Feliz 2014!

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Chegou a hora de dar tchau pra 2013, um ano que pra gente foi inesquecível. Foi o ano de realizar o que ficou na cabeça e no papel por muito tempo, de conhecer lugares onde nunca imaginamos estar, de realizar sonhos e de aprender muito!

Mas o melhor de tudo é que 2014 está chegando novinho em folha, pra gente fazer dele o que quiser. Já que é hora de renovar os votos, pra todo mundo que deu uma passada por aqui esse ano, para 2014 desejamos…

Que tenha fartura…

Caio devorando um sanduichezinho em Sorrento, na Itália

Caio devorando um sanduiche humilde em Sorrento, Itália

…mas também saiba ser criativo nas dificuldades.

Sanduíche de ovo era o que tinha pra comer em Lauterbrunnen, Suíca.

“Sanduíche de ovo” era o que tinha pra comer em Lauterbrunnen, Suíça.

Que faça novos amigos.

Dani e Jorda, nosso colega de quarto em Johanesburgo, África do Sul

Dani e o Jorda, o lobo da nossa couchsurfer em Johanesburgo, África do Sul

Que tenha tempo pra relaxar…

Curtindo o descanso e a vista em Plettenberg Bay,  África do Sul

Curtindo o descanso e a vista em Plettenberg Bay, África do Sul

… mas que não falte ânimo pra chegar o quão alto quiser chegar!

Caio e Dani a 5.419m no Thorung La Pass, no Nepal

Caio e Dani à 5.419m em Thorung La, Nepal

Que se permita ser meio bobo às vezes.

Caio curtindo uma água de coco em Siem Reap, Cambodia

Caio curtindo uma água de coco em Siem Reap, Cambodia

Que tenha coragem sempre que precisar.

Dani atravessando o precipício a caminho do Tilicho Lake, no Nepal

Dani atravessando o precipício a caminho do Tilicho Lake, Nepal

Que não tenha medo de experimentar coisas novas.

Um bichinho no nosso Pad Thai em Bangkok, na Tailândia

Um bichinho no nosso Pad Thai em Bangkok, Tailândia

Que vença medos de infância.

Dani faceira plantando bananeira em Koh Lanta, na Tailândia

Dani faceira pela primeira vez plantando bananeira em Koh Lanta, Tailândia

Que realize algum sonho.

Dani saltando para o primeiro mergulho em Koh Tao, Tailândia

Dani saltando para o primeiro mergulho em Koh Tao, Tailândia

Que conheça lugares famosos…

dani e Caio no Musou do Louvre, em Paris, França

Dani e Caio no Museu do Louvre em Paris, França

…mas também paraísos escondidos.

A praia linda, isolada e vazia de Agia Theodotis na ilha de Ios, da Grécia

A praia linda, isolada e vazia de Agia Theodotis na ilha de Ios, Grécia

Que saiba improvisar!

A bota abriu no meio da trilha no Nepal? Silver Tape nela!

A bota abriu no meio da trilha no Nepal? Silver Tape nela!

Que finalmente comece a malhar…

Caio provando que é forte nas Pirâmides de Giza, no Egito

Caio provando que é forte nas Pirâmides de Giza, Egito

…ou que finalmente comece aquela dieta.

Lanchinho da tarde em Avignon, na França

Lanchinho da tarde em Avignon, França

Que veja que o melhor da vida é de graça! Seja uma paisagem…

Matheson Lake, Nova Zelândia

Mount Cook e seu reflexo no Matheson Lake, Nova Zelândia

…ou dormir de conchinha!

Luffy e Nesquick, nossos colegas de quarto em Barcelona, na Espanha

Luffy e Nesquick, nossos colegas de quarto em Barcelona, Espanha

Que contemple.

Caio no alto da Table Mountain, na Cidade do Cabo, Áfica do Sul

Caio no alto da Table Mountain na Cidade do Cabo, Áfica do Sul

Que sinta.

Dani no templo de Philae, em Aswan, no Egito

Dani no templo de Philae em Aswan, Egito

Que tenha companhia pra dividir tudo isso!

Lake Taupo, na Nova Zelândia

Lake Tekapo, Nova Zelândia

Que ame… ame muito.

