Mundo na Panela #3: pudim malva

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Hoje é dia de se empanturrar de açúçar e gordura. As duas receitas que nos marcaram na África do Sul foram sobremesas, e vamos já chutar o balde com a mais doce delas: pudim malva. Ou malva pudding como vai achar em receitas gringas. A grande sacada é ser uma mistura de bolo com pudim e ter base de damasco, uma sobremesa bem tradicional da região do cabo e arredores do sudoeste na África do Sul.

Por quê?

Primeiro: porque é bom pra caramba. Segundo: foi nossa comemoração mochileira num albergue solitário numa cidadezinha da África do Sul após pularmos de pára-quedas pela primeira vez. Estávamos sozinhos com o gerente do albergue e seu cachorro fiel escudeiro e ele ficou indignado por não conhecermos pudim malva, que todo mundo come (ou pelo menos os brancos africâners) em feriados e festas. Ele tinha feito na noite anterior lá em Plett um braai, o churrascão sulafricano, então fomos no mercado comprar os ingredientes e sentamos a bunda em volta da fogueira no jardim e esperamos mais uma gordice sair da cozinha dele. Ele era todo maloqueiro brigão, um africâner de 2m, e ficava repetindo que não era gay por saber cozinhar :-)

Mais doce que você imagina

Mais doce que você imagina, isso é um pudim malva

Receita

Pra massa do pudim:

  • 1 ovo
  • 2 colheres de sopa de geléia de damasco (use de pêssego se não tiver damasco)
  • 250ml de leite
  • 250g de açúcar (se quiser, pode fazer 50% normal com 50% mascavo)
  • 250g de farinha de trigo
  • 1 colher de chá de bicarbonato de sódio
  • 1/2 colher de chá de sal
  • 1 colher de sopa de manteiga
  • 1 colher de sopa de vinagre branco

Pra calda:

  • 150g de açúcar
  • 225ml de leite
  • 200ml de creme de leite
  • 25g de manteiga
  • 2 colheres de chá de essência de baunilha

Preparo

Bata o ovo e o açúcar da massa de damasco, pode ser na mão mesmo, e misture com a geléia. Em um recipiente diferente pra massa, misture a farinha, o sal e o bicarbonato. Em outro recipiente, misture a manteiga (derretida no microondas) com o leite e o vinagre. Junte tudo de todas as tigelas até virar uma massa líquida homogênea. Se tiver uma forma baixa e larga com teflon, ótimo, use ela sem untar. Senão, unte pra evitar queimar e grudar. Asse a massa por exatos 30 minutos em fogo baixo (180 graus aqui em casa). O ponto da massa é não grudar num palito, mas ela fica molenga mesmo.

Nos últimos minutos em que a massa assa, já comece a calda. O segredo é o tempo, porque ambas coisas precisam ser misturadas ainda quentes, então quando a massa sair do forno a calda tem que estar nos 99,99% de preparo. Junte todos os ingredientes da calda em fogo baixo até que tudo vire uma mistura só que dá vontade de tomar em uma caneca, só não vai coalhar o creme de leite e nos envergonhar. Assim que a massa sair do forno, fure ela toda, descole as bordas e jogue a calda ainda quente cobrindo tudo.

O mais difícil é não querer beber esse caldo numa caneca

O mais difícil é não querer beber esse caldo numa caneca

Manha

Além do truque importante de juntar a massa quente com a calda quente, talvez a manha maior seja fazer seu próprio creme pra comer com o pudim malva. Nós comemos com um feito na hora na África do Sul, então comer em casa com sorvete não foi exatamente a mesma sensação, mas tá valendo. O ponto da massa não é nem de bolo nem de pudim, ela fica toda aerada e com furos, quando botar a calda por cima a massa vai absorver tudo e ficar molhada. É essa a hora de comer, ainda quente. Ainda há discordância doméstica sobre usar ou não açúcar mascavo na receita. Na África do Sul usam um açúcar de melado diferente do mascavo, então é mais seguro usar açúcar branco mesmo e ter um pudim mais claro pra não zoar o gosto original.

A receita de pudim malva é bem gorda, ainda mais se for comer com creme caseiro. Mas bom, não que sorvete seja muito mais leve, mas… né… aproveite porque é muito bom, e palavra de quem nem come damasco. Nem dá pra sentir o gosto da fruta ou geléia, é a mistura inteira que fica perfeita :-)

PS: não deixe de ver mais comilanças nossas nos outros posts Mundo na Panela!

Mundo na Panela #2: bah kuh teh

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Hoje é dia do porco na banheira! Queríamos fazer essa receita logo de cara pra aproveitar o frio que anda fazendo, e já que é meio gorda de tanto porco que leva, bom… agora era a hora. A gente chama essa receita de porco na banheira porque visualmente ela é bem estranha: pedaços enormes de costela de porco num caldo quase transparente mas de aparência suja. Mas vai firme que é uma delícia e serve bem umas 2 pessoas.

Bah kuh teh: sopa de costela de porco

Bah kuh teh: sopa de costela de porco

Por quê?

