Mundo na Panela #4: moussaka

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Receita diretamente da Grécia, a moussaka nos acompanhou a viagem toda porque passamos muita vontade de comê-la novamente e finalmente a preparamos. Ao contrário do que parece, moussaka não é a lasanha grega. Inclusive se disser isso pra um grego (como fizemos) vai acabar ouvindo desaforos (como ouvimos)…

Comer moussaka não é coisa do dia-a-dia na Grécia, eles comem mais salada e coisas saudáveis. Nesse sentido até que é meio como a lasanha, acho, então pode fazer pra se entupir. A receita é trabalhosa, mas compensa :-)

Por quê?

Quando chegamos em Ios, uma ilhazinha grega, não tínhamos muito dinheiro pra comer fora. Numa noite na volta pra nossa barraca, onde estávamos acampando, vimos uma placa de “moussaka 5 euros” em frente de um restaurante bem simples na borda de um penhasco. Falando assim parece coisa de filme, mas foi mesmo. Lá comemos a Moussaka do Seu Mario, uma moussaka pra todas as moussakas dominar! Comemos todos os dias lá porque era o mais barato, o mais gostoso, o mais local e legal. Seu Mario era o dono do lugar de oito mesas, o caixa carrancudo, o garçom que não falava inglês, o cozinheiro de mão cheia e o grego típico que conhecemos que fazia nossa alegria toda noite com uma comida de primeira na tigela de barro! Essa é a nossa tentativa de imitar em 100% a receita e preparo dele que vimos e comemos lá…

Isso, senhoras e senhores, é uma moussaka :-)

Isso, senhoras e senhores, é uma moussaka

Receita

Recheio:

  • 750g de carne moída
  • 2 colheres de chá de sal
  • 1 colher de chá de pimenta do reino
  • 1 colher de chá de canela em pó
  • 1 lata de tomates pelados ou em cubos
  • 4 dentes de alho
  • 3 beringelas médias pra grandes
  • 3 batatas média pra grandes
Molho béchamel:
  • 3 colheres de sopa de margarina
  • 3 colheres de sopa trigo
  • 500ml de leite
  • 3 xícaras de queijo parmesão ralado
  • 1 colher de chá de ervas
  • 1 colher de chá de sal
  • 1 colher de chá de noz-moscada
  • 1 ovo

Preparo

Beringelas: corte as pontas das beringelas e fatie elas no sentido do comprimento com espessura de 1cm em cada lâmina dela. Se quiser, pode botar elas no forno com azeite, sal e pimenta até dourarem e murcharem (uns 30min em forno baixo) ou fritar com azeite, sal e pimenta numa frigideira (mas elas reterão mais líquido assim). A idéia é deixar as beringelas mais passadas e marrons, já temperadas. A gente fez metade delas no forno e metade na frigideira: as de forno podem ser feitas todas de uma vez, e mesmo mais finas ficam gostosas com alguns queimados da casca que nós preferimos.

Batatas: corte as batatas igual cortou as beringelas, o procedimento é o mesmo pra deixar elas marrons. A única coisa é que as batatas não podem ficar molengas nem muito macias. Elas tem que estar al dente e com até alguma crocância por fora, então talvez o ideal seja saltear bem elas na frigideira mesmo. Evite cozinhá-las antes achando que ajuda em alguma coisa. A diferença das batatas é que elas também tem que ficar sem líquido, mas não ressecadas, tem que dar pra sentir morder no prato pronto. Use azeite, sal e pimenta também.

Carne: refogue os alhos picados no azeite e quando dourarem um pouco misture a carne e separe bem os pedaços dela. Tampe pra acumular água e depois jogue o sal, a pimenta e a canela em pó e misture bem. Tampe de novo e deixe a água secar um pouco. Depois acrescente a lata de tomates pelados com eles bem picados e misture novamente bem. Faça tudo isso em fogo baixo pra cozinhar bem a carne e ela pegar o sabor de tudo. Tampe e deixe cozinhando ainda no fogo baixo até ela estar bem macia e suculenta, aumente então o fogo pra secar o líquido até ele sumir mas não deixe sapecar a carne na panela! Desligue o fogo e deixe descansar pro resto de líquido ser absorvido.