Smack no Tilicho Lake, Nepal

Bitoca no Tilicho Lake, Nepal

E por fim, que nunca se esqueça do mais importante…

Nosso presente de partida que está guardando nos esperando em Curitiba :)

Nosso presente de despedida que tá nos esperando em Curitiba, Brasil :-)

Feliz 2014! :-)

Ano novo de bicicleta por São Francisco!

Ano novo de bicicleta por São Francisco!

Nossa nova casa

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Minha casa e meus pertences (Rogério Oliveira)

Um dia, conversando com uma amiga, ela me perguntou como é ficar esse tempo todo sem nada. Peguei um susto pois achava que tinha tudo. Na hora fiquei sem resposta e fiquei pensando sobre isso por uns dias. Deveria ter respondido assim:

Tenho um quarto que nem sempre é só meu, mas não me importo em dividi-lo. E ele tá sempre diferente, ora com uma cama de solteiro, ora com vários beliches, pra não enjoar. A decoração também sempre muda: a cortina, os quadros da parede e a mesinha nunca permanecem no mesmo lugar. A vista da janela, que engraçado, está sempre mudando, tem umas horas que vejo e tem uma praia, depois tem um templo, outra hora eu me espanto e só vejo prédios e quando eu volto só vejo montanhas. Tem vezes que o quarto nem é meu, mas o dono faz com que eu me sinta como se estivesse em casa, então pronto o quarto agora é meu também.

Meu guarda-roupa eu carrego nas costas, ele não tem prateleiras, gavetas e nem cabides mas tem todas as roupas que preciso, um chinelo e um tênis. Basta. As coisas mais importantes de uma estante andam comigo: livros, computador, caderninho de anotações e uma caneta. Porta-retrato? Não preciso, penduro na memória a imagem do lugar ou das pessoas que gosto. Agenda também não se faz necessária, vou resolvendo os compromissos à medida que eles surgem, não tem nada preestabelecido, a ordem do dia é ditada de manhã ou na noite anterior. Tenho sempre cama com lençóis limpos e levo minha toalha, que na verdade não é uma toalha de verdade e sim uma fralda da Sofia (minha afilhada) que enxuga muito bem, seca rápido e não pesa nem ocupa espaço.

Não uso relógio, hora de comer é quando me dá fome, hora de dormir é quando não aguento mais de sono, hora de voltar pra casa é quando estou cansado e a hora de sair é quando termino de trocar de roupa. Se não tem viagem marcada, a hora de acordar é quando o corpo acha que descansou o suficiente.

Tenho uma máquina fotográfica, que se encarrega de congelar e eternizar as cenas que tenho visto. As imagens capturadas por ela ajudam a dar forma nas histórias que conto e vão me fazer viajar quantas vezes eu quiser depois que eu voltar pra casa.
Tenho sempre banheiro, seja ele perto do meu quarto ou em algum lugar pelo caminho. Ultimamente muitos de meus banheiros nem tem vaso, só um buraco no chão mas faz o mesmo efeito. O que poderia estar na prateleira, levo numa pequena bolsa: escova, pasta, sabonete e desodorante.

A sala de estar eu troco sempre, umas tem televisão que nunca assisto, outras têm sofás onde sentam pessoas que não conheço.Taí uma boa oportunidade de fazer novas amizades e trocar uma ideia. Ás vezes tenho estantes na sala com outros livros, revistas, jogos que nem sei jogar… Mas normalmente, na sala de casa sinto uma atmosfera vibrante, cruzo com pessoas sentadas no mesmo barco que eu e estão remando para lugares aonde já fui ou pra onde estou indo.

Tenho usado bem pouco a cozinha, tenho sempre quem cozinhe pra mim, não preciso de panelas, fogão e liquidificador. O menu é sempre diferente, escolho o que me apetece e o que minha curiosidade pede. A mesa e as cadeiras estão sempre dispostas de forma diferente no café, no almoço e no jantar. Não tenho aquele monte de coisa amontoada na gaveta nem no armário: peço emprestado o prato ou a tigela, o copo e os pauzinhos (talheres). O bom é que não preciso lavar tudo depois, é só levantar e sair. Não tenho geladeira, mas sempre tenho minha garrafa pra beber água depois de escovar os dentes antes de dormir. Não tenho minha goiabada pra comer depois do almoço, mas sempre acho um mercadinho pra comprar um doce.

