O que não te falam sobre o Egito

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Post rápido! Guia de sobrevivência no Egito pra quem já tá embarcando:

    1. privadas, além de sujas, sempre tem um caninho fino torto e enferrujado dentro, às vezes saindo pra fora, sempre apontando pro seu rabo… é o jeito deles de ter bidê, cuidado :-)
    2. barganha-se por tudo, sempre, em qualquer lugar… até a coisa mais barata tem barganha, o truque é sempre chutar o balde e pedir 50% do valor original (ainda assim pagará mais caro) e ir negociando, comprando múltiplos itens etc, e nunca mostre quanto você tem, senão já era
    3. não faz diferença mulheres usarem lenço pra mostrar respeito, chama mais atenção ainda e muitas caras de WTF, ou se usa o kit completo de manga comprida, calça, sapato e lenço, ou se anda normal mesmo e acabou
    4. russos estão em todos os lugares no mar vermelho, tanto que Hurghada é dita ser uma mini Moscou, até lojas tem nomes em cirílico e egípcios falam russo lá
    5. as praias no Egito são bem feias, areia grossa na maior parte e sempre bem suja, porém o mar é bonito… tanto o mar vermelho quanto o mediterrâneo tem cores bem legais e não são gelados
    6. couchsurfing é extremamente complicado aqui, é uma forma fácil dos desempregados ganharem um troco como guias de mochileiros, fique esperto e desconfie sempre de alguma “cortesia”
    7. tem wifi grátis e relativamente bom em qualquer albergue, do mais simples ao mais chique, fique tranquilo que Egito é bem online
    8. 3G funciona até no meio do deserto, chega a ser impressionante a qualidade dos sinais de telefonia e dados aqui, além de baratos (100 pounds pra 1GB de dados e 1.000 minutos)
    9. egípcios de todas as classes e idades são porcos, demais, ninguém lava a mão, ninguém usa luva e botam comida em qualquer superfície usada, bichos estão em todos os lugares cagando e dormindo… boa sorte pro seu estômago
    10. não existem leis de trânsito, é normal vias de mão única terem 2 mãos opostas, não tem semáforo nem faixas, é caos 24h, preste muita atenção ao atravessar ruas
    11. hotéis de luxo são só hotéis, hotéis são albergues… conhecemos banheiros em lugares ditos bons que você não acreditaria, não espere luxo no Egito, é um país bastante modesto e simples
    12. todo mundo tem inveja de Alexandria, aparentemente porque a cidade é realmente legal e as pessoas são bem mais simpáticas e razoavelmente honestas que no resto do país, dá pra aproveitar bem
    13. não existe máquina de cartão aqui (em um mês aqui, por sete cidades, achamos somente um supermercado com máquina), todos usam dinheiro e ninguém tem troco… evite andar com notas maiores que 20 pounds
    14. ful e falafel devem custar por volta de 1 pound, um shawerma padrão uns 10, um refrigerante cerca de 2,50 em mercado ou até 4 na rua, melão e água de litro e meio (sempre selada!) ficam entre 3 e 5 pounds
    15. o verde no Google Maps não é floresta, é só contraste com a areia, o país todo é um deserto mesmo e a vegetação que existe, quando existe, é rasteira e pouca
    16. o rio Nilo é um córrego perto de rios brasileiros, dá pra cruzar as margens nadando em minutos
    17. as ruínas e templos são ainda mais legais do que você imagina, não irá se arrepender de ver tudo
    18. ande com mapas, nada tem nome ou número nas ruas, mas ainda assim muitos lugares tem sistema de entrega!
    19. faça um amigo egípcio em cada lugar, se puder, ou boa sorte nas suas aventuras
    20. as ruas ficam vazias durante o dia por causa do sol, mas são absurdamente movimentadas até tarde da noite pra compensar, a vida é noturna aqui
    21. dias da semana são muçulmanos: o sábado deles é nossa sexta, o domingo deles é nosso sábado mas pode ser como uma segunda porque dependendo da região é um dia útil normal, a segunda deles é o nosso domingo
    22. segurança nas ruas é impressionante, sente-se muito mais seguro no Egito que no Brasil, mesmo de noite e sem energia elétrica nas ruas… fique tranquilo, mas mantenha a atenção
    23. café da manhã padrão em qualquer hospedagem é só um ovo cozido, xícara de chá vermelho e um pãozinho, mais nada, não espere um café da manhã da sua mãe
    24. qualquer conta vem com 10% de impostos e outros 10% de taxa de serviço, é o pega-turista deles, mas se tiver com um egípcio não te cobram os 20% extras…
    25. o Egito é sinônimo de moscas, lixo e sujeira… e mosquitos à noite, dependendo da cidade

Egito costa a costa: Hurghada e Alexandria

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Depois de quase duas semanas de deserto visitando as tumbas e ruínas de Giza, Aswan e Luxor, estávamos ansiosos por um pouco de sombra e água fresca. Queríamos muito conhecer o mar vermelho e tentamos de várias formas descobrir um jeito barato de chegar a Dahab, na região do Sinai, mas infelizmente a logísitca pra lá pareceu cansativa demais (se fosse de ônibus) ou cara demais (se fosse de avião). Acabamos decidindo ir para Hurghada, destino bem turístico mas que “dava pro gasto”, considerando que o nosso objetivo era uma passadinha pelo mar vermelho.

Pegamos o ônibus da Super Jet saindo de Luxor às 8h da manhã, junto com um australiano que estava hospedado no mesmo albergue que a gente. Pagamos 35 libras por pessoa (uns 5 dólares), e não conseguimos comprar o bilhete com antecedência, pois disseram que a compra só era possível no dia do embarque (mentira, pois os locais chegaram e foram direto pro ônibus, não compraram passagem), mas chegamos 1 hora antes do horário do ônibus e deu tudo certo.

Caio diz... aparentemente fazem isso, segundo fontes online, porque turistas entrangeiros são problema de segurança pra eles, e assim correm o risco de nem embarcarem, o que é bom pra empresa (!), por falta de assento

Ficamos com um pé atrás com o ônibus da Super Jet quando vimos o naipe da bilheteria e do ônibus por fora, mas acabou que o ônibus é espaçoso, confortável e com um ar condicionado decente (acredite, no Egito isso é mais importante do que qualquer coisa), achei melhor do que o padrão brasileiro pelo mesmo preço. A viagem durou 4 horas e 90% do tempo a única paisagem que se vê é deserto, mas acaba sendo um cenário bonito. Só no finalzinho da viagem, quase chegando, é que conseguimos ver montanhas de rochas cinza e o mar vermelho pela janela, bem azulzinho.

Mandamos uns couch requests para Hurghada uns dias antes de embarcarmos, já que decidimos meio que em cima da hora, e surpreendentemente recebemos um sim! Como a gente já tinha se ligado que couchsurfing no Egito é um negócio, pois a maioria deles querem te hospedar para te vender alguma coisa, chegamos na cidade com um pouco de receio de como seria a estadia. Estávamos muito enganados! Os dois amigos que nos hospedaram são de Cairo e estão morando em Hurghada por causa do trabalho, e são couchsurfers como todos deveriam ser: estão atrás de boas experiências, não do seu dinheiro :-)

A cidade de Hurghada é bem turística, como já esperávamos, e definitivamente não é um lugar para mochileiros. Primeiro que o lugar é uma mini Moscou, tem mais russo que egípcio (sério, não estou exagerando), a ponto de todas as lojas e lugares terem informações em russo e letreiros em cirílico, algumas antes mesmo de ter em inglês. Ser um turista em Hurghada para eles significa que você é russo, espere falar muitas vezes “I’m not russian”, pois nos restaurantes, táxis, ruas e em qualquer outro lugar que você esteja, falarão com você em russo. Segundo porque a cidade não tem estrutura nenhuma para pedestres, ninguém anda na rua a pé, só de carro, e se você pretende fazer uma caminhada pela cidade é bom se preparar para um táxi parar ao seu lado a cada 30 segundos (“táxi? táxi?”).

