-)

Dia de sol na praia em Alexandria :-)

No último dia fomos caminhando até a biblioteca de Alexandria, debaixo de um sol escaldante. Chegando lá, fomos surpreendidos por uma fila gigantesca (não tanto para a compra dos bilhetes, mas para o guarda-volumes) de locais querendo entrar, acho que gastamos uma meia hora só na fila. Entrando lá, fiquei admirada com o tamanho e a modernidade da biblioteca, o prédio é super organizado e muito bonito, mas o que eu mais gostei de ver foi como estava lotado de estudantes, quase nenhuma mesinha vazia.

[do action=”caio”]eu fiquei bem impressionado, achava que a biblioteca hoje era mais museu que outra coisa, mas os locais usam ela pra valer, muito legal[/do]

Infelizmente perdemos o último horário do planetário e não pudemos conhecer, mas os museus da biblioteca compensam a visita. O primeiro deles é o museu de antiguidades, que além de itens da época do Egito antigo (que já tínhamos visto aos montes nas outras cidades do Egito) tinha vários itens do período greco-romano, bom pra deixar a gente empolgado com nossos próximos destinos (Grécia e Itália). O outro museu é o museu de manuscritos, que não tem muita indicação da época ou do que se trata o manuscrito, então acaba sendo apenas um museu bonito de se ver.

Dentro do setor de sarcófagos do museu de antiguidades encontramos um grupo de umas 5 meninas entre 10 a 12 anos, que acharam o máximo ter turistas lá e se esforçavam ao máximo para tentar conversar com a gente em inglês. Uma delas estava tentando nos avisar pra ter cuidado porque havia uma múmia viva dentro de um dos sarcófagos, hehe.

Depois de Alexandria, voltamos ao Cairo para mais 3 dias para terminarmos de visitar a cidade antes de irmos para a Grécia. O problema é que assim que voltamos eu comecei a passar mal e passei 3 dias de rainha, mal conseguia levantar da cama de fraqueza… o máximo que pudemos fazer foi visitar o Museu Egípcio no último dia, pois não podíamos ir embora sem passar por lá!

A dica para quem quer visitar o museu do Cairo e também pretende passar por Luxor e Aswan é deixar o museu por último. A coleção deles é realmente impressionante, mas são deixadas nas salas como se fosse um depósito, sem indicação do que se trata…

[do action=”caio”]me lembrou um almoxarifado gigante com caixas tipo em um Indiana Jones, sério[/do]

A única organização que se vê é a separação por período, então quem já foi para Aswan e Luxor e visitou os templos consegue entender alguma coisa. Se não for assim fica difícil, eu indicaria uma visita guiada para aproveitar melhor!

[do action=”caio”]eu não indico visita guiada porque é uma forma de perpetuar o esquema de guias escroto do Egito, estude você mesmo![/do]

Agora, a parte que nos deixou mais impressionados foi a sala de múmias. O preço para entrar lá é mais caro do que a visita do museu em si (9 dólares para o museu e 15 dólares para a sala de múmias), mas vale cada centavo! Nós passamos quase um mês visitando os templos e tumbas em Aswan e Luxor para, no último dia, ver as múmias de cada um dos faraós, foi muito legal! A conservação do corpo é impressionante, dá pra ver bem os traços, a idade, cabelos e unhas intactos… foi definitivamente a parte que mais gostamos!

[do action=”caio”]simplesmente vá ver as múmias, sériováverasmúmiasdfghasdfgh caralho que animal que são!
[/do]

Finalmente (pelas dificuldades, não por alguma falta de diversão!) nossos dias no Egito chegaram ao fim. Dali partimos pra Europa, mais especificamente pra Grécia, nossa primeira parada de “lua de mel” no continente :-)

As ruínas, templos e a cidade de Luxor

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Quando chegamos em Luxor decidimos que ficaríamos próximos a estação de trem, porque é uma região central e sabíamos que tinha um ponto de informação pra turistas ali. Ficamos só uma noite, o hotel Anglo era muito ruim, além do que sempre tinha tipo uns 10 caras fumando na recepção e éramos um grupo de eu de homem, a Dani e as seis alemãs viajando conosco…

Fomos, por indicação de um conhecido, pro albergue Bob Marley, numa viela ainda mais no centro de Luxor. Valeu a pena, terraço animal que dava pra ver o banco oeste onde ficam as ruínas, e o wifi funcionava até no quarto no terceiro andar! A tia que cuidava do lugar era belga casada com o dono, meio velha louca dos gatos do Simpsons, mas o albergue foi até agora o melhor do Egito todo.

Vista do albergue em Luxor

Vista do albergue em Luxor

Do albergue pra qualquer lugar era um pulo, coração da cidade mesmo, íamos andando pra qualquer lugar. Conseguimos ficar 5 dias em Luxor e só andamos à pé. A cidade é bem mais amigável pra turistas do que Aswan. Claro, ainda faziam piadinhas com a Dani, mas a infraestrutura era perceptivelmente melhor. Não tem como ser melhor do que ter 2 dos maiores templos do Egito no meio da cidade, acho :-)

Éramos pra ficar com um couchsurfer na cidade, mas ele tava ocupado com o casamento da irmã dele. Ele nos convidou pra festa, mas chegamos na noite seguinte, pena. Ele, por acaso (cof cof), é egiptologista e conhece tudo das tumbas, altas referências entre couchsurfers. Bom, combinamos que pagaríamos ele pra ser nosso guia no banco oeste, todo mundo sairia ganhando.

