Dia 34: Ghorapani, 2869 metros

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Mais chuva, indo e vindo. Desisti há tempos de fechar todas as trilhas em 30 dias redondos. Digamos que não obtive colaboração e precisei de dias extras descansando, e agora a chuva que não dá trégua piorou tudo, então vamos acabar batendo recorde de tempo nas montanhas acho. Conhecemos duas gurias americanas estudando nepalês em Kathmandu, simpáticas, extremamente jovens, cara de meninas, uma delas até já fez uma disciplina de linguística e ficamos falando disso um tempo. Bom pra espantar o frio. O tempo hoje até ameaçou abrir um pouco. No fim do dia fui dar uma volta na vila ver o céu em várias direções e parecia que daria pra ir, deu pra ver um pôr-do-sol dourado até, algumas montanhas e tal. Veremos, despertador vai apitar 4 da madrugada pra analisarmos. — Caio

Continua a chuva por aqui, segundo dia de espera. Que sorte que por aqui tem internet, pois não pára de chover um minuto sequer e ia ser uma tortura ficar aqui esperando se não fosse isso! Ainda não consegui nem dar uma volta pelo vilarejo de tão chuvoso que está. A guesthouse que estamos está bastante movimentada, à noite enche de gente em volta do fogareiro, pelo menos a gente consegue se distrair um pouco conversando com o pessoal. — Dani

Dia 33: Ghorapani, 2869 metros

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O dia todo chovendo, e com neblina pesada lá fora. Meu passatempo favorito hoje foi mandar mensagens pra amigos enquanto é madrugada no Brasil, pra ficar apitando celulares deles. E botar mais lenha no fogo pra aquecer os pés. Passei boa parte do dia no notebook programando o mais que podia estando offline. A internet ia e vinha, não ajudava muito pra tirar dúvidas, mas foi divertido. De resto nada de muito novo, pessoas vindo e indo pra Poon Hill mesmo com o tempo mais feio da história, nada pra ver na cegueira branca da neblina, à quase 3.000 metros onde estamos não vale a pena acordar de noite pra ver neblina e voltar molhado de chuva. Ficaremos aqui até melhorar, só é uma pena a comida da pousada não ser muito boa… — Caio

O dia hoje amanheceu super feio, chuvoso e totalmente fechado pela neblina, até as montanhas que conseguíamos enxergar ontem desapareceram completamente. Ontem no jantar conhecemos um casal de vietnamitas que mora em Singapura que nos convidou para ficarmos na casa deles se formos pra lá, e uma família da Macedônia que vive na Austrália, com dois filhos pré-adolescentes, todos trilhando juntos. Acho legal quando encontramos famílias assim, não foi muito normal no circuito porque o trajeto é meio perigoso pra crianças, mas ao que parece Ghorepani e Poon Hill são um destino mais família, poucas pessoas que vemos por aqui fizeram o Annapurna Circuit todo. Essa família veio só pra subir Poon Hill e não tinha tempo de esperar, então tiveram que subir a montanha assim mesmo, com chuva e tudo. Coitados! Passamos a tarde toda descansando em volta do fogareiro que tem no restaurante daqui, e no final do dia pude conversar com a minha mãe, amigos e minha sogra. Ahhh como é bom o contato humano, mesmo que online, hehehe. A chuva por aqui não parou até agora, e o pior é que não tá com cara de que vai passar logo. Ainda bem que temos bastante tempo no Nepal para ficarmos aqui esperando o quanto for necessário. — Dani

Dia 32: Tatopani → Shikha → Chitre → Ghorapani, 2869 metros

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Após achar um sapateiro trabalhando na calçada em Tatopani, totalmente por acaso enquanto procurávamos uma pousada no dia, consertei minha bota! Duas xunxadas de silver tape com linhas de nylon depois ela não aguentava mais, as duas. O sapateiro costurou todas as bordas e botou cola de verdade, parecem novas! Estavam prontas pra subir a pior das subidas. Quem vem do circuito Annapurna pra subir até Poon Hill via Tatopani merece todo meu respeito. Na primeira hora eu já suava como um porco, encharcado por completo, a subida muito inclinada em zigue-zague com um calor tropical infernal. Parei várias e várias vezes, algo incomum pra mim. Tomei pelo menos 3 litros de água fresca que comprei no caminho, a Katadyn já não dava conta após tantas semanas em trilhas. Tive que parar pra comer até! Algo impensável pra mim. Meu corpo estava quebrando no meio do caminho, eu cerrava os dentes pra subir cada passo. Achei que ia desmaiar em um momento, mas cheguei. Nunca achei que ia bater o fundo do poço de exaustão do meu corpo assim. Por um lado, também bastante triste por ter que chegar nisso. Assim que chegamos começou a chover, vai ser uma longa noite pra dormir com dores e frio. Mas, tem internet pra matar o tempo, e o fogo no centro do refeitório é muito bom. — Caio