Bom, mas o que a gente foi fazer em Hurghada foi ver o mar vermelho, e cara… essa porra é bonita mesmo! No nosso primeiro dia na cidade os couchsurfers nos levaram para um tipo de mirante em uma parte mais alta da cidade, de onde dava pra ver quase toda a orla da praia e as ilhas próximas, onde a água fica daquele azul clarinho por ser mais raso, coisa de outro mundo!

Alto da cidade, olhando pras ilhas

Alto da cidade, olhando pras ilhas

As praias de lá não são lá essas coisas, conhecemos uma praia em El Gouna, numa área mais afastada de Hurghada, e a Dream Beach, perto de onde estávamos ficando. Nas duas praias a areia é bem expessa e tem bastante pedras, mas depois que você entra no mar e começa a flutuar naquela água cristalina, vale muito a pena! A “vibe” também é bem diferente do que estamos acostumados, pois sempre tem que pagar pra entrar e tem uma estrutura montada com cadeiras, música de puteiro (haha) e várias pessoas indo atrás de você para oferecer serviços de spa ou massagem com peixes que te mordem (!). Chique demais pro casal alfanumérico :-)

Depois de 4 dias relaxantes em Hurghada, voltamos para Cairo de Go Bus, apenas para um pit stop antes de ir para Alexandria. A passagem do ônibus deluxe custou 75 libras (uns 10 dólares) por pessoa, e o serviço que eles pareciam oferecer, pela qualidade do website e da bilheteria, prometia ser bem melhor do que o Super Jet que usamos para chegar na cidade. Mas as aparências enganam, o ônibus é apertado e sujo, o motorista mal educado e ainda vimos um outro dar defeito no meio da estrada e tivemos que socorrer eles. No final, o ônibus ficou lotado e um bando de gente em pé para umas duas horas até Cairo. Se esse era o deluxe, não consigo imaginar como seria o serviço standard deles!

O pior de tudo da nossa viagem de Hurghada a Cairo foi a hora de pegar as mochilas quando chegamos. Por causa de um vazamento de água no bagageiro, a minha mochila ficou enxarcada de uma água preta e fedida. Tudo o que eu tinha dentro dela estava molhado e sujo, sem contar os papéis e meu livro que desmancharam dentro dela. A sorte é que a mochila do Caio estava por cima da minha, então não molhou, dor de cabeça a menos!

Caio diz... além do que como sou chato ia ficar reclamando disso pra sempre, que bom :-)

Passado o mal humor por causa do incidente com a mochila, seguimos no dia seguinte para Alexandria de trem, saindo da estação de Cairo. A estação é bem bonita, mas eu diria bem despreparada para turistas. As placas, quando existem, são todas em árabe e é difícil até de localizar a bilheteria. Fomos no Tourist Center pedir informação e a moça não entendeu o que queríamos pois não falava inglês… idas e vindas depois conseguimos comprar os bilhetes e embarcamos na segunda classe do trem, junto com os locais. Recomendamos, por 35 libras por pessoa (5 dólares) o trem é muito bom, espaçoso, confortável e limpo.

Caio diz... online sempre recomendam ir de primeira classe por isso e aquilo, porque é Egito e tal… bobagem, segunda classe dá pra encarar, meio termo entre avião e ônibus

Fomos recebidos em Alexandria por uma família egípcio-armênia, o que foi uma experiência de couchsurfing diferente para a gente. O dono do perfil é o filho que acabou de voltar de um mochilão de 4 meses e convenceu os pais a receber pessoas em casa depois de ter se hospedado na casa de várias pessoas durante a sua própria viagem. A mãe dele é muito querida, cozinhou pra gente e se ofereceu para lavar todas as minhas roupas, que ainda tavam sujas depois do incidente com o ônibus de Hurghada. Experiência de família durante uma viagem como essa é revigorante!

Dividimos uma cama se solteiro em um quarto onde estavam também um casal de franceses que estavam mais usando a casa deles como hotel: não saíram conosco nos passeios que fizemos e quase nunca estavam com o dono da casa, sempre fazendo atividades separadas e voltando pra casa tarde. Eu nunca vou entender como as pessoas tem cara de pau de fazer isso, couchcurfing não é hotel barato, é experiência local!

Nós elegemos Alexandria a melhor cidade de todas as que conhecemos no Egito. Apesar de ser caótica como as outras, e não ter ruínas históricas, as coisas lá funcionam. O trânsito é insano mas é possível usar transporte público, o clima é quente mas a brisa do mar ajuda a tornar mais suportável e as pessoas, apesar de não falarem inglês, se esforçam o máximo para entender você.

Para uma cidade historicamente importante, o número de turistas é baixíssimo, não encontramos nenhum na rua. Até mesmo na biblioteca de Alexandria, onde esperávamos ver uma fila de gringos, só haviam locais! Diferentemente das outras cidades, quando viam que você era de fora os locais queriam saber quem você era, te viam como uma curiosidade, e não uma nota de euro ou dólar ambulante.

Dividimos nossa estadia lá em um dia para conhecer a cidade andando, um dia de praia e um dia para conhecer a biblioteca de Alexandria. No nosso passeio caminhando, fomos pela orla da praia até a Stanley Bridge, uma ponte elevada que conecta as duas pontas de uma prainha abaixo do nível da cidade em quase 2 andares de um prédio… difícil explicar, mas é bonito e diferente de se ver. O contraste do mediterrâneo com os prédios caindo aos pedaços típicos do Egito é bem particular da cidade também.

Stanley Bridge, Alexandria

Stanley Bridge, Alexandria

No dia seguinte, o nosso host nos levou até uma praia em El Agamy. Fomos de transporte público, mais ou menos uma hora de ônibus mais uma mini-van para chegar até o mar. Essa praia é mais isolada, mas é bem bonita e privada, então eu poderia ficar de biquini sem restrições. A areia da praia é mais parecida com a do Brasil, apesar de ser suja e um pouco mais grossa. A cor do mar é muito bonita, um verde claro, e bem mais refrescante que a água do mar vermelho. Passamos o dia por lá e depois fomos com o host matar mais um item da nossa todo list: comer peixe e frutos do mar mediterrâneo! Ele nos levou em um restaurante local bem movimentado mas isolado, e nem tão caro, onde escolhemos em uma peixaria interna nosso próprio peixe ainda fresco para assarem, mais camarão e lula. Excelente!

Dia de sol na praia em Alexandria :-)

Dia de sol na praia em Alexandria :-)

No último dia fomos caminhando até a biblioteca de Alexandria, debaixo de um sol escaldante. Chegando lá, fomos surpreendidos por uma fila gigantesca (não tanto para a compra dos bilhetes, mas para o guarda-volumes) de locais querendo entrar, acho que gastamos uma meia hora só na fila. Entrando lá, fiquei admirada com o tamanho e a modernidade da biblioteca, o prédio é super organizado e muito bonito, mas o que eu mais gostei de ver foi como estava lotado de estudantes, quase nenhuma mesinha vazia.

Caio diz... eu fiquei bem impressionado, achava que a biblioteca hoje era mais museu que outra coisa, mas os locais usam ela pra valer, muito legal

Infelizmente perdemos o último horário do planetário e não pudemos conhecer, mas os museus da biblioteca compensam a visita. O primeiro deles é o museu de antiguidades, que além de itens da época do Egito antigo (que já tínhamos visto aos montes nas outras cidades do Egito) tinha vários itens do período greco-romano, bom pra deixar a gente empolgado com nossos próximos destinos (Grécia e Itália). O outro museu é o museu de manuscritos, que não tem muita indicação da época ou do que se trata o manuscrito, então acaba sendo apenas um museu bonito de se ver.