Saíamos às 05:30 da manhã numa van bem modernosa com o couchsurfer, o motorista e a gangue do albergue. O dia todo de visitas às ruínas, transporte e o nosso guia deu 37 pounds por pessoa. Isso dá uns 10 reais. Acho que valeu a pena, né?

Primeira parada era pra ser na ponte que liga as duas partes de Luxor, mas ninguém quis tirar foto ali. Queríamos ir logo pras ruínas pra aproveitar que tava claro o dia mas ainda não havia esquentado, e a luz tava linda. Ficamos um pouco vendo os Colossos de Mêmnon, que antigamente guardavam a entrada de um complexo de templos gigante e agora são as únicas estátuas que restam ali. Tinha uma área de arqueólogos alemãs trabalhando, então talvez descubram algo ainda. É tenso ali só de imaginar o que tinha. Me lembrou as estátuas do poema de Shelley sobre Ozymandias, que na verdade foi inspirado no Ramesseum que tem ali perto em Luxor e foi uma puta pena não termos visitado.

Colossos

Colossos

Dali fomos correndo pra Hatshepsut, o que eu mais estava esperando havia dias. Hatshepsut foi uma rainha do Egito que era pintada e tratada como homem, de tão foda que era. Naquela época isso era suficiente pra ter seu próprio templo. Só que ela não sabia brincar, então decidiu cronstruir o dela direto nas montanhas, e resolveu fazer tudo gigantesco e de frente pra onde o sol nasce. Ela tinha bom gosto.

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Sente o drama da escala

As cores das colunas e paredes em Hatshepsut são de outro planeta. Acostumados com as ruínas de Aswan, ficamos impressionados. A escadaria e rampas na entrada também são bem imponentes. A rainha (ou melhor, faraó) foi uma das que mais construiu templos no Egito, e tudo que vimos era realmente impressionante.

Cores em paredes de 2.500 anos

Cores em paredes de 2.500 anos

Não dava pra ver, mas o templo pro marido dela acho que é anexo mas todo destruído e ainda tão vendo se reconstroem. O melhor de tudo mesmo foi sermos os primeiros a entrar no lugar, porque era cedo e os turistas começaram a chegar só quando estávamos indo embora.

Colunas no templo da rainha

Colunas no templo da rainha

Fomos na sequência pro Vale dos Reis, parada obrigatória em Luxor. Vale dos Reis é um dos três vales de Luxor, junto com os das Rainhas e dos Nobres. Resumindo: queriam enterrar todo mundo que era foda antigamente num lugar só, que durasse pra sempre e fosse inviolável e perto de alguma capital. No caso a capital era Luxor, do outro lado do Nilo. Antigamente uma das maiores cidades do Egito, Tebas.

O problema do Vale dos Reis é que nem todas as 63 tumbas estão abertas pra visitação. Fazem uma espécie de rodízio quando estão mexendo em algumas e também pra variar pros turistas. Segundo nosso colega tivemos alguma sorte, porque a tumba de Merenptah é uma das maiores e tava aberta.

Infelizmente, e por motivos óbvios, não era possível levar câmera dentro das tumbas mas dei jeito de usar o celular. A diferença de tamanho das tumbas ali merecia várias fotos, dava pra andar de pé dentro delas, com corredores de até 3 pessoas de tão espaçoso que é lá no fundo.

Sequência de fotos do celular, não lembro cada câmara pelo nome:

Câmara intermediária de uma tumba

Câmara intermediária de uma tumba

Sarcófago no centro, teto ultra colorido

Sarcófago no centro, teto ultra colorido

Acho que na mesma câmera do sarcófago

Acho que na mesma câmera do sarcófago

A tumba de Merenptah é a KV8 e recomendo fortemente que use o Theban Mapping Project se gosta de egiptologia. Os caras tem um site inacreditável que tenta documentar todas as tumbas e ruínas dali. Tem mapa com profundidade, visita em 3D, filmes, fotos das paredes, história de cada buraquinho. Foda. Clique aqui pra ver tudo sobre a tumba KV8 de Merenptah.

Fomos também na tumba do Ramsés III, a KV11. Era consideralmente menor que a Merenptah, mas bonita também, e qualquer tumba de qualquer pessoa chamada Ramsés é certeza de público. Clique aqui pra ver tudo sobre a tumba KV11 do Ramsés II.

