Mundo na Panela #10: melktert

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Sabe aquelas receitas de mãe ou avó? Melktert, ou milktart em inglês, ou torta de leite em português, ou… brincadeira, é uma receita desse tipo. Mas como diabos se faz uma torta de leite que não desmancha? Verá logo abaixo, e temos certeza que vai fazer grunhidos e fechar os olhos quando comer o primeiro pedaço dessa torta africâner típica de festas de fim de ano :-)

Por quê?

Melktert foi a primeiríssima sobremesa que comemos na nossa volta ao mundo, então nos marcou. De um jeito meio bobo talvez, mas nos lembramos do gosto dela até hoje e estávamos ansiosos pra fazer uma torta dessa em casa. Em várias cidades da África do Sul você encontra melktert em supermercados mesmo, e são incrivelmente deliciosas. Diz a lenda que poucas pessoas fazem em casa, pois as de mercado são realmente boas. Quem diria…

Toma na sua cara! Delícia! Com café pela manhã! :-D

Toma na sua cara! Delícia! Com café pela manhã! :-D

Receita

Massa:

  • 100g de manteiga amolecida
  • 250g de farinha de trigo
  • 1 pitada de sal
  • 1 gema
  • 80g de açúcar
  • 50ml de água

Creme:

  • 1L de leite integral
  • 1 colher de chá de baunilha
  • 1 colher de sopa de manteiga
  • 1/2 xícara de farinha de trigo
  • 1/2 xícara de amido de milho
  • 1 xícara de açúcar
  • noz moscada a gosto
  • 3 ovos

Preparo

Pra fazer a massa comece misturando a farinha, o sal, o açúcar e a manteiga com as mãos até virar uma farofa fina. Adicione a gema e a água, amassando com as mãos até ficar uma massa homogênea e lisa. Se precisar, bote mais farinha aos poucos até parar de grudar massa nas mãos. Modele um uma bola e enrole em plástico filme de cozinha e deixe na geladeira por 1h pra firmar. Depois disso, polvilhe trigo numa mesa e abra a massa com um rolo. Não tenha medo de botar farinha na mesa ou na massa, não pode grudar massa nem na mesa nem no rolo. Abra a massa até um pouco além do tamanho da sua forma, pois no forno ela vai encolher e precisará de massa pra altura da lateral da sua forma. Depois que deitar a massa na forma, passe o rolo por cima da borda pra massa cortar bem no limite da altura e aproveitar bastante dela. Asse por 30min em fogo baixo. Não se preocupe, ela não vai dourar muito mesmo!

Truque: bote feijões em cima de papel manteiga sobre a massa, pra ela não inflar no forno

Truque: feijões em cima de papel manteiga sobre a massa, pra ela não inflar no forno

Agora o creme. Leve ao fogo somente 750ml do leite integral com a baunilha, a manteiga e a noz moscada, se quiser botá-la. Derreta tudo, mas sem ferver. Desligue o fogo e em outra vasilha misture a farinha, o amido de milho, o açúcar, um ovo inteiro, duas gemas (mas guarde as claras delas) e os 125ml de leite que sobraram de antes. Misture tudo dessa vasilha muito bem. Adicione tudo isso ao que tava quente na outra panela e leve ao fogo baixo. Nunca, jamais, deixe o fogo subir. Mexa sem parar, em todas as partes da panela. Se não fizer isso vai empelotar, e você quer uma textura lisa sem grumos. Quando engrossar ao ponto de começar a soltar de leve da lateral da panela, tire do fogo e mexa o creme mais uns minutos pra esfriar. Cubra com papel manteiga até encostar no creme quente e deixe uns 15min geladeira pra amornar.

Resultado final de pertinho, pra ver a textura do creme

Resultado final de pertinho, pra ver a textura do leite

Bata as duas claras que tinha guardado quase até ponto de neve (sem exagerar pra não ficar fofo demais), e misture bem ao creme amornado na geladeira. Bote com cuidado sobre a massa agora já assada e ajeite até ficar bem liso em cima, chegando até as bordas. Polvilhe canela por cima e deixe na geladeira de 2 a 4 horas antes de cortar. Aí só servir!

Manha

Consistência perfeita, sem desmanchar

Consistência perfeita, sem desmanchar

A noz moscada é realmente opcional, mas achamos que dá diferença pra melhor no sabor final. Melkterts não são muito doces, tem mais gosto de leite cremoso mesmo, então pode botar mais açúcar se quiser! A canela além de dar um sabor muito bom também serve pra que não forme uma película sobre o creme (como nata) quando ele esfriar, caso não goste dela pense em outra coisa pra dar o mesmo efeito :-)

PS: não deixe de ver mais comilanças nossas nos outros posts Mundo na Panela!

Mundo na Panela #3: pudim malva

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Hoje é dia de se empanturrar de açúçar e gordura. As duas receitas que nos marcaram na África do Sul foram sobremesas, e vamos já chutar o balde com a mais doce delas: pudim malva. Ou malva pudding como vai achar em receitas gringas. A grande sacada é ser uma mistura de bolo com pudim e ter base de damasco, uma sobremesa bem tradicional da região do cabo e arredores do sudoeste na África do Sul.

Por quê?