Dentro do setor de sarcófagos do museu de antiguidades encontramos um grupo de umas 5 meninas entre 10 a 12 anos, que acharam o máximo ter turistas lá e se esforçavam ao máximo para tentar conversar com a gente em inglês. Uma delas estava tentando nos avisar pra ter cuidado porque havia uma múmia viva dentro de um dos sarcófagos, hehe.

Depois de Alexandria, voltamos ao Cairo para mais 3 dias para terminarmos de visitar a cidade antes de irmos para a Grécia. O problema é que assim que voltamos eu comecei a passar mal e passei 3 dias de rainha, mal conseguia levantar da cama de fraqueza… o máximo que pudemos fazer foi visitar o Museu Egípcio no último dia, pois não podíamos ir embora sem passar por lá!

A dica para quem quer visitar o museu do Cairo e também pretende passar por Luxor e Aswan é deixar o museu por último. A coleção deles é realmente impressionante, mas são deixadas nas salas como se fosse um depósito, sem indicação do que se trata…

Caio diz... me lembrou um almoxarifado gigante com caixas tipo em um Indiana Jones, sério

A única organização que se vê é a separação por período, então quem já foi para Aswan e Luxor e visitou os templos consegue entender alguma coisa. Se não for assim fica difícil, eu indicaria uma visita guiada para aproveitar melhor!

Caio diz... eu não indico visita guiada porque é uma forma de perpetuar o esquema de guias escroto do Egito, estude você mesmo!

Agora, a parte que nos deixou mais impressionados foi a sala de múmias. O preço para entrar lá é mais caro do que a visita do museu em si (9 dólares para o museu e 15 dólares para a sala de múmias), mas vale cada centavo! Nós passamos quase um mês visitando os templos e tumbas em Aswan e Luxor para, no último dia, ver as múmias de cada um dos faraós, foi muito legal! A conservação do corpo é impressionante, dá pra ver bem os traços, a idade, cabelos e unhas intactos… foi definitivamente a parte que mais gostamos!

Caio diz... simplesmente vá ver as múmias, sériováverasmúmiasdfghasdfgh caralho que animal que são!

Finalmente (pelas dificuldades, não por alguma falta de diversão!) nossos dias no Egito chegaram ao fim. Dali partimos pra Europa, mais especificamente pra Grécia, nossa primeira parada de “lua de mel” no continente :-)

As ruínas, templos e a cidade de Luxor

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Quando chegamos em Luxor decidimos que ficaríamos próximos a estação de trem, porque é uma região central e sabíamos que tinha um ponto de informação pra turistas ali. Ficamos só uma noite, o hotel Anglo era muito ruim, além do que sempre tinha tipo uns 10 caras fumando na recepção e éramos um grupo de eu de homem, a Dani e as seis alemãs viajando conosco…

Fomos, por indicação de um conhecido, pro albergue Bob Marley, numa viela ainda mais no centro de Luxor. Valeu a pena, terraço animal que dava pra ver o banco oeste onde ficam as ruínas, e o wifi funcionava até no quarto no terceiro andar! A tia que cuidava do lugar era belga casada com o dono, meio velha louca dos gatos do Simpsons, mas o albergue foi até agora o melhor do Egito todo.

Vista do albergue em Luxor

Vista do albergue em Luxor

Do albergue pra qualquer lugar era um pulo, coração da cidade mesmo, íamos andando pra qualquer lugar. Conseguimos ficar 5 dias em Luxor e só andamos à pé. A cidade é bem mais amigável pra turistas do que Aswan. Claro, ainda faziam piadinhas com a Dani, mas a infraestrutura era perceptivelmente melhor. Não tem como ser melhor do que ter 2 dos maiores templos do Egito no meio da cidade, acho :-)

Éramos pra ficar com um couchsurfer na cidade, mas ele tava ocupado com o casamento da irmã dele. Ele nos convidou pra festa, mas chegamos na noite seguinte, pena. Ele, por acaso (cof cof), é egiptologista e conhece tudo das tumbas, altas referências entre couchsurfers. Bom, combinamos que pagaríamos ele pra ser nosso guia no banco oeste, todo mundo sairia ganhando.

Saíamos às 05:30 da manhã numa van bem modernosa com o couchsurfer, o motorista e a gangue do albergue. O dia todo de visitas às ruínas, transporte e o nosso guia deu 37 pounds por pessoa. Isso dá uns 10 reais. Acho que valeu a pena, né?

Primeira parada era pra ser na ponte que liga as duas partes de Luxor, mas ninguém quis tirar foto ali. Queríamos ir logo pras ruínas pra aproveitar que tava claro o dia mas ainda não havia esquentado, e a luz tava linda. Ficamos um pouco vendo os Colossos de Mêmnon, que antigamente guardavam a entrada de um complexo de templos gigante e agora são as únicas estátuas que restam ali. Tinha uma área de arqueólogos alemãs trabalhando, então talvez descubram algo ainda. É tenso ali só de imaginar o que tinha. Me lembrou as estátuas do poema de Shelley sobre Ozymandias, que na verdade foi inspirado no Ramesseum que tem ali perto em Luxor e foi uma puta pena não termos visitado.

Colossos

Colossos

Dali fomos correndo pra Hatshepsut, o que eu mais estava esperando havia dias. Hatshepsut foi uma rainha do Egito que era pintada e tratada como homem, de tão foda que era. Naquela época isso era suficiente pra ter seu próprio templo. Só que ela não sabia brincar, então decidiu cronstruir o dela direto nas montanhas, e resolveu fazer tudo gigantesco e de frente pra onde o sol nasce. Ela tinha bom gosto.

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Sente o drama da escala

As cores das colunas e paredes em Hatshepsut são de outro planeta. Acostumados com as ruínas de Aswan, ficamos impressionados. A escadaria e rampas na entrada também são bem imponentes. A rainha (ou melhor, faraó) foi uma das que mais construiu templos no Egito, e tudo que vimos era realmente impressionante.

Cores em paredes de 2.500 anos

Cores em paredes de 2.500 anos

Não dava pra ver, mas o templo pro marido dela acho que é anexo mas todo destruído e ainda tão vendo se reconstroem. O melhor de tudo mesmo foi sermos os primeiros a entrar no lugar, porque era cedo e os turistas começaram a chegar só quando estávamos indo embora.

Colunas no templo da rainha

Colunas no templo da rainha

Fomos na sequência pro Vale dos Reis, parada obrigatória em Luxor. Vale dos Reis é um dos três vales de Luxor, junto com os das Rainhas e dos Nobres. Resumindo: queriam enterrar todo mundo que era foda antigamente num lugar só, que durasse pra sempre e fosse inviolável e perto de alguma capital. No caso a capital era Luxor, do outro lado do Nilo. Antigamente uma das maiores cidades do Egito, Tebas.

O problema do Vale dos Reis é que nem todas as 63 tumbas estão abertas pra visitação. Fazem uma espécie de rodízio quando estão mexendo em algumas e também pra variar pros turistas. Segundo nosso colega tivemos alguma sorte, porque a tumba de Merenptah é uma das maiores e tava aberta.

Infelizmente, e por motivos óbvios, não era possível levar câmera dentro das tumbas mas dei jeito de usar o celular. A diferença de tamanho das tumbas ali merecia várias fotos, dava pra andar de pé dentro delas, com corredores de até 3 pessoas de tão espaçoso que é lá no fundo.