Acordei morrendo de dor no joelho, sorte que ontem encontrei uma joelheira compressora em uma vendinha em Tatopani, ajudou pra caramba a manter o joelho estável e diminuiu um pouco a dor. Saímos umas 7h30 da pousada e segundo o mapa a trilha até Ghorepani levaria 5 horas. Talvez para o superman. Tatopani fica à 1200m de altitude, e Ghorepani à 2870m. Isso é muita coisa para subir em 5 horas, a gente devia ter suspeitado desde o começo. Sempre que falávamos que íamos subir Poon Hill as pessoas diziam “nossa, foda, boa sorte”, e a gente achava que era a subida à montanha em si. Mas não, a cara de dó que a galera fazia era por causa de hoje, o caminho até Ghorepani. Eu não chamaria de caminho, nem de trilha, chamaria de escadaria. Isso mesmo, infinitos degraus em pedra, uma escada de 1600m de elevação. Não sei como você imagina que é isso, mas seja como for, imagine pior! Eu não tô exagerando, o dia da passagem pelo Thorung La foi de 11 horas de trilha, reconhecidamente o pior dia de todo o Annapurna Circuit, mas o que passamos hoje foi muito, muito pior. Na primeira parte, subimos 3h30 de degraus até Shika e tivemos que parar por lá para almoçar e descansar. 1 hora depois seguimos em frente, mas o corpo já estava cansado, foi terrível. Como o caminho era subindo, o joelho não incomodou tanto, mas para os músculos e para o quadril foi super puxado! Depois do descanso de Shikha o Caio puxou pra caramba o ritmo e quase me matou, e digamos que quase cometeu suicídio também, pois no final nem ele aguentava mais. Duas horas depois de sairmos de Shika chegamos em Chitre, um vilarejo bem pequeno onde tivemos que parar mais uma vez. Ali o clima começou a fechar, além da umidade que nos acompanhou desde o começo fazendo a gente suar em bicas, veio uma neblina pesada e colocamos até a capa nas mochilas, nos preparando para chuva. Saindo de Chitre são mais 2 horas até Ghorepani, e que 2 horas infernais… Degraus, degraus, degraus… Além de tortos, pra acabar com o tornozelo, os degraus são altos, pra fazer a gente fazer bastante força… foda. As 2 últimas horas foram totalmente picadas, subíamos um pouco e nos obrigávamos a parar para recuperar o fôlego e aliviar os músculos. Chegamos em Ghorepani completamente moídos, exaustos, e 8 horas depois de deixar Tatopani! Ainda não visitamos o vilarejo, mas parece ser legal e grandinho até, bem diferente do que eu esperava. O melhor de tudo é que tem wifi! Pessoas, vou falar com pessoas, conversar, descontrair, ufa!!! Com o Caio bravo comigo há vários dias, estou muito carente de bater um papo! A gente conversa com pessoas na trilha, mas é muito diferente de falar com os amigos que deixamos no Brasil. Os assuntos com quem não conhecemos são sempre os mesmos (de onde somos, quais países já visitamos, quais vamos visitar, o que estou fazendo no Nepal, etc etc etc), chega uma hora que cansa! O tempo por aqui não está dos melhores, completamente nublado, e não temos a mínima condição de subir Poon Hill amanhã depois do que passamos hoje. Pelo jeito amanhã o dia será de descanso! — Dani

Dia 31: Ghasa → Tatopani, 1242 metros

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Um dos piores dias de briga da minha vida, mas roupa suja se lava em casa e não em público. Post censurado. — Caio