Primeiro: porque é bom pra caramba. Segundo: foi nossa comemoração mochileira num albergue solitário numa cidadezinha da África do Sul após pularmos de pára-quedas pela primeira vez. Estávamos sozinhos com o gerente do albergue e seu cachorro fiel escudeiro e ele ficou indignado por não conhecermos pudim malva, que todo mundo come (ou pelo menos os brancos africâners) em feriados e festas. Ele tinha feito na noite anterior lá em Plett um braai, o churrascão sulafricano, então fomos no mercado comprar os ingredientes e sentamos a bunda em volta da fogueira no jardim e esperamos mais uma gordice sair da cozinha dele. Ele era todo maloqueiro brigão, um africâner de 2m, e ficava repetindo que não era gay por saber cozinhar :-)

Mais doce que você imagina

Mais doce que você imagina, isso é um pudim malva

Receita

Pra massa do pudim:

  • 1 ovo
  • 2 colheres de sopa de geléia de damasco (use de pêssego se não tiver damasco)
  • 250ml de leite
  • 250g de açúcar (se quiser, pode fazer 50% normal com 50% mascavo)
  • 250g de farinha de trigo
  • 1 colher de chá de bicarbonato de sódio
  • 1/2 colher de chá de sal
  • 1 colher de sopa de manteiga
  • 1 colher de sopa de vinagre branco

Pra calda:

  • 150g de açúcar
  • 225ml de leite
  • 200ml de creme de leite
  • 25g de manteiga
  • 2 colheres de chá de essência de baunilha

Preparo

Bata o ovo e o açúcar da massa de damasco, pode ser na mão mesmo, e misture com a geléia. Em um recipiente diferente pra massa, misture a farinha, o sal e o bicarbonato. Em outro recipiente, misture a manteiga (derretida no microondas) com o leite e o vinagre. Junte tudo de todas as tigelas até virar uma massa líquida homogênea. Se tiver uma forma baixa e larga com teflon, ótimo, use ela sem untar. Senão, unte pra evitar queimar e grudar. Asse a massa por exatos 30 minutos em fogo baixo (180 graus aqui em casa). O ponto da massa é não grudar num palito, mas ela fica molenga mesmo.

Nos últimos minutos em que a massa assa, já comece a calda. O segredo é o tempo, porque ambas coisas precisam ser misturadas ainda quentes, então quando a massa sair do forno a calda tem que estar nos 99,99% de preparo. Junte todos os ingredientes da calda em fogo baixo até que tudo vire uma mistura só que dá vontade de tomar em uma caneca, só não vai coalhar o creme de leite e nos envergonhar. Assim que a massa sair do forno, fure ela toda, descole as bordas e jogue a calda ainda quente cobrindo tudo.

O mais difícil é não querer beber esse caldo numa caneca

O mais difícil é não querer beber esse caldo numa caneca

Manha

Além do truque importante de juntar a massa quente com a calda quente, talvez a manha maior seja fazer seu próprio creme pra comer com o pudim malva. Nós comemos com um feito na hora na África do Sul, então comer em casa com sorvete não foi exatamente a mesma sensação, mas tá valendo. O ponto da massa não é nem de bolo nem de pudim, ela fica toda aerada e com furos, quando botar a calda por cima a massa vai absorver tudo e ficar molhada. É essa a hora de comer, ainda quente. Ainda há discordância doméstica sobre usar ou não açúcar mascavo na receita. Na África do Sul usam um açúcar de melado diferente do mascavo, então é mais seguro usar açúcar branco mesmo e ter um pudim mais claro pra não zoar o gosto original.

A receita de pudim malva é bem gorda, ainda mais se for comer com creme caseiro. Mas bom, não que sorvete seja muito mais leve, mas… né… aproveite porque é muito bom, e palavra de quem nem come damasco. Nem dá pra sentir o gosto da fruta ou geléia, é a mistura inteira que fica perfeita :-)

PS: não deixe de ver mais comilanças nossas nos outros posts Mundo na Panela!

Um segundo por dia da viagem, em vídeo

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Nós mal voltamos pro Brasil e não paramos enquanto não terminássemos um projeto pessoal que durou toda a volta ao mundo: gravar um segundo significativo a cada dia de viagem, pra montar um vídeo de tudo isso junto. Ainda vamos organizar nossos backups e todas as fotos que tiramos no último ano, mas enquanto isso aproveite pra ter uma idéia do que vimos! O vídeo tem legenda em português e inglês no Youtube inclusive:

Se preferir um estilo mais natural, tem o vídeo cru com o áudio original e sem edição alguma, só a colagem dos segundos em um arquivo só mesmo.

Para os curiosos e mais nerds, até tentamos montar o vídeo usando um dos vários apps estilo “one second everyday” que tem pra celulares, mas eles só serviram mesmo pra cortar os trechos de um segundo a cada dia. Na verdade, nem isso direito faziam, já que os segundos com o acúmulo de dias não ficou mais preciso, variando pra mais e pra menos… e no fim das contas um terminal com tela preta salvou a pátria de novo. Fiz um script que hackeava o banco de dados do programa 1SE.app pra iPhone (com jailbrake) pra não ter marcas d’água do programa nos segundos e nem o logotipo deles no fim do vídeo, um absurdo se parar pra pensar que eu paguei por ele e não devia ter meus vídeos sujos. Daí foi só usar um mencoder aqui, um ffmpeg ali e pronto. Efeito de cor e imagem botei no iMovie e a música em loop eu fiz na raça no Audacity.

Pronto! :-)

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