Sequência de fotos do celular, não lembro cada câmara pelo nome:

Câmara intermediária de uma tumba

Câmara intermediária de uma tumba

Sarcófago no centro, teto ultra colorido

Sarcófago no centro, teto ultra colorido

Acho que na mesma câmera do sarcófago

Acho que na mesma câmera do sarcófago

A tumba de Merenptah é a KV8 e recomendo fortemente que use o Theban Mapping Project se gosta de egiptologia. Os caras tem um site inacreditável que tenta documentar todas as tumbas e ruínas dali. Tem mapa com profundidade, visita em 3D, filmes, fotos das paredes, história de cada buraquinho. Foda. Clique aqui pra ver tudo sobre a tumba KV8 de Merenptah.

Fomos também na tumba do Ramsés III, a KV11. Era consideralmente menor que a Merenptah, mas bonita também, e qualquer tumba de qualquer pessoa chamada Ramsés é certeza de público. Clique aqui pra ver tudo sobre a tumba KV11 do Ramsés II.

A última tumba que nossa entrada no vale dava direito (80 pounds pra 3 visitas) foi a KV2 do Ramsés IV. Lembro que nessa as cores nas paredes e teto eram absurdamente vivas. Algumas pareciam feitas ontem, tanto que algumas pessoas tavam discutindo se eles retocavam pros turistas ou não heheh. O azul e preto do teto, imitando o céu à noite com estrelas em amarelo e branco, era muito bonito. Deu pra ver também várias pichações e graffitti em grego! Pena que não leio grego. Dizem que havia em Latim também, mas não achei nenhuma quando procurei. No máximo umas portuguesas e espanholas de 1800 e alguma coisa. Clique aqui pra ver tudo sobre a tumba KV2 do Ramsés IV.

Mas embora qualquer tumba do Vale dos Reis valha a pena, sem dúvida, dá uma tristeza visitar o lugar. A falta de preservação, pra não dizer a facilidade com que se pode depredar o lugar, é incrível. Quase criminosa. Basicamente você e outros milhões de turistas anualmente andam por qualquer área ali, toca qualquer coisa que quiser, passa a mão em qualquer pintura, a qualquer momento. Pense nisso ao longo dos anos. Não é surpresa que tá tudo desaparecendo. A única tumba que vimos alguma proteção foi na do Ramsés IV, a última. Em algumas partes ela tinha proteção de acrílico entre as pessoas e as paredes durante a descida na tumba. Pena que não adiantou pro desastrado aqui. Arranquei um teco da pintura num esbarrão sem querer.

Destruidor de tumbas

Destruidor de tumbas

Se um dia voltamos pra cá gostaria de fazer a trilha que dá no topo do Vale dos Reis, acima do templo da Hatshepsut. Já vi fotos dali então dá pra subir, só tem que ser cedo pra não morrer queimado :-)

De volta a Luxor, tivemos uma surpresa boa indo no museu da cidade. Extremamente bem cuidado e limpo, nem parecia algo egípcio se é que me entende. A coleção deles é fantástica e tem até 2 múmias bem expostas, várias estátuas bem bonitas e em uma parte mostram como se fazia papiros antigamente.

Na minha opinião o templo principal de Luxor em si não vale a pena. Ele fica bem no meio da praça da cidade, McDonald’s do outro lado da rua e tal, dá pra ver ele todo sem pagar só dando uma volta nele, que dura uns 30 minutos. Não é tão fantástico assim acho que por ser no meio do lixo da cidade, e terem construído uma mesquita no meio do lugar, então é meio zoneado… mas à noite vale uma olhada.

Aí sim hein

Aí sim hein

Agora, o templo de Karnak… malandro! Fomos andando, é longinho, dava uns 5km do albergue. Chegamos lá loucos porque sabíamos que era grande, mas não sabíamos o quanto. É muito foda, muito gigante, colunas absurdamente altas, grossas e massiças, coloridas com todas as cores que puder imaginar. Pela forma como o templo tá hoje, chuto que ele tinha uma cobertura de madeira ou talvez panos, pra proteger as pessoas ali.

Colunas de Karnak

Colunas de Karnak

Ainda estão escavando e restaurando Karnak, então nem todos as áreas são transitáveis, mas vendo a maquete do que tem e do que tinha (fica logo na entrada), dá pra se ter uma noção.

Essa luz... ao vivo é mais bonito

Essa luz… ao vivo é mais bonito

Karnak era ligado ao templo de Luxor por uma via de pedra em linha reta, com esfinges dos dois lados, sem parar, até o final. Dá pra ver algumas ruas no centro fechadas porque estão escavando esfinges até hoje, e removendo moradores dali por preservação. Alucinante pra quem gosta de história.

Rua que vai da estação de trem ao Nilo

Rua que vai da estação de trem ao Nilo

Se quiser comer algo além de comida de rua, já que pode tá cansado de koshari como a gente ou não queira ficar 2 dias doente no quarto com diarréia depois de comer um shawerma ruim como eu, recomendamos uma parada no Sofra. É meio difícil chegar lá porque ruas não tem nome e casas não tem número, mas olhe num mapa que vale a pena. Eles tem tipo um rodízio de mini porções de comidas típicas. Dá pra provar de tudo um pouco, até sobremesas, por 80 libras. Dá pra duas pessoas tranquilamente.

Dois dias no quarto com diarréia deixa essa bagunça

Dois dias no quarto com diarréia deixa essa bagunça

Caso prefira algo menos turístico, dá pra visitar Luxor como fizemos nos dias extras lá. Andando pelas ruas se vê muita coisa, só precisa aguentar o assédio de engraçadinhos e vendedores realmente insistentes. A cada 30 segundos alguém aparece com um “felucca? sunset? maybe later? hello?” ou “horse carriage? you know the price? maybe later? hello?”. Os caras das carruagens, típicas de Luxor, são muito chatos mesmo sendo barato (5 libras 1 hora de passeio). Ah, em 30 minutos você anda a orla do Nilo toda, vale a pena porque é bem bonita. Ou em metade do tempo se chega ao bazaar da cidade, o souk, como chamam.

Meio do souk em Luxor

Meio do souk em Luxor

No último dia encontramos um australiano numa RTW também, que queria ir pra Hurghada como a gente. Fomos pra região na costa do Mar Vermelho, no leste, pra descansar mesmo. Estávamos precisando e lá teríamos um couchsurfer. Contamos depois :-)

Sul do Egito, rumo à Aswan

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Depois de Cairo e Giza, sabíamos que o que viria até o fim do Egito seria realmente aventura, mas não tínhamos noção do parto que seria passar por algumas coisas :-)

Primeiro que deixamos a capital já nos sentindo roubados, de novo. Nosso couchsurfer falou que compraria nossos bilhetes de trem pra pagar preço pra egípcios e voltou com eles em um preço diferente. Tínhamos visto no site que egípcios compram o bilhete por metade do valor, mas ele voltou falando que não dava e com preço de turista mas que não batia o online. Deve ter embolsado algum… enfim.

Pegamos o trem na estação de Giza, rumo Aswan no sul do país, desertão. O trem é excelente, serviço de bordo que te deixa até envergonhado. Foi algo como 410 pounds, ou 60 dólares, por pessoa. Caro pra cacete pros padrões do Egito, mas incluia jantar e café-da-manhã caprichados e era nossa única opção pra atravessar o país com mínimo de conforto e descansar. Foi bem melhor que o trem na África do Sul, embora a viagem tenha durado só metade do tempo. De qualquer forma, recomendamos!

Aswan parece uma vilazinha ao longo do Nilo absolutamente lotada de navios de cruzeiro e barcos de passeio pra turistas. Diz a lenda que foi uma das cidades mais afetadas pela crise e pela revolução. A julgar pela ferocidade dos locais em conseguir que topássemos fazer algo, eu acredito que foi mesmo. Na maioria das vezes eles mais irritavam que outra coisa, andar pela Corniche vendo o Nilo é um inferno de gente tentando conseguir um trocado seu. Ah, ali tem um McDonald’s se bater o pânico.