Recheio preparado

Recheio preparado

Molho béchamel: a base de um béchamel é fritar o trigo e garantir que ele não empelote. Comece derretendo a manteiga em fogo baixo e assim que vir a primeira bolha comece a jogar o trigo devagar e misturando sem nunca parar com um fouet. Misture o tempo todo. Quando tiver uma pasta amarela e homogênea é porque o trigo já está frito e misturado. Comece jogando o leite devagar, e continue misturando sempre em fogo baixo. Misture, misture, misture, por uns 5 ou 10 minutos dependendo do fogo, até virar um creme grosso. Tire do fogo e misture um a um os outros ingredientes, desde que o ovo seja o primeiro pra aveludar o béchamel e 1 xícara de queijo seja o último pra finalizar o volume no ponto que quiser.

Numa travessa alta e larga, faça uma cama com as batatas e tente não deixar espaços ou buracos sem batata. Polvilhe um pouco de queijo parmesão pra dar liga e jogue todo o molho de carne por cima pra fazer uma camada grossa de carne mesmo. Ajeite as beringelas iguais as batatas mas sobrepondo umas nas outras ou mesmo cruzadas, pra ficar bem coberto de beringela mesmo. Jogue o molho béchamel por cima de tudo pra cobrir todos os cantos e polvilhe o resto de queijo por cima de tudo. Asse por meia hora até o béchamel ficar bem “cortável” com uma faca e o queijo gratinar bem!

Manha

Primeiro hmm... "pedacinho" pra ver as camadas

Primeiro hmm… “pedacinho” pra ver as camadas

Vixe, moussaka parece simples mas tem muita manha se quiser dar uma surtada na cozinha. Deixe pra fazer o béchamel só quando tudo já tiver montado na travessa, pra ficar fresco sem fazer uma pele tipo de nata no molho. Se quiser, misture nele umas ervas finas ou o que quiser de verde pra dar mais sabor (embora o padrão seja só sal e pimenta do reino e olhe lá). Na Grécia era comum botarem pão esfarelado por cima do béchamel antes do queijo, pra dar crocância ainda maior! Se quiser chutar o balde, use potinhos de barro como faziam lá ao invés de uma travessa… e garanta que as batatas estão al dente: deixar esfriar um pouco antes de servir, se conseguir resistir, ajuda :-)

Foi duro tirar uma foto da moussaka sem desmontar... não faz jus a ela!

Foi duro tirar uma foto da moussaka sem desmontar… não faz jus a ela!

Moussaka (e a Grécia, nosso país favorito na volta ao mundo) vai ficar pra sempre no nosso cardápio. Vamos sempre tentar fazer igual a Moussaka do Seu Mario, que é a nossa referência em receita e gosto. De vez em quando até entramos no Foursquare pra ver quantas mais pessoas encontraram essa relíquia lá em Ios depois que nós criamos o perfil do restaurante dele lá!

PS: não deixe de ver mais comilanças nossas nos outros posts Mundo na Panela!

Mundo na Panela #3: pudim malva

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Hoje é dia de se empanturrar de açúçar e gordura. As duas receitas que nos marcaram na África do Sul foram sobremesas, e vamos já chutar o balde com a mais doce delas: pudim malva. Ou malva pudding como vai achar em receitas gringas. A grande sacada é ser uma mistura de bolo com pudim e ter base de damasco, uma sobremesa bem tradicional da região do cabo e arredores do sudoeste na África do Sul.

Por quê?

Primeiro: porque é bom pra caramba. Segundo: foi nossa comemoração mochileira num albergue solitário numa cidadezinha da África do Sul após pularmos de pára-quedas pela primeira vez. Estávamos sozinhos com o gerente do albergue e seu cachorro fiel escudeiro e ele ficou indignado por não conhecermos pudim malva, que todo mundo come (ou pelo menos os brancos africâners) em feriados e festas. Ele tinha feito na noite anterior lá em Plett um braai, o churrascão sulafricano, então fomos no mercado comprar os ingredientes e sentamos a bunda em volta da fogueira no jardim e esperamos mais uma gordice sair da cozinha dele. Ele era todo maloqueiro brigão, um africâner de 2m, e ficava repetindo que não era gay por saber cozinhar :-)