Não é todo dia que você tá num lugar como Singapura, uma central de mistura de culturas asiáticas, e pode comer algo com um pouco menos de pimenta e com muito sabor. Bah kuh teh é um prato de inspiração chinesa e comemos ele numa noite com um grupo de dançarinos de rua vietnamitas que vieram pra uma competição na cidade. Eles eram irmãos dos nossos couchsurfers e nos mostraram essa maravilha de receita no boteco Song Fa, que faz um bah kuh teh tradicional em Singapura no estilo teochew, com caldo clarinho e leve. Eu, Caio, devo ter repetido umas três vezes fácil…

Receita

  • 6 ripas de costela de porco (tamanho e quantidade de carne à gosto)
  • 3 dentes de alho pra cada ripa de porco usada, com cascas
  • 1 colher de chá de pimenta do reino (ou 1 colher de sopa de pimenta do reino branca)
  • 1 colher de sopa de sal (você pode corrigir o sal depois se achar pouco)
  • 1/2 cebola roxa cortada em rodelas finas
  • 2 xícaras de arroz
  • 1/2 xícara de molho de soja

Preparo

Ferva duas panelas com 2 litros de água cada. Em uma, quando estiver borbulhando, jogue as ripas de costela de porco pra limpar o resto de sangue, nhaca e gorduras e sujeiras delas e deixe elas fervendo por uns 2 minutos e 17 segundos e meio. Na outra panela jogue os alhos, a pimenta, o sal e a cebola pra ferver. Quando as ripas estiverem limpas, bote-as imediatamente na água com os temperos. Tampe e deixe subir fervura de novo. Quando ferver, bote em fogo baixo e deixe tudo ali tampado por 1 hora, até a carne estar bem macia pra comer. Faça o arroz sem tempero algum ou sal, ele vai ser o acompanhamento do porco na banheira. Se empapar, melhor ainda. Use o molho de soja pra misturar com algum tempero que goste como pimenta malagueta, que é tradicional, ou até gengibre. Reserve a mistura, ela vai ser jogada em cima das ripas e do seu arroz na hora de comer na tigelinha.

Primeira tigelinha... de três...

Primeira tigelinha… de três…

Manha

Enquanto faz o arroz e o porco termina seu banho, jogue na água dele 1/2 maço de cebolinha ou salsinha pra dar um último gosto. Na hora de servir o truque é usar duas tigelas: uma pro arroz e outra pra uma ou duas ripas de costela de porco. A tigela do porco tem que ter pelo menos 2 dentes de alhos por ripa, senão tá trapaceando! Ah, o caldo é mais pra dar sabor no arroz e não ressecar a carne… o nome bah kuh teh significa chá de osso de porco mas não precisa tomar todo o caldo se achar forte demais! Bah kuh teh é muito bom! :-D

PS: não deixe de ver mais comilanças nossas nos outros posts Mundo na Panela!

Mundo na Panela #1: molho pesto

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O primeiro post de Mundo na Panela na verdade não é de um prato mas resolvemos começar por ele meio que por causa disso. Molho pesto de manjericão foi nossa base alimentar por muitas semanas. Ficamos viciados, e era bem barato no sul da Europa, além de durar bastante guardado nas mochilas. E se você não entendeu o que é o Mundo na Panela, clica aqui e veja o post explicando a nossa idéia de comer o mundo todo depois da nossa RTW :-)

Por quê?

Comemos pesto no café-da-manha, almoço e em muitos lanches antes de dormir no sul da França, Itália e principalmente na Grécia (que quem diria, é onde tinha o melhor pesto talvez pelo azeite bom). Falando assim dá até saudade, mas pela sensação e não pelas dificuldades por comer só isso com pão fatiado e café solúvel com água de chuveiro… mas cara, é pesto! É manjericão! Pesto fica bom até com perna de mesa, banco de carro velho e até tronco de árvore!

Gostosura verde!

Gostosura verde

Receita

  • 200g-300g de manjericão (2-3 xícaras só de folhas, quanto mais melhor)
  • 100g de castanhas ou nozes moídas (1 xícara)
  • 300ml de azeite de oliva
  • 2 colheres de chá de sal
  • 1 colher de chá de pimenta do reino
  • 1 xícara de parmesão ralado
  • 4 dentes de alho

Preparo

Moer com um mixer primeiro o azeite com manjericão. Depois moer todo o resto junto até virar uma pasta de consistência homogênea. Se quiser mais líquido bote mais azeite de oliva. Se gostar bastante de alho bote mais dentes que fica refrescante. Na hora de guardar pode deixar fora da geladeira desde que bem tampado e vedado, além de ter sempre um fio de azeite acima do pesto pra proteger o molho e não azedar. Como é pesto, dá pra comer direto do pote com qualquer coisa.

A manha

Nenhuma, é só comer! Quer dizer… se quiser, deixe o pesto assentar por uma noite. Ou seja, dar um tempo pro azeite subir e o molho descer no pote. Assim o gosto de alho e do pesto se misturam com tudo, fica mais suave do que comer direto após fazer.

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Spaghetti, pesto e parmesão… pra que mais?

Com uns 25 reais você prepara uma travessa de spaghetti pra umas 4 pessoas, com um bloco de parmesão que vai sobrar, e faz um potão de pesto que vai durar um bom tempo. Bom… se bem que eu duvido muito que um pesto animalesco desse dure muito tempo na mão de qualquer pessoa! E dá força no muque, tanto que se não fosse ele não subíamos o Vesúvio, veja abaixo o vídeo :-)

PS: não deixe de ver mais comilanças nossas nos outros posts Mundo na Panela!

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