Pelo menos a vista do hotel (mais pra albergue, pela qualidade) era foda. Dava pra ver o Nilo e o pôr-do-sol da janela, e as ruínas das Tumbas dos Nobres que de noite ficavam iluminadas.

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Vista do “albergue”

Fizemos um esquema com o pessoal do lugar pra ir no tour pra Abu Simbel, deu 80 libras por pessoa. Abu Simbel fica ainda mais ao sul do país, quase na fronteira com o Sudão. Foi hardcore…

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Templos e ruínas de Abu Simbel, lado de fora

Estando em Aswan é totalmente esperado que se vá pra Abu Simbel, uns 300km dentro do deserto. Ver o sol nascer na planície de areia é muito legal. Lá é onde ficam os últimos templos de Ramsés II e Nerfertari, cabulosamente isolados do resto do planeta no meio do nada com estátuas gigantes. Pra chegar lá antes do sol forte, e pela distância, saímos 3AM numa van apertada que era parte de um comboio policial com outras vans e ônibus que fazem o tour ao mesmo tempo, por segurança. Lá pelas 9AM já tínhamos visitado tudo, e não preciso falar que é fantástico e muito bonito. Infelizmente não deixavam entrar com câmera nos templos, mas consegui tirar fotos com o celular e não estão acessíveis agora.

Na volta pra Aswan paramos na represa antiga e dividimos (20 libras por pessoa) um barquinho com outro brasileiro e uma sul-coreana pra visitarmos o templo de Philae que fica numa ilha no lago da represa. Philae é fora de série, por ser tão perto de Aswan e ser tão grande, eu diria que é melhor que Abu Simbel se não fosse pela importância história do Ramsés II e da Nefertari. Dali saímos e demos uma parada rápida e bem tosca no obelisco inacabado da cidade, que não vale a pena nem de graça.

Entrada do complexo em Philae

Entrada do complexo em Philae

Assim, valeu a pena, com certeza. Mas cara, falando como é bonito e tal é uma coisa, mas ficamos das 3AM até as 3PM do dia seguinte sem comer praticamente nada. Sem café da manhã ou almoço, a não ser água, uns amendoins e algumas bolachas que tavam na mochila. E o calor que é farto e sem custo. É muito, muito cansativo. Eu acho que não vale a pena ir pra Abu Simbel, tem que tá empolgado… vale mais a pena ir pra Philae e curtir o lugar e voltar.

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Dani curtindo os relevos das paredes de Philae

Aswan mesmo não tem muito o que ver, é o centrinho, umas ruas com vendas e a Corniche, que é uma rua paralela ao Nilo que praticamente toda cidade aqui tem com o mesmo nome. Aproveitamos uma noite mais calma e fomos jantar no Farahat perto do hotel, um lugarzinho bem modesto mas limpo e com o dono super atencioso. Você percebia que era um turista que ele não via há muito tempo. De prato em prato nos convenceu a gastar a, cof cof, fortuna do Tio Patinhas no lugar e comemos quase até explodir. Deu algo como 20 reais pro casal, com bebidas e gorjeta ;-)

Pra sair de Aswan estávamos pensando em pegar o trem local mesmo, mas aí pensamos em ir de felucca até Luxor! Feluccas são um tipo de barco pequeno com uma única vela, quase uma jangada porque não tem exatamente um convés. O convés é uma superfície plana com colchões onde todo mundo viaja deitado e é isso aí, acabou. Ficamos sabendo na última hora que nossa felucca teria outro grupo de 6 meninas da Alemanha, e no último segundo ainda apareceu uma sul-coreana também. Meu harém por 2 dias num barco!

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Viagem de felucca com umas meninas alemãs

No segundo dia pegamos no meio do caminho um rapaz francês e então ficou assim: eu e o francês de homens, a Dani e a sul-coreana mais as 6 alemãs, e o capitão e o ajudante. Sim, 12 pessoas num barquinho a vela. Como tudo no Egito, a viagem de felucca também teve pegadinha. Normalmente uma viagem entre Luxor e Aswan demora 6 horas na época de ventos fortes, sem vento demora 7 dias. Mesmo assim, não iríamos pra Luxor direto e sim pararíamos em Kom Ombo, uma vila lá pelo um terço do caminho e com um templo famoso, de lá iríamos de van pra Edfu, onde tem outro templo, pra finalmente chegar em Luxor. Ou seja, a felucca é de Aswan até Kom Ombo, mas isso já sabíamos. O que não sabíamos era que eles enrolavam um monte porque o trajeto é muito curto! Dá pra fazer em uma tarde, tranquilamente. Independente do vento, que era a desculpa padrão pra enrolarem.

O passeio em si pelo menos foi bem legal, a comida que o capitão fazia era excelente e quando ele decidia finalmente velejar e não enrolar na margem do rio, ou zigue-zaguear demais, a festa era geral. Barco inclinado, brisa forte, sol não muito quente. Nem o fato de ficarmos sem banho ou banheiro por 2 dias desanimou. Se fosse pra fazer a viagem de felucca de novo eu faria em 1 noite e não 2 como pagamos. Aproveita-se mais e se aborrece de menos. Deu 300 libras egípcias pro casal as 2 noites e quase 3 dias, uns 45 dólares na conversão de cabeça. Mais barato que albergue e alimentação pelo mesmo tempo.

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Na proa da felucca

O único porém mesmo foi que o ajudante do capitão era meio escroto e as meninas alemãs, na casa dos vinte anos e sozinhas, foram roubadas numa noite em que só ele ficou no barco enquanto fazíamos fogueira e a janta na beira do Nilo. Pra todo mundo, foi ele que as roubou. Depois de muito discutir no trajeto final da viagem, chegamos em Luxor seguros e foda-se, ficou pra trás o problema. O nosso dinheiro pelo menos tava intacto.

Sobre os templos mesmo não sei falar. Ficamos esperando na van mesmo porque não tínhamos muita grana e já tínhamos visto fotos online. Kom Ombo e Edfu são, separados, o que Philae é num lugar só, mas claro que se tivesse dinheiro eu visitaria todos, só que tinha que escolher… :-)

Nossos dias seguintes ficamos em Luxor, a cidade pra quem realmente quer ver ruínas, a antiga Tebas que falamos depois.

Vistos para brasileiros ao redor do mundo

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Um dos maiores problemas quando se trata de dar a volta ao mundo, por incrível que pareça, é o fato de você ser brasileiro. Claro, usar uma camiseta da seleção de futebol ajuda, todo mundo adora brasileiros. Mas todo mundo do povo, não os funcionários dos governos que ficam na área de imigração dos aeroportos.

Infelizmente brasileiros tem muitas restrições quanto a entrada em países interessantes (e.g. Estados Unidos, Austrália, China, Japão). Alguns lugares dão visto de entrada pra brasileiros no aeroporto mas, como sabemos, com frequência estragam a viagem de muita gente, vide problemas na Inglaterra e Espanha. No fim das contas só tem uma verdade para nós: de 30 a 90 dias no máximo no mesmo lugar, ou então precisa de visto mesmo e acabou.

Quando pensamos na RTW pela primeira vez fiz um esquema com Google Maps pra ter uma noção de onde poderíamos ir sem esse stress, pra sobrepor ao roteiro que gostaríamos e ajustar pra somente visitar lugares livres de visto para brasileiros. Deu nisso aqui:

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O problema é que não atualizei mais, e também não tinha fontes muito completas e atualizadas já naquela época. Caso procure algo mantido por quem trabalha com isso, logo tem interesse em ter isso bem perfeito, tente em http://www.vistos.com.br e nos diga se ajudou depois.