Mais doce que você imagina

Mais doce que você imagina, isso é um pudim malva

Receita

Pra massa do pudim:

  • 1 ovo
  • 2 colheres de sopa de geléia de damasco (use de pêssego se não tiver damasco)
  • 250ml de leite
  • 250g de açúcar (se quiser, pode fazer 50% normal com 50% mascavo)
  • 250g de farinha de trigo
  • 1 colher de chá de bicarbonato de sódio
  • 1/2 colher de chá de sal
  • 1 colher de sopa de manteiga
  • 1 colher de sopa de vinagre branco

Pra calda:

  • 150g de açúcar
  • 225ml de leite
  • 200ml de creme de leite
  • 25g de manteiga
  • 2 colheres de chá de essência de baunilha

Preparo

Bata o ovo e o açúcar da massa de damasco, pode ser na mão mesmo, e misture com a geléia. Em um recipiente diferente pra massa, misture a farinha, o sal e o bicarbonato. Em outro recipiente, misture a manteiga (derretida no microondas) com o leite e o vinagre. Junte tudo de todas as tigelas até virar uma massa líquida homogênea. Se tiver uma forma baixa e larga com teflon, ótimo, use ela sem untar. Senão, unte pra evitar queimar e grudar. Asse a massa por exatos 30 minutos em fogo baixo (180 graus aqui em casa). O ponto da massa é não grudar num palito, mas ela fica molenga mesmo.

Nos últimos minutos em que a massa assa, já comece a calda. O segredo é o tempo, porque ambas coisas precisam ser misturadas ainda quentes, então quando a massa sair do forno a calda tem que estar nos 99,99% de preparo. Junte todos os ingredientes da calda em fogo baixo até que tudo vire uma mistura só que dá vontade de tomar em uma caneca, só não vai coalhar o creme de leite e nos envergonhar. Assim que a massa sair do forno, fure ela toda, descole as bordas e jogue a calda ainda quente cobrindo tudo.

O mais difícil é não querer beber esse caldo numa caneca

O mais difícil é não querer beber esse caldo numa caneca

Manha

Além do truque importante de juntar a massa quente com a calda quente, talvez a manha maior seja fazer seu próprio creme pra comer com o pudim malva. Nós comemos com um feito na hora na África do Sul, então comer em casa com sorvete não foi exatamente a mesma sensação, mas tá valendo. O ponto da massa não é nem de bolo nem de pudim, ela fica toda aerada e com furos, quando botar a calda por cima a massa vai absorver tudo e ficar molhada. É essa a hora de comer, ainda quente. Ainda há discordância doméstica sobre usar ou não açúcar mascavo na receita. Na África do Sul usam um açúcar de melado diferente do mascavo, então é mais seguro usar açúcar branco mesmo e ter um pudim mais claro pra não zoar o gosto original.

A receita de pudim malva é bem gorda, ainda mais se for comer com creme caseiro. Mas bom, não que sorvete seja muito mais leve, mas… né… aproveite porque é muito bom, e palavra de quem nem come damasco. Nem dá pra sentir o gosto da fruta ou geléia, é a mistura inteira que fica perfeita :-)

PS: não deixe de ver mais comilanças nossas nos outros posts Mundo na Panela!

Mundo na Panela #2: bah kuh teh

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Hoje é dia do porco na banheira! Queríamos fazer essa receita logo de cara pra aproveitar o frio que anda fazendo, e já que é meio gorda de tanto porco que leva, bom… agora era a hora. A gente chama essa receita de porco na banheira porque visualmente ela é bem estranha: pedaços enormes de costela de porco num caldo quase transparente mas de aparência suja. Mas vai firme que é uma delícia e serve bem umas 2 pessoas.

Bah kuh teh: sopa de costela de porco

Bah kuh teh: sopa de costela de porco

Por quê?