Nada é tão ruim que não possa piorar. Saímos de Ghasa andando mesmo, o Caio não quis pegar o transporte. Na saída do vilarejo eu fui buscar água, que fica mais pra dentro da vila, não na estrada, e ele não quis esperar. “Você me alcança, estamos indo para o mesmo lugar”. Beleza, peguei as garrafas, busquei a água e voltei pra estrada., apertando bem o passo para alcançá-lo. O que eu não sabia é que a saída para a estrada depois da estação de água é mais pra frente e ele voltou para ver porque eu estava demorando, então eu saí na estrada na frente dele! E saí bem louca, apertando o passo. Meu coração congelou quando eu vi a bifurcação entre a trilha, que era do outro lado do rio, e a estrada. “Ferrou, e agora, por onde ele foi?”. Resolvi seguir o bom senso e ir pela estrada, que é o que estávamos fazendo nos últimos dias, e perguntei para uma mulher sentada em uma guesthouse se ela o tinha visto, e ela confirmou. Ufa, estou no caminho certo. Segui no meu ritmo galopante por uma meia hora e nada de encontrá-lo. Comecei a ficar nervosa e brava por ele não ter me esperado, e depois com muito medo de acontecer alguma coisa comigo, com ele, de não encontrá-lo e não sei mais o que. Comecei a perguntar para as pessoas no caminho se tinham visto ele e para meu desespero começaram a dizer que não. Merda. A única resposta que veio na minha cabeça é: ele só pode ter ido pela trilha! Comecei a procurar pegadas, não achei. Comecei a ficar desesperada, não sabia se ficava na trilha ou seguia pela estrada, se voltava pra trás. Que raiva, raiva, raiva! Decidi que eu precisava procurar uma ponte e entrar na trilha. Pelo número de pessoas que disseram não ter visto ele, ele com certeza tinha ido por ela e eu estava bem avançada, pois a trilha é sabidamente mais difícil do que o caminho pela estrada. Demorou, mas achei uma ponte que ligava a estrada à trilha e eu fui por ela, era a única coisa que fazia sentido! Pensei “perfeito, se ele foi pela trilha ele está atrás de mim, vou entrar aqui e esperar até ele aparecer”. Alcancei a trilha e fiquei ali, esperando, até que que vi ele andando, de longe… PELA ESTRADA! Oi??? Nessa hora fez um nó na minha cabeça, como diabos ele poderia estar atás de mim indo pela estrada?! O foda é que eu tava muito longe, no outro lado do rio… tentei gritar mas não tinha como ele me ouvir, e foi uns 15 minutos até eu descer na trilha, achar a ponte e conseguir voltar pra estrada. Dali pra frente eu praticamente corri (pense na louca correndo pela estrada, suada, com um sol de rachar e uma mochila de 10 kgs nas costas), mas só uma meia hora depois encontrei ele, sentado me esperando em uma venda, obviamente puto. O que aconteceu dali pra frente dispensa relatos, um mais irritado e cansado que o outro, uma baixaria daquelas. Andamos mais uns 40 minutos até Tatopani, em silêncio, não vendo a hora de chegar e acabar com o pior dia de trilha de todos. Estou cansada, triste e com dor no joelho pela correria que foi hoje, um dia pra esquecer. Estou bem preocupada com o dia de amanhã, pois dizem que o caminho de Tatopani a Ghorepani é pesado e meu joelho dói pra caramba. O Caio deve estar mal também, pois se foi difícil pra mim foi muito pior pra ele, minha esperança é ele querer passar o dia descansando amanhã e não ir pra Ghorepani, vou torcer. Dani—

Dia 30: Ghasa, 2181 metros

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Ainda descansando em Ghasa. Minhas pernas, abdômen e coluna doem demais. Terceira ou quarta noite dormindo quase nada pelas dores. Desisti de pegar transporte, vou andar tudo nem que seja rastejando por estradas toscas e sem graça, comendo poeira só pra jogar na cara da Danielle que consegui. Andar por aqui, onde todos já pararam na trilha, é totalmente estúpido e só serve pra orgulho e narcisismo quando ninguém mais se importa. Mas vou andar. Foda-se. Não sei como estarei em Tatopani. — Caio