Sem dúvida, a parte da minha casa que mais gosto é o quintal. Ele também sempre muda cada vez que passo pela porta. Acho que não é uma porta, é um portal mágico. Lá nem sempre as pessoas falam a mesma língua ou têm a mesma religião. As fisionomias mudam assim como a moeda que elas usam pra comprar coisas tão diferentes. Tem hora que estou no meu quarto, tão compenetrado no que estou lendo ou escrevendo, que até esqueço que no meu quintal tem um outro mundo completamente diferente. No meu quintal não tem plantas para regar, um cachorro abanando o rabo pra mim e nem roupas no varal, mas tem o que me deixa profundamente feliz: o mundo.

Saúde around the world

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Quando se viaja pra longe e por tanto tempo, é certo e natural que coisas dêem errado em algum ou vários momentos. Só que tem uma coisa que nos causa um medinho especial: ficarmos doentes.

Quando falo de ficar doente, não me refiro a uma gripe, enxaqueca, prisão de ventre, joelho ralado, essas coisas passam com um remedinho básico ou uma boa dose de paciência, senta e espera. Estou falando aqui de malária, febre amarela, sarampo, difteria, mal de altitude… aí o bicho pega!

Após algumas pesquisas, descobrimos que existe uma clínica aqui em Curitiba especializada em medicina do viajante! Nos consultamos com o Dr. Jaime Rocha e gostamos bastante das dicas e das preocupações dele, que agrupamos no resto deste post :-)

Remédios

“Não mãe, não dá pra levar a farmácia inteira dentro da mochila” :-P

Embora a gente possa ter 365 tipos diferentes de incômodos, muitos deles são suportáveis sem ser necessário utilizar medicamento. A dica é focar em dois grupos de remédios: os de sempre e os de nunca.

Os remédios de sempre são aqueles que nunca faltam na sua casa e que você costuma tomar, para os incômodos que você tem com frequência. Eu tenho crises de rinite de tempos em tempos, então estou levando o remédio que eu tomo habitualmente. O Caio tem enxaquecas e está levando o remédio “preferido” dele.

Caio diz... que fique registrado que por mim só levaríamos os remédios realmente pra casos extremos, remédio de dor de cabeça é demais…

Os remédios de nunca, são aqueles que seu médico vai receitar e que é importante você levar, mas você torce pra eles voltarem fechadinhos e você doar para algum hospital. Na nossa lista estão remédios para diarréia brava, vômito estilo exorcista, crise alérgica forte, candidíase e cistite. Não quero não, obrigada :-)

Uma palavra muito importante: receita! Uma sacolinha cheia de remédios é um prato cheio para aquele mala te barrar na entrada de algum país. Por isso, peça para seu médico fazer uma receita em inglês dizendo que é seu médico, que você estará viajando por um período longo de tempo e que por isso precisa carregar os remédios X, Y, Z.

Vacinas

Nessa parte, o médico do viajante foi essencial. Em nossa primeira consulta, levamos para ele a lista dos países que iríamos visitar, ele identificou os principais riscos e pediu uma lista gigantesca de exames de sangue, pra saber a quais doenças já éramos imunes. Em nosso retorno com os exames em mãos, ele nos receitou as vacinas de febre amarela, febre tifóide, difteria e tétano (dupla), sarampo, caxumba e rubéola (tríplice) e hepatite A.

Caio diz... malandro… foi foda, mas se é pra fazer, vamos fazer direito né

Para nossa sorte e saúde financeira, grande parte das vacinas que o médico receitou é fornecida pela rede pública. A única parte chata é que algumas delas precisam ser tomadas no mesmo dia ou com um intervalo de 30 dias entre elas… como não tínhamos 30 dias dando sopa pra tomar separadamente, precisamos encarar 3 picadas no mesmo dia e uma semana inteira parecendo que tinhamos sido atropelados por um trator (dor de cabeça, dor no corpo, febre leve). Não é o fim do mundo, mas já se prepare pra isso, dica de amigo :-)

Pra quem não pretende se consultar com o médico do viajante, o jeito é pesquisar na internet pra saber a quais riscos estará exposto. Esta lista de riscos por destino tem informações úteis e pode ajudar.

Água

Água era uma preocupação grande na viagem, principalmente pra mim, Dani, que bebo água o tempo todo. Na maioria dos países da Europa, tomar água da torneira é aceitável e seguro, mas nossos destinos incluem países onde essa segurança não existe.