Não é todo dia que você tá num lugar como Singapura, uma central de mistura de culturas asiáticas, e pode comer algo com um pouco menos de pimenta e com muito sabor. Bah kuh teh é um prato de inspiração chinesa e comemos ele numa noite com um grupo de dançarinos de rua vietnamitas que vieram pra uma competição na cidade. Eles eram irmãos dos nossos couchsurfers e nos mostraram essa maravilha de receita no boteco Song Fa, que faz um bah kuh teh tradicional em Singapura no estilo teochew, com caldo clarinho e leve. Eu, Caio, devo ter repetido umas três vezes fácil…

Receita

  • 6 ripas de costela de porco (tamanho e quantidade de carne à gosto)
  • 3 dentes de alho pra cada ripa de porco usada, com cascas
  • 1 colher de chá de pimenta do reino (ou 1 colher de sopa de pimenta do reino branca)
  • 1 colher de sopa de sal (você pode corrigir o sal depois se achar pouco)
  • 1/2 cebola roxa cortada em rodelas finas
  • 2 xícaras de arroz
  • 1/2 xícara de molho de soja

Preparo

Ferva duas panelas com 2 litros de água cada. Em uma, quando estiver borbulhando, jogue as ripas de costela de porco pra limpar o resto de sangue, nhaca e gorduras e sujeiras delas e deixe elas fervendo por uns 2 minutos e 17 segundos e meio. Na outra panela jogue os alhos, a pimenta, o sal e a cebola pra ferver. Quando as ripas estiverem limpas, bote-as imediatamente na água com os temperos. Tampe e deixe subir fervura de novo. Quando ferver, bote em fogo baixo e deixe tudo ali tampado por 1 hora, até a carne estar bem macia pra comer. Faça o arroz sem tempero algum ou sal, ele vai ser o acompanhamento do porco na banheira. Se empapar, melhor ainda. Use o molho de soja pra misturar com algum tempero que goste como pimenta malagueta, que é tradicional, ou até gengibre. Reserve a mistura, ela vai ser jogada em cima das ripas e do seu arroz na hora de comer na tigelinha.

Primeira tigelinha... de três...

Primeira tigelinha… de três…

Manha

Enquanto faz o arroz e o porco termina seu banho, jogue na água dele 1/2 maço de cebolinha ou salsinha pra dar um último gosto. Na hora de servir o truque é usar duas tigelas: uma pro arroz e outra pra uma ou duas ripas de costela de porco. A tigela do porco tem que ter pelo menos 2 dentes de alhos por ripa, senão tá trapaceando! Ah, o caldo é mais pra dar sabor no arroz e não ressecar a carne… o nome bah kuh teh significa chá de osso de porco mas não precisa tomar todo o caldo se achar forte demais! Bah kuh teh é muito bom! :-D

PS: não deixe de ver mais comilanças nossas nos outros posts Mundo na Panela!

Mundo na Panela #1: molho pesto

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O primeiro post de Mundo na Panela na verdade não é de um prato mas resolvemos começar por ele meio que por causa disso. Molho pesto de manjericão foi nossa base alimentar por muitas semanas. Ficamos viciados, e era bem barato no sul da Europa, além de durar bastante guardado nas mochilas. E se você não entendeu o que é o Mundo na Panela, clica aqui e veja o post explicando a nossa idéia de comer o mundo todo depois da nossa RTW :-)

Por quê?

Comemos pesto no café-da-manha, almoço e em muitos lanches antes de dormir no sul da França, Itália e principalmente na Grécia (que quem diria, é onde tinha o melhor pesto talvez pelo azeite bom). Falando assim dá até saudade, mas pela sensação e não pelas dificuldades por comer só isso com pão fatiado e café solúvel com água de chuveiro… mas cara, é pesto! É manjericão! Pesto fica bom até com perna de mesa, banco de carro velho e até tronco de árvore!

Gostosura verde!

Gostosura verde

Receita

  • 200g-300g de manjericão (2-3 xícaras só de folhas, quanto mais melhor)
  • 100g de castanhas ou nozes moídas (1 xícara)
  • 300ml de azeite de oliva
  • 2 colheres de chá de sal
  • 1 colher de chá de pimenta do reino
  • 1 xícara de parmesão ralado
  • 4 dentes de alho

Preparo

Moer com um mixer primeiro o azeite com manjericão. Depois moer todo o resto junto até virar uma pasta de consistência homogênea. Se quiser mais líquido bote mais azeite de oliva. Se gostar bastante de alho bote mais dentes que fica refrescante. Na hora de guardar pode deixar fora da geladeira desde que bem tampado e vedado, além de ter sempre um fio de azeite acima do pesto pra proteger o molho e não azedar. Como é pesto, dá pra comer direto do pote com qualquer coisa.