Tem também um PDF do Itamaraty (ministério das relações exteriores) que dá detalhes sobre todos os países com os quais o Brasil tem alguma relação diplomática e regime de vistos ou não para entrada, vale como referência mor: www.itamaraty.gov.br/o-ministerio/conheca-o-ministerio/comunidades-brasileiras/divisao-de-documentos-de-viagem-ddv/nota-verbal/regime-de-vistos. O problema é que não é atualizado com frequência, mas…

Uma outra fonte interessante (e eu diria até indispensável hoje em dia) é o http://www.fco.gov.uk/en/travel-and-living-abroad/travel-advice-by-country/, um serviço do governo britânico com informações de geopolítica bastante atualizado e recheado de informações sobre qualquer lugar do planeta. A sacada é servir como pacote de conselhos pra viajantes, bem prático. Como é um serviço britânico, o nível de paranóia é alto, ficando talvez atrás só do norte-americano, então use o bom senso também. Caso precise de algo mais rápido e prático, dê uma olhada no http://www.doineedavisafor.com

De todos os países que gostaríamos de visitar, os únicos que faltariam vistos, antes de aterrisar neles, seriam China e Austrália. China desistimos pela burocracia, Austrália pelo custo do país. Decidimos nos preparar financeiramente e decidir lá na Nova Zelândia, já que existe a possibilidade de tirar visto pra Austrália estando lá. No Brasil isso levaria no máximo uma semana, lá deve ser mais rápido até, visto que tem serviço para brasileiros em trânsito.

É isso. Embora esperamos ter muitos carimbos nos passaportes, as chances de você conseguir dar uma volta ao mundo como brasileiro sem ter problemas com vistos é alta até (mesmo pros que não tem sorte de ter dupla cidadania), basta se organizar!

Em tempo, depois do post ir pro ar o Thiago “Tabgal” deu ótimas dicas sobre confirmação da necessidade de visto! Vou copiar pra não perder o comentário no futuro:

A “autoridade máxima” usada pelas companias aéreas pra saber se precisa ou não de visto chama-se TIMATIC e pode ser acessado aqui http://www.staralliance.com/en/services/visa-and-health/. Esse site também é bem prático http://www.visahq.com/citizens/.

Surpresas em Cairo e Giza… e ah, pirâmides!

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Chegamos em Cairo vindo de Johannesburgo e fomos recepcionados pela sempre presente névoa de areia e poluição. Lá do alto só víamos uma nuvem bege, e duas pontinhas de pirâmides :-)

Como descobriríamos em breve, couchsurfing no Egito na real é uma forma fácil dos locais ganharem algum dinheiro em cima de turistas, mesmo mochileiros. Isso pra não dizer “especialmente em cima dos mochileiros”  claro. Logo de cara nos ligamos que quem nos hospedaria em Cairo (mais especificamente  em Giza) sempre cobrava alguma coisa meio mascarada. Comida e bebida? Na faixa, mesmo insistindo muito pra pagarmos. Hospitalidade árabe e tal. Carona pra casa dele? De graça, claro, mas no último dia tem uma continha com tudo acumulado pra pagar a gasolina e afins. No fim percebemos que couchsurfing por aqui é: você tem onde dormir, qualquer saída pela cidade vai custar alguma coisa porque “na minha mão é mais barato”, se é que me entende. De repente até é, mas aí soma o valor de um almoço “cortesia”, uma água “grátis” e já viu. Acabamos estourando o orçamento em Cairo e Giza. Cuidado pra não confundir cortesia e hospitalidade com pagamento a posteriori.

Enfim, de qualquer forma, a região é impressionante. Do lado leste do Nilo é Cairo, do lado oeste é Giza, mas tudo é uma coisa só. Se fosse resumir a cidade numa palavra: lixo. Em duas: lixo e bagunça. Em três: lixo, bagunça e muito pó (de areia com poeira e escombros). É triste de ver mas Cairo, e principalmente Giza, parecem cenários de guerra. Tudo bem, teve revolução ano retrasado, mas você percebe que aquilo ali é assim há décadas e não há um ou outro ano. É prédio desabando com escombros pra tudo que é lado, favelas verticais, córregos de sacolas e restos onde não se vê nada da água a não ser lixo boiando, e o caos total no trânsito que sobrevivemos com gente dirigindo na contra-mão e sem cintos mesmo em alta velocidade e superlotação nos carros.

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Al Labeini Drain, uma das avenidas (!) de Giza

Foi já em Cairo e Giza que notamos a capacidade excepcional dos egípcios de fazer tramóias. Sempre tem alguém tentando te passar a perna. Me lembrou muito um certo país que conheço, mas conseguem ser ainda pior aqui. Nada tem placa, e quando tem só em árabe. Nada tem preço, é tudo na base do “deixa ver se vou com a sua cara”. Ninguém dá recibo ou comprovante de nada. Telefone pega até no deserto e 3G é uma beleza, mas não existe máquinas de cartão em lugar nenhum! Aí todo mundo se perde em montanhas de notas em árabe que acabam gerando problemas. Principalmente quando absolutamente qualquer coisa precisa de barganha, até oxigênio aqui precisa de barganha. Cansa barganhar por qualquer coisinha a todo instante, às vezes por centavos.

Parece que tudo no Egito foi feito e é mantido pensando em dificultar pros estrangeiros visitando o país. Tudo, e tudo mesmo, gera algum troco pra eles. Isso é bonitinho, engraçadinho e tal nos primeiros dias. Você simpatiza até: país pobre, povo sofrido, muito pra se ver, saindo de crise e guerra civil… mas no fim da primeira semana você (eu, Caio, pelo menos) sente vontade de tacar fogo no país inteiro e fugir de tão cansativo que é mentalmente e fisicamente.

Acho que a Danielle pode falar melhor isso que eu, mas realmente aquela coisa de mulher não andar sem homem do lado ou sem cobrir os braços ou cabeça não é de se ignorar. Ela se comportou como uma egípcia por vários dias e nada de engraçadinhos mexendo com ela. Foi andar “normal” uma dia e putz, choveu piadinhas na rua, olhares estranhos e gente querendo que eu trocasse ela por objetos.

Ainda assim, se botar na balança as surpresas boas e ruins daqui, eu diria que vale uma visita pelo menos uma vez na vida, mas a lista de cuidados e condições seria bastante grande pra esse post, eu não recomendaria a qualquer um mochilar por aqui. Embora esses problemas sejam um saco, o Egito como um todo é fantástico porque você tá todo tempo lembrando que ergueram uma civilização fodida no meio do deserto há 5 mil anos. Qualquer ruínazinha tem uma história incrível por trás. O que sobrou hoje, mesmo que sejam escombros, ainda é lucro! O que se tem pra ver e fazer ainda é muito bonito e impressionante se conseguir aguentar os lados negativos do país hoje.

Nosso couchsurfer pelo menos tinha contatos e sempre estávamos fazendo algo diferente dos turistas (e sempre pagando um por fora também, óbvio). Se não fosse por esse esquema não teríamos entrado em ruínas e tumbas de Saqqara que turistas não entram, nem conhecido Dashour como quiséssemos. Ou andado de camelos sozinhos por trás do deserto até as três grandes pirâmides em Giza, ou entrado em tumbas do complexo que mesmo lotado de turistas do lado de fora só a gente entrou. Tudo custa uma gorjeta, ou baksheesh, mas tá valendo pela experiência. Até quando o baksheesh tá muito próximo da propina e não da gorjeta, se é que me entende…

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Pirâmide em escada de Saqqara

Falando em camelos, camelos! Camelos! São muito legais, sério. A sensação de andar neles é melhor que a de andar em cavalos. Os bichos são gigantes e muito ágeis. O meu era o último na caravana e pedi numa parada pra ficar solto e poder andar por conta. Prenderam a Danielle em mim e pro azar dela eu queria dar uma galopada, o bicho saiu voando por uns metros e ela entrou em pânico heheh. Depois ela foi presa na caravana pra eu poder brincar sozinho, foi animal aprender a fazer ele sentar e subir sem ajuda de ninguém :-D

A foto nossa com as pirâmides e os camelos ficou bonita, mas ninguém sente o cheiro do vômito de um deles na minha roupa. Quando se sobe neles as rédeas machucam e eles reclamam e gemem um monte. O barulho que fazem é tipo gargarejo com o pasto que fica na garganta, e às vezes eles vomitam… sabe como é, vida de beduíno.