A primeira opção (e a mais em conta) para os locais onde a água não é potável são as pastilhas purificadoras à base de cloro. Elas eliminam os principais microorganismos causadores de doenças, mas não não são eficazes contra vírus e, dizem, deixam um gosto na água (não sei dizer quanto, ainda não testei).

A segunda opção é a garrafa com filtro acoplado, que decidimos comprar. A nossa é da Katadyn e tem um filtro de 3 estágios (contra vírus, bactérias, protozoários e cistos) e promete melhorar o gosto devido a um filtro de carvão ativado. O preço é salgado, pagamos R$ 280 (nunca pensei que pagaria quase trezentos reais em uma garrafa de água!), mas pareceu uma solução mais simples: é só pegar água de qualquer lugar, até de uma poça de água, e beber.

Caio diz... acho a Katadyn tosca, bico horrível, vai quebrar… e isso foi pela Dani que é uma esponja com água, eu sou mais camelo (corro 10km sem água, não ia sentir falta a não ser no Nepal)

Seguro de Viagem

Na hora de escolher o seguro viagem, é preciso pensar que mesmo com as vacinas, remédios e preocupações com prevenção, você pode acabar tendo uma úlcera enquanto estiver no Nepal ou descobrir uma pedra no rim na Tailândia. Um seguro bom é aquele que tenha um número de telefone fácil de ligar, que garanta que vai atender você no local onde você estiver e, se tudo o mais falhar, te trazer de volta pra casa. Pra tomar a nossa decisão, levamos em consideração os valores da cobertura para assistência médica e odontológica por evento, assistência farmacêutica, expatriação (no caso de doença grave ou morte), seguro de bagagem extraviada e, logicamente, o preço do seguro.

Tentamos um patrocínio do BB Seguros, que infelizmente acabou não rolando, e então partimos para analisar as demais opções, algumas apresentadas pelo nosso agente de viagem e outras que encontramos pela internet. Analisamos as empresas Coris, GTA e World Nomads (a preferida dos gringos). As coberturas das 3 pareceram bem similares e acabamos desempatando pelo preço mesmo. Quem levou foi a Coris, e pagamos R$ 1.232 por pessoa para o plano advance anual, com uma cobertura de 9 meses.

Assim como qualquer outro seguro, só vamos descobrir se ele realmente vale a pena na hora do aperto. Esperamos que esse dia não chegue, mas se chegar contamos aqui como foi!

E na prática?

Agora que estamos viajando por pouco mais de três meses, e já estamos no segundo continente, podemos dizer melhor o que funcionou ou não de cuidados com saúde. Definitivamente você vai querer viajar com mais remédios pra diarréia. Achamos muito três caixas e trouxemos uma só e já praticamente tá no fim e a viagem ainda tá nos 30%… faz as contas e verá que um país mais sujo (como Egito) acaba com remédios.

Dores de cabeça são comuns também, acho que mais que o normal porque você anda o dia todo sob o sol e tal, mas dá pra comprar nos lugares se precisar muito. A não ser que a dor de cabeça venha junto com alguma alergia. Com alguma frequência a Dani tem ataque de alergia (rinite) e tá usando bastante o remédio dela pra isso, então é bom se tivéssemos trazido uns extras porque tão acabando já.

É isso :-)

“Queria saber o que estão pensando agora”

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Resposta simples: dá uma olhada e ouça as músicas que botamos numa espécie de rádio da nossa viagem, talvez ajude a entender o que estávamos, estamos, e o que estaremos sentindo muito em breve. Cada música tem um motivo pra estar ali, na lateral do site, são todas nossas favoritas por algum motivo bem especial.