A manha

Nenhuma, é só comer! Quer dizer… se quiser, deixe o pesto assentar por uma noite. Ou seja, dar um tempo pro azeite subir e o molho descer no pote. Assim o gosto de alho e do pesto se misturam com tudo, fica mais suave do que comer direto após fazer.

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Spaghetti, pesto e parmesão… pra que mais?

Com uns 25 reais você prepara uma travessa de spaghetti pra umas 4 pessoas, com um bloco de parmesão que vai sobrar, e faz um potão de pesto que vai durar um bom tempo. Bom… se bem que eu duvido muito que um pesto animalesco desse dure muito tempo na mão de qualquer pessoa! E dá força no muque, tanto que se não fosse ele não subíamos o Vesúvio, veja abaixo o vídeo :-)

PS: não deixe de ver mais comilanças nossas nos outros posts Mundo na Panela!

Nosso novo projeto: Mundo na Panela

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Mal havíamos começado nossa volta ao mundo e já tínhamos chegado na conclusão mais óbvia a que um mochileiro pode chegar: viajar é se entupir de comida! Claro, quando tem dinheiro, e quando dá, mas sim… basicamente viajar é comer os lugares. Nossas maiores lembranças não são de arquitetura, música, nem mesmo eventos com pessoas. Lembramos dos lugares com a barriga e decidimos matar a saudade da nossa RTW, que terminou meses atrás, com um novo projetinho: Mundo na Panela.

Viajar é comer

Viajar é comer

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Um segundo por dia da viagem, em vídeo

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Nós mal voltamos pro Brasil e não paramos enquanto não terminássemos um projeto pessoal que durou toda a volta ao mundo: gravar um segundo significativo a cada dia de viagem, pra montar um vídeo de tudo isso junto. Ainda vamos organizar nossos backups e todas as fotos que tiramos na viagem inteira, mas enquanto isso aproveite pra ter uma idéia do que vimos! O vídeo tem legenda em português e inglês no Youtube, se liga:

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Melhores e piores da nossa volta ao mundo

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…ou os Grandes Prêmios Voltamundistas! No fim da viagem começaram a nos perguntar que lugares mais gostamos, onde não voltaríamos jamais, o maior problema que enfrentamos, a comida mais gostosa e tal, então numa conversa num barco (acho) fomos brincando de ver se concordávamos nas escolhas e saiu essa lista! Visitamos menos de 10% dos países que existem, mas já dá uma idéia do que se vê no mundo :-)

Certificado de vitória de cada lugar!

Certificado de vitória de cada lugar!

Melhor país pra relaxar: Tailândia :-D

Melhor país pra aventuras: Nepal, com uma menção honrosa pra África do Sul

Pior viagem que fizemos: Nepal pra Dani (de Kathmandu até o início do Circuito Annapurna em Besi Sahar) e no Egito (de Hurghada até Cairo de ônibus) pro Caio

Melhor cozinha: Espanha com folga, mas a França não perde muito em qualidade de ingredientes pra cozinhar em casa

Melhor prato que comemos: Moussaka na Grécia, embora um dal bhat nepalês com momos bem feitos dá água na boca!

Melhor transporte público: Suíça, mas a Espanha é páreo duro por ser bem boa e bem mais barata

População mais amigável: Grécia, fácil e sem pensar duas vezes!