Mais um dia de silêncio absoluto. Acordamos, tomamos café, voltamos para o quarto e eu comecei a arrumar a mochila para irmos. Só quando eu terminei e avisei que estava pronta para sair é que o Caio avisou que não iríamos hoje. Nem perguntei se o motivo do descanso é para irmos andando para Tatopani amanhã, mas provavelmente sim. Dia chato hoje, a única coisa que eu fiz foi buscar água na estação de Safe Drinking Water (que fica em Ghasa, mas bem afastado), valeu como passeio. Hoje a tarde me dei a alegria de devorar um pacote de biscoito de coco e acabei de acordar de uma soneca. Em altitude não dava pra descansar à tarde porque não é bom pra adaptação do organismo à altitude ficar respirando em um ambiente fechado, então eu passava a maior parte do tempo ao ar livre. Agora que estamos mais baixos acho que posso voltar à me dar este prazer! Saudades gigantescas da família e dos amigos hoje. — Dani

Dia 29: Larjung → Kalopani → Ghasa, 2181 metros

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É incrível o quanto se pode se decepcionar com alguém egocêntrico que não consegue se ver ou se botar na situação dos outros e só devolve ingratidão, esquecendo o que passou anteriormente. É melhor censurar esse dia, ou nem as dores que tô sentindo na bacia e nas pernas vão ser fortes suficientes pra não só falar palavrões e xingamentos por toda a página, de tanta raiva. — Caio

Dia terrível! O Caio acordou cansado, ainda exausto do dia anterior, não dormiu nada a noite. Deu pra ver que ele não tinha condições de caminhar. Quando tentamos conversar sobre isso ele já estava puto comigo, porque eu sou a que queria continuar andando em vez de pegar o ônibus e ignorei o cansaço dele. Então beleza, vamos de ônibus. Mas não, agora ele não queria mais, disse que se saiu andando de Jomson iria continuar andando até o final, pois ele tem TOC e não ia simplesmente pular uma cidade no mapa. TOC, sério mesmo… Quando saímos de Larjung ele estava agindo normal apesar do cansaço, mas conforme a exaustão foi chegando a raiva de mim foi piorando e as longas horas de trilha de hoje foram uma coleção de “cala a boca” e outros insultos, até uma mochilada eu levei. Ele chegou no vilarejo em uma condição triste, mal conseguiu subir a escada até o quarto e quando sentou precisou de uns 10 minutos para se recuperar antes de conseguir sequer se mexer para tomar banho. Não falou mais comigo depois disso. Acho que o objetivo desse tratamento de ogro que eu recebi ao longo do dia é para fazer eu sentir culpa, fazer eu perceber o quanto eu sou uma monstra por ter insistido para andarmos quando ele já estava bem mais cansado do que eu. Bom, funcionou, mas além de culpa o que passa pela minha cabeça agora é: orgulho é uma merda! Eu falhei em perceber que ele estava mais cansado do que eu e agora, por orgulho dele, vou continuar sendo culpada até o final da trilha. Ele não tem condições, mas vai andar até o final pra me incomodar, tenho certeza disso. A lição de hoje é: conheça muito bem a pessoa que você escolher para levar por 30 dias nas montanhas. Eu e o Caio temos uma sintonia muito boa para viajar, mas diferenças existem e em um ambiente assim se acentuam mais ainda. Eu já disse antes que “ogro na cidade é ogro na montanha”, não adianta pensar que vai ser diferente. Mas se o ogro te manda calar a boca na cidade você vai fazer as suas coisas, fica na sua até que a poeira baixe e vocês resolvam. Agora, se o ogro te manda calar a boca na montanha, só sobra você… e a montanha! É difícil, o isolamento piora a tristeza e o sentimento de solidão e começa a dar saudades da família, dos amigos… Hoje eu só quero esperar essa ira toda passar pra resolver isso, enquanto isso vou procurando outros jeitos de me distrair, o que é difícil em um lugar vazio, onde não tem comunicação e a única tomada disponível pra carregar qualquer coisa para de funcionar sem aviso a cada 5 minutos. O lodge que estamos hoje é bom, encontramos um chuveiro quentinho, e o dono é um nepalês curioso que só vendo, que adora futebol, sabe várias coisas do Brasil e quer porque quer ver fotos do país! O Caio deu a sua camiseta do Brasil pra ele e ele adorou! — Dani