Thunder Road, Bruce Springsteen
Dog Days Are Over, Florence and The Machine
Roll Away Your Stone, Mumford & Sons
Absolute Beginners, David Bowie
Dancing in the Street, Bowie David
Sea Of Love, Cat Power
Tree Hugger, Antsy Pants
Upside Down from Here, Atom and His Package
Falling in Love, NOFX
Champs Elysees, NOFX
Don’t Worry Be Happy, Bobby McFerrin
Sunday Morning Coming Down, Me First and the Gimme Gimmes
You’re Wrong, NOFX
No Ceiling, Eddie Vedder
Rise, Eddie Vedder
Society, Eddie Vedder
Guaranteed, Eddie Vedder
O Vento, Los Hermanos
La Mer, Charles Trenet
Freedom, Yothu Yindi
Adagio, Albinoni
Autobahn, Kraftwerk
Around The World, Daft Punk
Rebels of the Sacred Heart, Flogging Molly
The Son Never Shines, Flogging Molly
If I Ever Leave This World Alive, Flogging Molly
Expressway to Your Heart, Blues Brothers
No Particular Place to Go, Chuck Berry
Walk Like An Egyptian, Bangles
Leaving on a Jet Plane, Frank Sinatra
I’m Gonna Be (500 Miles), The Proclaimers
Living La Vida Loca, The Toy Dolls
Hakuna Matata, Lion King
Make Your Own Kind of Music, The Mamas & the Papas
Shine, Laura Izibor
Vienna, Billy Joel
Homeward Bound, Simon & Garfunkel
Forever Young, Bob Dylan
Crazy, Me First and the Gimme Gimmes
Much Too Young (to Feel This Damn Old), Me First and the Gimme Gimmes
The Cave, Mumford & Sons
Highway 101, Social Distortion
Stars, Les Miserables
Live Before You Die, Social Distortion
One More Hill, Greg Graffin
Hay un amigo en mi, Gipsy Kings
Everybody’s Changing, Keane
Sin ella, Gipsy Kings
Luzeiro, Almir Sater
Flowers Are Pretty, The Vandals
Alright, Super Grass
The Final Countdown, The Toy Dolls
So Long, Farewell, The Vandals
A Walk, Bad Religion
Better Things, Marky Ramone
Blind, Face to Face
Because You’re Young, Cock Sparrer
We’re Coming Back, Cock Sparrer
I’m On My Way, The Proclaimers
Cool Kids, Screeching Weasel
O pastor, Madredeus
Bicho De 7 Cabeças, André Abujamra
Ouro De Tolo, Raul Seixas
Wake Up, Arcade Fire
As ilhas dos Açores, Madredeus
Always Look On The Bright Side Of Life, Monty Python
Viva la Vida, Coldplay
O Trenzinho Caipira, Kraunus Sang & Maestro Pletzkaya
Velha e Louca, Mallu Magalhaes
Shake It Out, Florence and the Machine
O Conforto dos teus Braços, Rita Ribeiro
Eat the Meek, NOFX
On the Road Again, Willie Nelson
Perhaps Love, John Denver
The Galaxy Song, Monty Python
Trans Europe Express, Kraftwerk
Rubber Biscuit, Blues Brothers
Festival, Sigur Rós
Bring Him Home, Les Misérables
After You’re Gone, The Proclaimers

Coisas que ficam para trás…

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arvore

Muita coisas ficam para trás em uma viagem RTW, afinal não tem como dar uma volta no planeta todo sem simplesmente esquecer da sua vida anterior. A lista de coisas pode ser material, emocional, grande, longa, enfim. Varia de pessoa pra pessoa, naturalmente.

Para mim, Caio, tentei deixar para trás o mínimo de segurança para quando voltássemos; sim, embora muitos duvidem, nós voltaremos, eventualmente. Procurações para tomarem conta de nosso apartamento, nos ajudarem com bancos e até com burocracia das faculdades já que saímos do Brasil pouco tempo antes de recebermos nossos diplomas. Até nossas plantas, que simplesmente adoramos, vão ficar bem cuidadas por alguém. Nossas contas de condomínio etc, idem. Nossos móveis que compramos pensando a longo prazo vão ficar. Nossos livros vão ser abandonados. Nossas roupas, doadas. Tudo fica para trás, menos o que cabe em uma mochila.

Sair do trabalho foi mais complicado que eu esperava, me senti mal em deixar pra trás um pessoal tão bom e um ambiente tão legal e estimulante (após algum tempo me fodendo por aí). Eu jurava que não sentiria falta do trabalho, mas me enganei, gostaria de um dia até voltar pra lá. Coleguinhas, vocês sabem quem vocês são :-)

As nossas coisas materiais mesmo não foram problema. Fizemos bazares, doamos muitos itens pros porteiros daqui do prédio etc, foi fácil. Nossos pais toparam dividir as caixas de coisas pra guardar inclusive, facilitou um monte as nossas novas vidas, e que bom que eles tinham espaço pra acumular tanta caixa de papelão. No início pensamos em alugar um contâiner para deixar tudo lá, mas não sentimos segurança nas empresas que fazem isso aqui. Infelizmente a cultura do “self storage” americana não colou ainda no Brasil. No fim das contas, pais são sempre mais confiáveis.