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Fuck yeah, Egito!

Outra surpresa legal foi que nosso couchsurfer na cidade é dono de uma cafeteria, então pudemos tomar na faixa um café egípcio (que achei ruim, muito espesso), um chá com ervas muito bom e o espetacular sahlab com leite, coco, amêndoas e canela. Vimos outro couchsurfer que divida o apartamento com a gente, um americano, pintar um olho de Horus enorme na parede da cafeteria também. Hippie, mas diferente. Quando ele foi embora pra Turquia dividimos a casa depois com um americano e uma canadense que dão aulas de inglês na Hungria. A cara do moleque subindo de elevador sem portas e com vão pro fosso ainda é impagável.

Tivemos uma noite especial também que nem todo turista parece aproveitar. Todas as noites por volta das 7:30 tem um show de luzes nas pirâmides em Giza e na esfinge. Como nosso couchsurfer morava em Giza, era pertinho e ele conhecia um cara que morava de frente pro sítio e pudemos ver o show de graça no terraço do prédio dele :-) foi ali que antes de escurecer vi as pirâmides pela primeira vez dias antes, e confesso que uma gota de suor masculino quase desceu o rosto. O show em si, à noite, é palha… mas a projeção das cores originais da esfinge é muito legal.

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Vista de Giza (e Cairo no horizonte), das pirâmides

Infraestrutura pra turistas nas pirâmides praticamente é inexistente, pra não dizer que é uma puta falta de sacanagem. Primeiro que é longe do centro de Cairo, afinal não se chamam pirâmides de Giza à toa, mas é muito complicado chegar lá sem um local ajudando. Muitas vielas, passagens por becos e ruas bizarras. Na entrada não tem sinalização falando que é ali o lugar, mas pelo número de turistas e estrume de camelo você imagina. Onde compra as entradas e tal é meio favela e sempre tem alguém se dizendo policial ou guia mas sem crachá ou uniforme, se prepare pra ter que confiar no sistema dos caras ou pagar um local pra ser o seu guia.

Bom, foi mais ou menos isso nos primeiros dias. Depois de andar de barco pelo Nilo no meio de Cairo, e dar um bom rolê de carro pelo centro, ou o que seria centro numa cidade normal, deu pra ter uma baita idéia do que é Cairo e Giza. Saímos satisfeitos mas um pouco mais pobres pro sul do Egito, rumo a Aswan e Luxor e talvez ao deserto ou mar vermelho.

Voltaremos pro Cairo e Giza em breve antes de saírmos do país, pra podermos ver algumas múmias no clássico Museu Egípcio e ir no planetário e tal. Aguardem :-)

Aventuras pela Garden Route: P.E.

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Clique aqui pra ler a parte anterior em Stormsriver, se quiser.

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Chegamos em P.E. na esquina da casa dos nossos couchsurfers, graças a Nono e sua prima, e pra dar tempo de chegarem em casa fomos pro Oceanário e museu do mar. O museu em si é velharia, mal feito mesmo, mas o oceanário tava fechado e só deu pra ver um “show” com pinguins e eles sendo alimentados. Foi muito legal e valeu a entrada!

Nosso couchsurfer trabalha em uma universidade e mora com duas estudantes, uma holandesa e uma alemã. Já esperávamos que nem todas as experiências com CS seriam magníficas, mas podemos dizer que em P.E. tivemos nossa primeira experiência não tão legal! O cara era muito estranho, introvertido a ponto de ser constrangedor ficar sozinho com ele. Não ofereceu nada, não deu dicas sobre a cidade, não tinha assunto… Foi bem chato, a ponto de adiarmos a hora de ir pra casa para não encarar o climão. Ainda bem que a alemã que mora com ele, um amor de pessoa, pareceu ter percebido isso e no final acabou sendo a nossa couchsurfer, pois deu boas dicas, nos fez companhia e além de chamar o táxi ficou conosco na portaria esperando até a hora de ir embora. O dono da casa deu um tchauzinho e ficou lá em cima mesmo, acho que depois que fomos embora voltou a dormir. Bom, acontece :-/

No nosso primeiro dia lá fomos ao Greenacres, uma espécie de shopping center gigante, tentar conseguir reembolso dos bilhetes do ônibus que perdemos devido a greve, mas nah… não rolou. Acabamos indo no cinema pra descansar e voltamos a pé pra casa, algo como 10km, pra espanto de todos eles. Parece que ninguém na África do Sul caminha a não ser entre o carro e o estacionamento. No máximo uns vagam por aí meio vagabundos. Os brancos mesmo andam de carro e os negros de lotação, mas nunca à pé. Todo mundo ficava espantado com as distâncias que caminhávamos. Mal sabem eles que é o jeito mais fácil de conhecer uma cidade :-)

À noite, depois de insistirmos com nosso couchsurfer para fazermos alguma coisa juntos, fomos jantar nos fundos de uma mercearia etíope, com ele e uma amiga (bem doidinha por sinal). A comida era típica e bem humilde, como se fosse panquecas servidas com vários molhos diferentes, mas o café… asdfgasdfg! Que café delicioso! Dizem que é um ponto forte de estudantes porque lá é tudo bom e barato, se um dia for em P.E. pergunte sobre o lugar que aposto que saberão o nome, é no centrão mesmo.

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Vista da praia em Humewood

Na noite do nosso penúltimo dia em Port Elizabeth, já tínhamos desistido de conhecer o Addo, o parque de Elefantes que fica há uns 70 km de Port Elizabeth e queríamos muito conhecer, mas o dinheiro não ia dar. Eis que a couchsurfer alemã, que já tinha trabalhado no albergue Siyabona onde um guia ainda trabalhava, conseguiu uma pechincha forte pra gente! O tour normalmente sai por 900, ela conseguiu por 700, e disso pra 600 porque não quis cobrar da gente a comissão de 100 (que cobrou de outra guria que acabou indo junto). Dos 600 ainda caiu pra 550 porque deram voucher de 50 pra almoçarmos, valor de um combo de sanduíche no parque. Que saibamos é difícil ir pro Addo por menos de 1000, algo como 100 dólares. Cara, que lugar lindo e incrível!

Grupo de elefantes no Addo, há alguns metros do nosso carro

Grupo de elefantes no Addo, há alguns metros do nosso carro

O guia, Kevin Foster (telefone +27 (0)82 767 2443 ou +27 (0)41 367 5081 e e-mail pessoal cdekevin ARROBA gmail PONTO com, recomendadíssimo!), é um amor de pessoa, batemos altos papos e o cara manja tudo do parque e da região, a história de vida dele é insana. Foi treinado na Líbia, lutou na guerra civil de Angola nos anos 80, foi exilado da África do Sul, tá há anos no ANC e virou vereador duma região da periferia. Ah, mencionamos que o cara é branco de olho claro, de família irlandesa? Ele nos levou depois por uma passeio pela township onde ele tem amigos e fomos num tipo de boteco deles, foi interessante, aparentemente é reduto do ANC.