Dia 28: Jomsom → Marpha → Larjung, 2570 metros

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Tentamos acordar bem cedo mas foi difícil. O corpo sabe que a trilha tá no fim e não quer mais colaborar. Acordei dolorido, dormi mal mais uma vez. Tive pesadelos com família. Tomamos um café simples e saímos. Conseguimos economizar, então mesmo não parando em Marpha pra dormir resolvemos ir lá só pra comer a tal torta de maça que fazem. Eles são famosos pelas maças, mas decepcionaram. Vila zoada, e torta de maça falcatrua. Eu faço uma melhor. Após a parada, o vento e a poeira do outro dia voltaram, no mesmo horário. Tô simplesmente esgotado de andar contra o vento, não quero isso de novo. Precisamos ver algum transporte até Tatopani ou não vou aguentar. A comida tá demorando, tô morto de fomo e sede. Na garganta agora só tem poeira. Paramos numa pousada imunda… que merda. — Caio

O trecho de hoje foi de 5 horas, pela estrada e novamente cheio de pó e vento! Tomamos um café da manhã leve em Jomsom porque tínhamos um objetivo: parar em Marpha, vilarejo famoso por ser produtor de maçãs, e comer uma apple pie. Andamos 1 hora e meia até lá para descobrir que o vilarejo não é como nos descreveram, bonitinho e cheio de vendas de maçã e coisas de maçã por todos os lados. Na verdade é bem pequeno e não encontramos nenhum restaurante anunciando isso, acabamos entrando em um qualquer e pedindo a torta por lá. No quintal eles tinham macieiras, então pelo menos era fresco, mas a experiência foi bem “mé”, acho que a expectativa estava alta demais, torta bem mais ou menos. Depois de Marpha continuamos seguindo pela estrada e o vento começou a chegar de novo. Não foi tão forte como o vendaval do outro dia, mas o suficiente para a poeria começar a incomodar. O Caio está super desanimado com isso, pois estamos os dois bem cansados e andar pela estrada com vendo realmente não é muito motivador. Eu concordo, mas pra mim seguir andando até o fim é muito importante, falta muito pouco e eu sonhei e planejei muito isso, virou quase uma questão de honra. Não estou muito a fim de pegar transporte até Tatopani, mas se ele continuar pedindo não vai ter jeito, não posso obrigar o coitado a andar, pois está pesado mesmo! Chegamos em Larjung mortos e não escolhemos muito onde ficar, entramos no primeiro com uma cara decente, mas nos arrependemos! Fizeram um desconto bom no quarto, mas nosso almoço demorou uma hora e meia pra chegar e fomos descobrindo que o lugar é bem sujinho. A porção de comida veio tão pequena que o Caio teve que pedir outra. Ainda não testamos o chuveiro, mas espero que pelo menos isso seja bom, tô precisando muito de um banho e de descanso! — Dani

Dia 27: Jomsom, 2742 metros

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…e resolvemos ficar e aproveitar o melhor chuveiro do mundo e o melhor curry de todos. Com internet no quarto então, ficava difícil resistir às dores nas pernas. Almoçamos após acordar bem tarde, vendo locais trabalhando na expansão da pousada antes da alta estação começar. Um menino de uns 12 anos carregava cestos de cimento preparado por uma escada tubular de metal fininha. Ela envergava com o peso todo. Vira e mexe passa um monomotor levantando vôo. Nossa pousada é literalmente ao lado da pista de pouso que tem aqui. Um avião de asa longa levaria a pousada, os pedreiros, a gente, chuveiro, tudo. Mas dane-se, eles fazem o melhor curry do Nepal! Pela parada extra amanhã não pararemos em Marpha mais, é Larjung direto. — Caio

Acordamos hoje às 6h30 com a intenção real de seguir até Larjung. Mas não deu. A trilha com vento de ontem derrubou a gente e não teve jeito de seguir hoje. Acordamos morrendo de dor no corpo todo e eu pensei até em seguir até Marpha, metade do caminho até Larjung, e dormir lá, mas o Caio disse que precisava de um dia 100% parado para se recuperar, então ficamos. Demos uma volta rápida pelo vilarejo para comprar algumas coisas (aproveitar que Jomsom tem de tudo), mas passamos o resto do tempo descansando, vendo séries, lendo… Ah como é bom ter tomadas novamente! — Dani

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