Pelo lado emocional, e até psicológico, ficam nós mesmos. Uma RTW não é algo ao qual sua personalidade sobrevive, sinto muito. Sabemos que o Caio e a Dani que irão voltar não são os mesmos que saíram. A enorme quantidade de despedidas que tivemos foi maior do que as de conhecidos que foram morar fora do país até, mas faz sentido, eles continuarão os mesmos, nós não. De certa forma aproveitamos pra nos despedirmos da gente mesmo, até cansar.

Na realidade, tudo pode dar tão errado que precisaremos voltar dentro de alguns poucos meses, sei lá, e aí sim voltamos nós mesmos, mas absolutamente frustrados. É uma possibilidade real… mas à princípio seremos completamente diferentes em questão de valores depois de quase um ano mochilando. Meu medo não é voltar diferente desse jeito, meu medo é voltar antes da hora, só isso.

Minha natureza mais ou menos estóica facilitou um bocado pra mim, acho. Não sei pra Dani. Ter na sua cabeça a certeza que tudo um dia perderá seu valor, tudo um dia vira pó e que é mais uma questão de como você aproveita as coisas e não como se recorda delas, às vezes triste em um quarto. Isso ajuda bastante dentro de você. Dito isso, se parar para pensar bem, praticamente nada fica para trás, afinal esse medo todo está só na sua cabeça. O mundo não se importa.

O que fica enfim são as nossas famílias, fantásticas, e amigos, que nos apoiaram em tudo, absolutamente. Todos esses nós vemos em breve :-)

Tic, tac, tic, tac

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nepal

Nossas experiências com couchsurfing

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Antes de falarmos dos nossos colegas couchsurfers e porque vamos viajar assim, se liga nesse vídeo muito animal que fizeram. Ilustra bem o que é couchsurfing!

Entramos em 2008 no CouchSurfing.Org por comentários de amigos que participavam e logo pareceu uma idéia legal: receber pessoas do mundo todo viajando querendo conhecer culturas, e também ser recebido igualmente. Muita gente desconfia e tem medo, mas os viajantes do site precisam de um mínimo de informações públicas no perfil, além de dar mecanismos de segurança. Não é como encontrar um estranho na rua e convidá-lo para entrar na sua casa. Você vê o perfil da pessoa antes e decide se as informações que ela forneceu são suficientes pra te deixar tranquilo. Se sim, libera o sofá!

Basicamente você entra no site, se cadastra, cria um perfil, confirma seu endereço através de uma taxa única no cartão de crédito e espera alguém pedir seu sofá emprestado pra uns dias. Se a experiência for legal, rola recomendações públicas, se for muito legal, rola uma espécie de voucher dizendo em outras palavras “essa pessoa é muito legal e confiável”. Tudo de graça, pra conhecer lugares através dos locais. Sem abuso, na camaradagem.

Não recebemos muitas pessoas até hoje, mas foram todas marcantes por algum motivo: um paulista simplesmente querendo um hotel barato sem muito papo, um francês ligado em 220v, um casal polonês dando uma volta ao mundo ainda mais animal, dois parceiros viajando o brasil numa moto velha (um argentino e outro australiano), e uma sueca de família iraniana.

Nossa primeira experiência, o tal paulista, nos marcou simplesmente por ser uma demonstração de como não fazer couchsurfing. Couchsurfing não é hotel, não é pousada barata. Tem que conversar, conhecer, se enturmar de alguma forma, qualquer forma. Pra quem quer surfar um sofá sem ser um mala, fica a dica: pesquise no perfil ou nas fotos da pessoa que vai te hospedar informações sobre o que ela gosta de fazer, puxe assunto, converse, pergunte, seja curioso. Nenhum host é obrigado a ficar olhando pra sua cara em silêncio enquanto assiste TV. Seja um surfer gente boa!