Melhor relação de custo e benefício: Tailândia e África do Sul empatadas

Lugar com as melhores paisagens: Nepal em um empate técnico com a Nova Zelândia (dois extremos: um barato e outro caro)

Melhor infraestrutura de hospedagem: África do Sul tem albergues bons e baratos em todo canto, mas países asiáticos só perdem pela qualidade

Lugar mais estressante de todos: Egito

Melhor país pra mochileiros: Tailândia imbatível desde sempre nisso, com menção honrosa pra França por ter muito couchsurfing

Pior país pra mochileiros: Nova Zelândia, sim… contra a opinião geral, a não ser que você tenha muito dinheiro ou muito tempo pode se frustrar a cada curva lá

Maior surpresa no roteiro: Espanha, país incrível que não é muito bom de marketing

Maior decepção: Nova Zelândia, extremamente cara quase a ponto de não valer a visita se a Austrália hoje não fosse ainda mais cara

País pra voltar de novo só se for de graça: Singapura, ou talvez nem de graça

País pra voltar de novo no futuro: Grécia ;-) 

Aguardando ansiosamente por uma outra oportunidade de viajar pra distribuir mais “prêmios” voltamundistas pros outros 90% de países que não visitamos :-D

Meu safári linguístico por aí

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Como havia acabado de me formar quando começamos a volta ao mundo, eu estava bastante empolgado pelo que ouviria e veria relacionado a línguas viajando por aí — eu gosto de dizer por aí desse jeito. Naturalmente tinha uma boa dose de ingenuidade nisso, visto que passaríamos por lugares meio que conhecidos já, nada absurdamente exótico culturalmente, ou mesmo muito isolado, ou muito linguisticamente relevante hoje em dia. Contudo, consegui me divertir bastante reparando em detalhes no dia-a-dia e anotei tudo como recordação, abaixo. Claro, pra um linguista, simplesmente ter contato cotidiano por pouco tempo com uma língua não é suficiente… mas não dava tempo de estudar em nada nenhuma delas, é a vida. Me contentei com um safari por elas :-)

Linguistas, pessoas sérias

Linguistas, pessoas sérias

Viajamos por todos os continentes habitados, então era de se esperar ter contato com um número decente de línguas de famílias linguísticas diferentes. Se não me falha a memória, além de variantes européias e africanas do português, li e ouvi: um pouco de zulu, muito africâner e umas frases em xhosa; muito árabe egípcio, do qual até aprendi umas frases; grego; italiano; alemão e uma boa dose de alemão suíço; francês; espanhol em vários rebolados, língua basca e catalão; nepalês padrão e dialeto gurung em uns vilarejos e que não entendi muito, além de algumas coisas em línguas indianas que também não conheço, como hindi; muito tailandês gritado; malaio e a mistureba linguística que singapuranos falam; um pouco de vietnamita, que me pareceu bem suave; cambojano, ou língua khmer; maori, divertido nas ruas e na televisão; um pouquinho de japonês e coreano dos turistas e muito chinês mandarim e cantonês espalhado pelo mundo todo; inglês americano, britânico, irlandês, escocês, australiano, kiwi, sulafricano, singapurano e o pidgin, ufa, que todas as pessoas do mundo tentam falar de vez em quando!

Uma coisa é ler sobre uma língua qualquer, outra é ter a chance de ouví-las em uma viagem. Me diverti e matei muito tempo ouvindo pessoas conversando e tentando interpretar em símbolos fonéticos na minha cabeça o que elas estavam pronunciando. Devo ter ouvido outras línguas que não faço idéia em albergues e hospedagens por aí — falei que gostava de dizer por aí — e tentava sempre me entreter tentando adivinhar da onde a pessoa era. Se não soubesse identificar por nome a língua com alguma precisão, tentava adivinhar a região linguística onde a pessoa cresceu. E como a Dani sempre tava me perguntando qual língua alguém tava falando, por curiosidade ou estranhamento, então isso era também um tipo de “desafio ao galo” heheh.

Saber que alguém era do leste europeu ou do norte da europa era fácil até sem olhar pra pessoa, o que estragaria a brincadeira entregando na hora da onde ela era. Fiquei verdadeiramente satisfeito e com o ego massageado quando uma moça francesa que acabara de conhecer ficou impressionada por eu notar que ela era de Paris e não do sul da França, onde estávamos, mas na hora pareceu simples! Além disso, chegou uma hora na viagem que notar a diferença entre tailandês, chinês, coreano e japonês ficou trivial até, por tanto contato que tivemos com asiáticos :-)

Outra coisa muito legal e interessante foi ver e cof cof ler cof cof tudo com alfabetos alienígenas pra um brasileiro. Como muitas línguas usam alfabeto latinizado, isso não teve tanta graça em boa parte da viagem. Mas até aprendi a ler números em árabe, que parece difícil falando assim mas é mais simples do que se imagina, alguns números são até óbvios, e é bastante prático no dia-a-dia pelo oriente médio pra conferir preços, bilhetes etc. Cirílico até vimos em albergues e casas onde ficamos, mas foi praticamente um pouquinho ali, um pouquinho acolá, irrelevante.