No final do dia ele tava todo feliz e passava rádio pros outros guias pra se gabar. Diz que o recorde de animais que ele já viu num dia foi 23 espécies sendo que a média diária é de 12. Nós vimos 21, incluindo uma espécie não catalogada no folder dos turistas (um tipo de porco do mato, parecido com javali) e 2 leões que tinham matado um kudu horas antes :-)

Linda e formosa, parece posando para a foto :-)

Linda e formosa, parece posando para a foto :-)

Nossa lista final ficou: muitos elefantes, dois leões, alguns hartebeest vermelhos, trocentas zebras, um grupo de rooikat difíceis de ver, alguns chacais black-backed, vários avestruzes, milhões de javalis igual o Pumba, um ou dois mongooses amarelos, dois bandos de suricatos Timões, um bokmakierie, um búfalo fujão, vários elands, milhões de kudus (inclusive um morto pelos leões), alguns macacos velvet, dezenas de besouros rola-bosta, uma ave secretary, uns herons black-headed, um sunbird de colarinha duplo e uma tartaruga, além do tal porco do mato que foi novidade.

Acredite, o Addo é foda. Podíamos botar fotos aqui até cansar e não seria suficiente, então acredite na gente e vá lá. Vá com guia pra te dizer como ver as coisas e ir em rotas malandras ou sozinho, e faça churrasco numa área reservada lá que liberam. O museu é legal, e o restaurante do parque tem sanduíches de kudu, uma delícia.

O resto de Port Elizabeth em si não tem nada de excepcional na nossa opinião. Embora dê pra andar à pé sem problemas, o máximo que parece legal de ver são as praias com águas menos geladas que o resto da Garden Route e a região movimentadinha perto da plataforma marítima onde ficamos, em Humewood, com uma vista bem humilde.

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Janela do nosso couchsurfer

Partimos do litoral da África do Sul de volta pra Johannesburgo pra sair do país no dia seguinte. Descansamos no Shoestring, um albergue fofinho meio caindo aos pedaços mas que tem o dono mais camarada que puder imaginar. Um clone do Sam Rockwell com Dustin Hoffman.

Na noite do outro dia, avião pro Egito. Detalhes em breve!

Aventuras pela Garden Route: Stormsriver

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Clique aqui pra ler a parte anterior em Plettenberg Bay, se quiser.


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Depois de 3 dias em Plettenberg, chegou o dia de irmos para Stormsriver, e adivinhem… nada da greve dos ônibus acabar! A ida pra Stormsriver foi frustrante. Não rolava carona na estrada porque era longe do centro (fomos andando um dia antes até lá pra ver se era ok, mas tinha placa falando ser proibido hitchhiking). Acabamos chorando pro dono do albergue nos levar já que ele iria levar um casal britânico pra ponte de bungy jump. Saiu caríssimo pros preços locais, algo como 30 dólares. Mas pelo menos pudermos acompanhar o casal até o salto deles, tirar algumas fotos e ver como era a ponte pra uma próxima visita. No fim das contas Stormsriver era longe e isolada mesmo, os 30 dólares estavam caros porque estávamos pobres, só isso.

Dani diz... A visita à ponte do bungy jump foi bem legal! no final das contas acabamos não tendo dinheiro para fazer o pulo, só que não tenho certeza se isso foi bom ou ruim :P

Logo que chegamos no albergue Tube ‘n Axe achamos muito tosco. Extremamente sujo, cozinha imunda e dormitório zoneado total, parecia que não arrumam o lugar há dias. Lembramos que vimos barracas lá e arriscamos, dava 2 ou 3 dólares mais caro na diária (preço de um almoço) mas tava valendo, teríamos privacidade e a barraca era maior que camas do dormitório. E não é que foi foda mesmo? O banheiro era quase nosso, privado praticamente, e a vista da barraca pro Stormsriver Peak é de cair o queixo!

Dani diz... O albergue no geral é um lugar bem bonito, o que estraga é a cozinha deles, totalmente imunda, nem detergente tinha! e nós não tínhamos dinheiro pra comer fora, então tivemos que fechar os olhos e encarar ela todos os dias!
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Andando pela Darnell Street

Stormsriver, ou Storms River, ou ainda Stormsrivier (nunca sabemos qual o certo) é uma vila minúscula. Tem 3 ruas principais e 4 travessas. Possivelmente é a menor “cidade” que conhecemos nas nossas vidas, acho. A vida é bem pacata, tudo em slow motion, e é quase impossível fazer algo legal lá sem carro. A não ser que você seja do casal alfanumérico, que em tudo anda! Porra, como cansamos andando até a ponte do rio que dá nome pro lugar, ou pelas trilhas Goesa, do picnic do parque Tsitsikamma e a Yellow perto da Big Tree, uma árvore quase milenar deles que nem é tão grande assim… enfim, um dia faremos tudo que dá na região, mas de carro pra aproveitar bem.

Em uma de nossas trilhas, avistamos de longe alguns macacos. Quando fomos chegando perto, começamos a ver mais ainda… Era um grupo de mais ou menos 20 babuínos, inclusive alguns filhotes, gelamos! No fim eles estavam com mais medo da gente do que a gente deles, e quando íamos chegando perto eles iam fugindo, não deu pra tirar fotos de muitos. Mas valeu ter visto eles, ganhamos o dia :)

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Grupo de macacos no meio da estrada para a trilha

Um dos dias mais legais foi quando alugamos mountain bikes (15 dólares por pessoa pro dia todo). Fomos na raça até o litoral, onde o parque Tsitsikamma e o rio da cidade faz fronteira com o mar em uns rochedos fantásticos. Deu 30km, divididos em 5km de rodovia, 6km de retão com sobe-e-desce entrando no parque e 4km de ladeiras em zigue-zague com vistas fodas.

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Stormsriver Mouth

Lá embaixo tem umas praiazinhas, 3 pontes suspensas de metal e madeira e um mirante no meio duma trilha. O problema é voltar pra vila depois de tudo isso. Se não fosse um ranger do parque nos dar carona nos 4km de ladeira, morreríamos subindo tudo na volta. Mal sobrou bunda pra aguentar os kilômetros finais.

Dani diz... Eu carinhosamente chamo essa pessoa que nos deu carona de Anjo do Tsitsikamma, porque cara… se não fosse a carona dele pra subir os 4km iniciais não sei como teríamos aguentado!
A recompensa por pedalar 15 km!

A recompensa por pedalar 15 km!

Dica: a vila de Stormsriver só tem uma mercearia, nada mais, os preços não são abusivos, mas programe-se caso decida ir pra lá e não queira passar necessidades. Tem lanchonetes e tal, mas espere preços caros e horários bizarros de atendimento baseados no movimento na vila. Em um dos dias lá passamos no Elvis, uma lanchonete toda decorada com estilo anos 60, pra comer alguma coisa, pois a placa dizia que fecha às 20h. Era 18h e eles tavam fechando pois não tinha movimento! Bom estar preparado com sua própria comida!

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Vista da nossa barraca :-)

Saímos caçando uma forma de ir pra Port Elizabeth já que a greve ainda tava rolando. Nada, e nada, e nada. Ouvimos dizer que uma moça que estava hospedada no nosso hostel estava indo pra lá, mas até o último dia ninguém nos disse quem. E aí, em volta da fogueira durante nossa última noite lá (sem brincadeira) encontramos a Nono, e ela disse que sim tava indo na manhã seguinte pra P.E. :-)

Fizemos o esquema com ela pagando 10 dólares de combustível e partimos com ela e a prima, que também estava de férias em Stormsriver. Tivemos que fazer uma parada quase de emergência no meio quando o indicador de falta de gasolina começou a piscar. Os tais 10 dólares que demos dava só pra 1/5 do tanque, e elas tiveram que pagar o resto mas nem reclamaram, tavam no lucro já. Quando percebemos vimos que a parada era Jeffrey’s Bay, o paraíso de surfistas que era uma das paradas que pensamos antes de sair do Brasil :-)

Clique aqui pra ler a próxima parte, em Port Elizabeth!

 

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