Esse perfil de surfer agradável era exatamente o perfil do Lou Alundra, o tal francês ligado no 220v. Ele ficou pouco tempo na nossa casa mas era um cara alto astral, super gente boa, engraçadíssimo. Fomos escalar com ele, levamos ele na feirinha do bairro onde nos divertimos com ele berrando “merda” em francês, achando que ninguém entenderia e mijamos de rir vendo Charlie The Unicorn, que ele nos mostrou pela primeira vez. Esses dias, porém, foram meio tristes. Só agora, quando fomos atrás dele pra nos hospedar em Paris, ficamos sabendo que ele morreu, um ano após ter ficado na nossa casa, e de um jeito bizarro demais pra falar aqui… ficamos bem chocados. Ele era um cara que sem dúvidas iríamos curtir encontrar de novo, uma pena :-(

Esse é o Lou com a mãe dele, que se tudo der certo visitaremos.

lou-alundra-couchsurfer
Já os poloneses Mateusz e Ania são talvez a outra força por trás da nossa vontade em viajar. Eles fizeram uma RTW ainda mais alucinante que a nossa, acampando mesmo, coisa de amor pra toda vida o cara levar a menina pra dormir sobre rochas pontiagudas numa montanha da Nova Zelândia no frio absurdo, onde filmaram Mordor nos filmes do Senhor dos Anéis! Os dias com eles foram bem tranquilos, eles estavam bem cansados e foi divertido fazer coisas banais como jogar video game, comer pastel e conversar. A idéia de montarmos um site, ir atrás de patrocínio e fazer a viagem como mochileiros veio deles :-)

mateusz-ania-cs
O Exequiel e o Tom, argentino e australiano, também foram uma forma de inspiração para viajar, mas nos deixaram com a sensação de que a nossa viagem é a mais segura e bem planejada possível: eles estavam viajando juntos pelo Brasil, indo do sul ao norte numa Honda CG dos anos 80 (sério). Chegaram em casa encharcados de chuva, tremendo de frio, tinham sido quase atropelados na estrada, foram assaltados por policiais, ambos meio que fugindo de problemas em casa. Dois pivetes. Triste e alegre ao mesmo tempo.

exequiel-tom-cs
Nossa última experiência foi a Sima, sueca de família iraniana que tava estudando Curitiba e queria vir pra cá entrevistar pessoas pra faculdade de planejamento urbano dela e experimentar a região sem romantismo e markenting da TV. Se virou bem andando sozinha de ônibus, teve algumas noites movimentadas (cof cof) e aprendeu até a cantar funk e dançar tango no meio da rua. Bem louquinha e engraçada, fomos seus primeiros hosts no esquema de couchsurfing!

sima
Se você um dia pensa em fazer uma viagem com couchsurfing, disponibilize seu sofá antes. Muitas pessoas pensam em couchsurfing como uma maneira de economizar dinheiro e acham que basta entrar no site, pedir um sofá e a noite de sono tá garantida, mas não é bem assim… vale a pena receber as pessoas antes pra entender o esquema e pegar o jeito.

Já falamos, mas não custa repetir: couchsurfing não é hotel! Nós escolhemos viajar com couchsurfing pra conhecer pessoas legais, trocar experiências e, principalmente, dicas do lugar onde você está, pois isso vale ouro. Só um local vai saber te dizer onde realmente é barato comer, como é a forma mais rápida de chegar em determinado lugar e mostrar pra você aqueles lugares fantásticos que não aparecem em guia turístico.

Nós tentamos ser hosts legais para nossos surfers, mas agora é a nossa vez. Esperamos que dê tudo certo :-)

Pra onde vamos, e como montar o seu roteiro

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Escolher pra onde queríamos ir foi menos complicado do que pensávamos. Claro que todo mochileiro quer ir pra todos os lugares, aí a lista começa com 100 países e termina com 10, é normal, mas meio que sabíamos (por estudar o assunto) caminhos mais ou menos comuns em viagens de volta ao mundo (RTW) ou que seriam fáceis de fazer.

O difícil ao montar o roteiro da sua viagem RTW acho que é fazer tudo encaixar: datas com lugares, com estações do ano, com tempo de permanência, com dinheiro e com disponibilidade de hospedagem. Acho que mudamos pouco a lista abaixo; o segredo é sempre ir validando seu roteiro em ferramentas e simuladores de bilhetes RTW, que vamos falar em outro post como funciona.

Mas tá aí! Nossa criaçãozinha, o roteiro da nossa volta ao mundo.