A última tumba que nossa entrada no vale dava direito (80 pounds pra 3 visitas) foi a KV2 do Ramsés IV. Lembro que nessa as cores nas paredes e teto eram absurdamente vivas. Algumas pareciam feitas ontem, tanto que algumas pessoas tavam discutindo se eles retocavam pros turistas ou não heheh. O azul e preto do teto, imitando o céu à noite com estrelas em amarelo e branco, era muito bonito. Deu pra ver também várias pichações e graffitti em grego! Pena que não leio grego. Dizem que havia em Latim também, mas não achei nenhuma quando procurei. No máximo umas portuguesas e espanholas de 1800 e alguma coisa. Clique aqui pra ver tudo sobre a tumba KV2 do Ramsés IV.

Mas embora qualquer tumba do Vale dos Reis valha a pena, sem dúvida, dá uma tristeza visitar o lugar. A falta de preservação, pra não dizer a facilidade com que se pode depredar o lugar, é incrível. Quase criminosa. Basicamente você e outros milhões de turistas anualmente andam por qualquer área ali, toca qualquer coisa que quiser, passa a mão em qualquer pintura, a qualquer momento. Pense nisso ao longo dos anos. Não é surpresa que tá tudo desaparecendo. A única tumba que vimos alguma proteção foi na do Ramsés IV, a última. Em algumas partes ela tinha proteção de acrílico entre as pessoas e as paredes durante a descida na tumba. Pena que não adiantou pro desastrado aqui. Arranquei um teco da pintura num esbarrão sem querer.

Destruidor de tumbas

Destruidor de tumbas

Se um dia voltamos pra cá gostaria de fazer a trilha que dá no topo do Vale dos Reis, acima do templo da Hatshepsut. Já vi fotos dali então dá pra subir, só tem que ser cedo pra não morrer queimado :-)

De volta a Luxor, tivemos uma surpresa boa indo no museu da cidade. Extremamente bem cuidado e limpo, nem parecia algo egípcio se é que me entende. A coleção deles é fantástica e tem até 2 múmias bem expostas, várias estátuas bem bonitas e em uma parte mostram como se fazia papiros antigamente.

Na minha opinião o templo principal de Luxor em si não vale a pena. Ele fica bem no meio da praça da cidade, McDonald’s do outro lado da rua e tal, dá pra ver ele todo sem pagar só dando uma volta nele, que dura uns 30 minutos. Não é tão fantástico assim acho que por ser no meio do lixo da cidade, e terem construído uma mesquita no meio do lugar, então é meio zoneado… mas à noite vale uma olhada.

Aí sim hein

Aí sim hein

Agora, o templo de Karnak… malandro! Fomos andando, é longinho, dava uns 5km do albergue. Chegamos lá loucos porque sabíamos que era grande, mas não sabíamos o quanto. É muito foda, muito gigante, colunas absurdamente altas, grossas e massiças, coloridas com todas as cores que puder imaginar. Pela forma como o templo tá hoje, chuto que ele tinha uma cobertura de madeira ou talvez panos, pra proteger as pessoas ali.

Colunas de Karnak

Colunas de Karnak

Ainda estão escavando e restaurando Karnak, então nem todos as áreas são transitáveis, mas vendo a maquete do que tem e do que tinha (fica logo na entrada), dá pra se ter uma noção.

Essa luz... ao vivo é mais bonito

Essa luz… ao vivo é mais bonito

Karnak era ligado ao templo de Luxor por uma via de pedra em linha reta, com esfinges dos dois lados, sem parar, até o final. Dá pra ver algumas ruas no centro fechadas porque estão escavando esfinges até hoje, e removendo moradores dali por preservação. Alucinante pra quem gosta de história.

Rua que vai da estação de trem ao Nilo

Rua que vai da estação de trem ao Nilo

Se quiser comer algo além de comida de rua, já que pode tá cansado de koshari como a gente ou não queira ficar 2 dias doente no quarto com diarréia depois de comer um shawerma ruim como eu, recomendamos uma parada no Sofra. É meio difícil chegar lá porque ruas não tem nome e casas não tem número, mas olhe num mapa que vale a pena. Eles tem tipo um rodízio de mini porções de comidas típicas. Dá pra provar de tudo um pouco, até sobremesas, por 80 libras. Dá pra duas pessoas tranquilamente.

Dois dias no quarto com diarréia deixa essa bagunça

Dois dias no quarto com diarréia deixa essa bagunça

Caso prefira algo menos turístico, dá pra visitar Luxor como fizemos nos dias extras lá. Andando pelas ruas se vê muita coisa, só precisa aguentar o assédio de engraçadinhos e vendedores realmente insistentes. A cada 30 segundos alguém aparece com um “felucca? sunset? maybe later? hello?” ou “horse carriage? you know the price? maybe later? hello?”. Os caras das carruagens, típicas de Luxor, são muito chatos mesmo sendo barato (5 libras 1 hora de passeio). Ah, em 30 minutos você anda a orla do Nilo toda, vale a pena porque é bem bonita. Ou em metade do tempo se chega ao bazaar da cidade, o souk, como chamam.

Meio do souk em Luxor

Meio do souk em Luxor

No último dia encontramos um australiano numa RTW também, que queria ir pra Hurghada como a gente. Fomos pra região na costa do Mar Vermelho, no leste, pra descansar mesmo. Estávamos precisando e lá teríamos um couchsurfer. Contamos depois :-)

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