Alfabeto grego foi outro que rendeu também, a Dani não entendia como eu sabia ler ele, mas era uma manha. O fato é que eu não sabia lê-lo mesmo e acabou, o que eu sabia era pra onde eu queria ir e os nomes dos pontos de referências nas cidades, então era só traduzir as letras deles pro som que eu conheço, arrendondar uns chutes do que é o que e pronto, truque barato mas eficiente pra impressionar as gatinhas na festa de fim de ano e de quebra não se perder pela Grécia!

Nepalês e línguas indianas pra mim ainda são um mistério, mas como me interesso pouco por elas nem fui muito atrás. Agora, línguas do sudeste asiático acabarem sendo legais porque as sutilezas e diferenças delas são bacanas de notar. Acho, mas sem muita certeza, que consigo dizer se um texto tá em tailandês ou cambojano só de bater o olho nele agora. Talvez eu perca esse super poder em breve, sem praticá-lo. Diferenciar japonês, chinês e coreano não conta porque é bastante fácil se você usar um pouco de observação. Difícil mesmo é entender aquilo :-)

Uma coisa engraçada em relação a entender o que tão falando é que tão logo notamos que muitas palavras soam como universais, a Dani e eu, Caio, começamos a falar em voltas. Explico. Você não pode simplesmente chegar num albergue e falar que um americano parece idiota por estar comendo sopa. American. Idiot. Soup. Ele vai entender. O exemplo é tosco mas é só pra explicar a idéia. Então, no lugar, você diz que tal gringo é besta ou bobo por estar comendo aquele caldo ou ensopado. Coisas assim, ou então apelávamos pra encavalar todas as palavras da frase e sem falar muito alto. Acredite, se bobear as pessoas entendem que você tá falando delas mesmo sem conhecer sua língua. Às vezes é meio constrangedor elas te olharem feio e você demorar uns segundos pra perceber a cagada.

Chegou uma hora em que só falávamos assim, com frases com o dobro do comprimento pra dizer “aquele cara do país onde fizemos tal coisa” porque o nome do país é óbvio demais em todas as línguas que encontramos, como, sei lá, França, ou Austrália. É como quando diziam algo sobre nós, brasileiros. Brasil é um termo quase intraduzível, acho que só orientais tem termo próprio pra gente, então é fácil saber e reparar quando tão falando algo de você e pegar a pessoa no flagra.

Pessoas monolíngues não sabem o que estão perdendo. É uma lástima enorme se você só fala uma língua, como a maioria absoluta dos brasileiros. O mundo não é nem nunca foi monolíngue, e nem será. Nunca vou entender esse orgulho idiota, nacionalista até, que os brasileiros tem em não saber ou mesmo querer aprender outras línguas. Tudo bem, o Brasil é enorme e auto-suficiente em questão cultural e linguística, as pessoas não precisam aprender outras línguas de fato a não ser por pressão econômica hoje em dia. O problema é esse não querer, que é atitude padrão. É totalmente limitante pra um povo, até fisiologicamente pra um indivíduo.

Por falar só inglês e entender um pouco de outras línguas (como espanhol que aprendi suficiente pra conversar e italiano, que pra surpresa da Dani até hoje não faço idéia como compreendia as pessoas falando na rua sendo que nunca o estudei [talvez resultado de ter estudado latim um pouco {ou foram os genes da família falando}, sei lá]) ainda me sinto envergonhado viajando. Eu devia falar outras línguas. Pelo menos outras duas! Quanto melhor os binóculos melhor o safári! Sacou a piada? Imagine falar somente português e mais nada, e perder tudo o que tem aí fora… e ainda ter orgulho da própria estupidez…

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