Confirmados: África do Sul, Egito, Grécia, Itália, Suíça, França, Espanha, Nepal, Tailândia, Nova Zelândia, Estados Unidos. Talvez: Portugal, Inglaterra, Alemanha, Austrália

roteiro

África faremos os extremos, mas sem passar pelo miolo do continente por questão de segurança (uns 50%) e falta de grana (outros 50%, queríamos ir pra Tanzânia). Alguns dizem que a África de verdade é o miolo mas pffft… na Europa faremos uma espécie de circuito sul-oeste (de ônibus), porque estamos limitados no tempo sem visto no continente então a idéia é literalmente fazer a volta nela começando e terminando na Suíça, que tem boas conexões de vôos. Ásia infelizmente não conheceremos muito: Japão e China são chatos demais pra vistos, acredite, nem sei se vale a pena por isso. Nepal e Tailândia tá bom o suficiente, parece ser como conhecer o Acre e a Fernando de Noronha deles. Oceania e América do Norte não tem segredo, vamos nos clássicos, mas se der certo faremos um pit-stop em Fiji pro aniversário da Dani. Torçam pra dar certo ou eu dormirei no sofá nos próximos anos!

Com relação às datas e tempo de permanência em cada lugar, tivemos sempre uma preocupação na cabeça: manter a bagagem leve. Isso significa não precisar carregar roupas e calçados pesados em nenhum dos nossos destinos. Baixamos as temperaturas e volume médio de chuva de cada uma das cidades que pretendíamos visitar (o site www.worldweather.wmo.int é bem simples mas pode ajudar nesta tarefa) e fizemos um trabalho de recorte e colagem no roteiro, tirando uma semana em um lugar e colocando naquele, tudo para visitar o máximo possível de países durante o verão. Como nem tudo são flores, acabaremos visitando o Nepal e Tailândia no finalzinho da época de monções, o que pode trazer certos problemas.

Nosso roteiro é um dos mais RTW que muitos por aí, podemos garantir. Muita gente fala que fez uma viagem RTW e quando vê é um americano indo pro sul da Ásia, ou uma européia que vem pra América do Sul e vai pra Oceania rapidinho. Fizemos questão de passar por todos os continentes… bom, menos Antártida, mas isso é pra férias futuras. Inclusive nosso planejamento já engloba férias mesmo, visto que com a quantidade de milhas que ganharemos poderemos facilmente dar uma outra viajada legal, nem que seja pra gastá-las no decorrer da RTW.

E ah! Falando em férias, se cada um desses destinos fosse um período de férias, isso significa que nossa RTW é praticamente uns 10 anos de férias, nada mal hein!

Claro que um roteiro desse nunca é perfeito. A gente queria ficar mais tempo na Europa pra ver mais lugares, mas não podemos pelo limite de 90 dias pra brasileiros, ou garantir lugares na Ásia e Oceania, mas não deu, paciência :-)

Montando o seu roteiro

Pra montar seu roteiro, sugiro seguir esses mandamentos abaixo. Não são os únicos, mas caso de paute por eles garantimos que não vai dar com os burros n’água :-)

  • Pense como uma transportadora: você tem que ir direto e num fluxo contínuo pelo mapa, nada de voltas e mais voltas ou cruzar o mesmo caminho várias vezes (i.e. vai aumentar muito seu custo).
  • Viaje leve: tente seguir a rotação do planeta (sim!), viajando na velocidade das estações do ano dos lugares, assim evita ter que cobrir muitos cenários diferentes como inverno, verão e sei lá o quê aonde.
  • Faça com tesão: se percebe que cortou demais, ou tá enrolado demais e não é o roteiro dos seus sonhos, pare e comece de novo, uma viagem RTW é pra gastar muita energia e recursos, se o roteiro não estiver minimamente legal pra você…
  • Diversifique: não vá pra lugares onde já foi… se precisa ir por algum motivo, vá pro outro lado do país, passe por lugares bem diferentes entre si, conheça coisas, afinal é essa a graça da viagem.
  • Risque e rabisque: imprima um mapa se você não é familiarizado com geografia (sério!), use Google Maps, rabisque, olhe em um globo, experimente assim. Acredite, desenhar roteiros ajuda bastante a prever problemas na rota, além de usar o Google pra ver se é viável.

Dito isso, eu diria que um roteiro RTW bastante natural é, sem falsa modéstia, o nosso. Ele não é longo, passa por lugares variados, segue um fluxo contínuo no mapa e num sentido só do planeta, ou seja, vamos aproveitar praticamente um ano todo de verãozinho :-)

Num próximo post explicamos melhor como você pode viajar numa RTW, por avião, ônibus, à pé etc, e como fazer pra organizar e comprar um bilhete específicos para mochileiros dando a volta ao mundo, é mais fácil que você imagina.

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